11/09/2017

Haikai

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Composição e foto com manipulação cromática de Augusto Mota
 
 
 

07/09/2017

Texto transversal

 
 

 
 
 
 
 
 

23/08/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 

19/07/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 


Café com livros

 
 
 
 
 
No dia 24 de Junho, p.p., teve lugar na Sala Polivalente do m|i|mo - museu da imagem em movimento mais uma tertúlia de "Café com livros", tendo como convidado o professor João Reis, que nos veio falar do "Plano Nacional de Cinema" e de "O Cinema na Escola".
 
 

 
 
 
Cristina Barbosa fez a apresentação do convidado:
João Reis nasceu em S. Pedro do Sul, em 1967. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Variante de História da Arte - Ramo Científico) e tem uma Pós-graduação em Gestão de Bibliotecas Escolares. É professor de História e Geografia de Portugal e Professor Bibliotecário no Agrupamento de Escolas de Argoncilhe, Santa Maria da Feira.
 
 


Tem desenvolvido múltiplas atividades a nível escolar, na coordenação de projetos de âmbito vário. A nível da comunidade colabora com rádios locais e jornais, tendo sido diretor do jornal regional "Notícias de Lafões". No "Gazeta da Beira" colaborou com trabalhos de desenho e cartoons. A sua atividade alarga-se ainda à publicidade e ao marketing.
Realizou médias metragens, no âmbito do Clube de Cinema (EB dos 2º e 3º Ciclos de Pataias): "A Passagem do Tempo" (2007), "A Flor da Idade" (2009) e "Álbum de Recordações" (2010). Em vídeo realizou vários trabalhos, entre os quais "Os Cuidadores" (2015), para a Divisão Social da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.
Em 2015 realiza  "As Fogaceiras - uma tradição popular", disponível em https://www.youtube.com/watchv=FpcCxPWwvXY&t=1800s
 
 
 
 Antes de ser dada a palavra ao convidado, Diogo Barbosa dedicou-lhe um momento musical.
Como de cinema na Escola tratasse a intervenção de João Reis, vamos servir-nos de algumas imagens que foram sendo projetadas no ecrã, para dar uma ideia da temática abordada.
  
 
 
 
 
  
 Como exemplo de um filme de animação realizado por alunos, com figurantes e cenários recortados e pintados em corticite, foram projetadas duas interessantes imagens de tal técnica. Argoncilhe é uma freguesia do concelho de Santa Maria da Feira, concelho bem conhecido pela sua indústria de transformação da cortiça.
 
 
 
Foi muito proveitosa esta tertúlia, principalmente para professores, a qual terminou, como já é tradição, com café e bolos, mas desta vez com a grata surpresa da oferta de copinhos com belas cerejas da Gardunha, o que muito ajudou à boa disposição dos grupos abaixo!
 



        

Voltamos a encontrar-nos no mês Setembro, em local a anunciar.


Até lá não recusem
                                            um café quente  
                                                         um livro fresco
                                                                           uma ideia nova
 
 
Texto de  Augusto Mota
Fotos de Laura Rosário, Lídia Raquel e Augusto Mota
Edição de Augusto Mota

 

09/07/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 


04/07/2017

O Rio, o Moinho e a Poesia








No âmbito de mais uma edição do evento Festa dos Museus, realizou-se no Moinho do Papel, no serão do dia 19 de abril, p.p., a tertúlia O Rio, o Moinho e a Poesia com a participação de David Teles, Manuela Prazeres e Rosa Neves.
A abertura da sessão pertenceu a Helena Brites, chefe da Divisão da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, que enalteceu a adesão dos participantes à iniciativa e depressa se rendeu ao ambiente verdadeiramente Tertuliano que se respirava.

David Teles, Helena Brites, Rosa Neves e Manuela Prazeres
 
Vânia Carvalho e Rosa Neves
 
Também Vânia Carvalho, responsável pelo Museu de Leiria e  pelo Museu Moinho do Papel, partilhou o seu agrado por ver a poesia representada na Festa dos Museus. Esta opção cultural foi também enaltecida por Rosa Neves que agradeceu o convite que lhe foi endereçado para dinamizar a esta sessão.
Para enriquecer a tertúlia e imprimir-lhe um carácter personalizado a página online do Moinho do Papel, divulgou-a com uma foto inédita, de 1973, da autoria de Augusto Mota, onde aparecem as mós originais deste moinho, quando ainda laborava na moedura de cereais.

 

Sem dúvida uma boa maneira de "visitar" as origens!...

Aspeto parcial da assistência
 
 A conversa iniciou-se com Rosa Neves a fazer uma abordagem sobre a importância dos rios na história do Homem, referindo o caso do rio visto como executor de justiça (ordália pela água); o rio como entidade purificadora (batismo nos rios); o rio visto como forma de transporte de pessoas e mercadorias; como forma de sobrevivência; como energia que faz mover os moinhos, etc., etc., e, especificamente, sobre o fascínio que os mesmos exercem sobre os poetas que, nos seus poemas, os vão cantando.
Era impossível falar de O Rio, o Moinho e a Poesia, sem recorrer a duas obras incontornáveis e unidas pelos mesmos rios - o poema de Marques da Cruz e a bela pintura de Augusto Mota (também presente na sala, nesta noite de Poesia):
 
 
 
LENDA  DO  LIS  E  LENA
 
Nasceu o rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lena;
Mas com muita paixão, com muita pena,
De o seu berço não ser na mesma terra.
 
Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Contavam esse amor que ambos sentiam.
 
Um dia já espigados, já crescidos,
Contrataram casar, de amor perdidos,
Num domingo, em Leiria, de mansinho...
 
Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo, um bocadinho...
 
MARQUES  DA  CRUZ
             1888 -1958
               
                                                                                                                                                    Painel decorativo, 1,80 x 3,60 m, pintura a tinta plástica sobre omnilite, 1965 
 
 
 
Rosa Neves deu ênfase à convidada Manuela Prazeres que também expressa, através da sua poesia, a beleza do rio Lis e o discreto encanto do Moinho do Papel
 
 
Rio Lis e o Moinho
 
Rio Lis de águas mansas
Tens um enorme poder
Escolheram as tuas águas
Para o Moinho mover.
 
É um prazer visitar
Este bonito Moinho
Onde se faz o papel
Com saber e com carinho.
 
Que bonito ver as Noras
Constantemente a girar
Fazem lembrar passarinhos
A bater as suas asas
Sem saírem do lugar.
 
Rio Lis de águas mansas
Há em ti muita magia
Inspirador de Poetas
Que nasceram em Leiria
 
(Poema inédito)
 
A expressão poética de Manuela Prazeres segue, na sua maioria, um trajeto sensorial de observação das coisas simples que a inspiram a poetizar a cidade do Lis, dos poetas e de cada um de nós.
 
Manuela Prazeres
 
Manuela Prazeres nasceu em Leiria em 1941, define-se como autodidata que, depois de uma vida profissional bastante diversificada, se reformou e passou a dedicar o seu tempo a atividades como a música, a pintura e a poesia.
A autora dos livros «Encontros de Mim», 2008, e de «Salpicos de Poesia», 2013, define-se como uma pessoa simples, tímida, que assim objetiva o poeta:
 
Ser poeta
 
É poder dizer
O muito de nadas
Em rimas cruzadas
Com pouco saber.
 
É olhar o mundo
De forma diferente
Atento à vida
E parecer ausente.
 
É luz que se acende
No fundo do ser
Silêncio inquieto
E que faz sofrer.
 
É também
Um grito de alma
Um choro calado
Sofrido, pensado...
Por quem?
 
Ideias cruzadas,
Cruzadas na mente,
A alma a falar
Em tudo o que sente.
 
      in «Salpicos de Poesia», p. 8
 
Mariana Pereira lendo uma poesia de Manuela Prazeres
 

A poesia  de Manuela Prazeres foi saltitando também pelas vozes dos presentes, que assim foram lendo, através de prévia seleção de Rosa Neves, poemas diversos que ilustram verdadeiros registos do passado, de um passado que a autora imortalizou numa poesia também feita de saudade.
 
Helena Brites também deu a sua colaboração
 
As fontes da minha terra
 
As fontes da minha terra
Com água fresca a correr
Num cenário pitoresco
Eram bonitas de ver.
 
As fontes que menciono
São as dos tempos passados
Locais de muita frescura
Encontros de Namorados.
 
As moçoilas muito airosas
As suas bilhas enchiam
E ora um, ora  outro
A água fresca bebiam.
 
Entre muita brincadeira
E no meio da folia
Andando de mão em mão
A bilha às vezes partia.
 
Os tempos foram mudando
A ida à fonte acabou
E a chorar de saudade,
Uma após outra secou.

Cantarinha de água fresca
Que à fonte eu ia encher,
Passagem da mocidade
Que não se volta a viver.
 
       in «Encontros de Mim», p.14


Lisete Ferreira lê uma poesia de Manuela Prazeres
 
Em animada conversa com uma plateia atenta, e muito interventiva, O Rio, o Moinho e a Poesia foi entrando pela noite dentro e, pela voz de David Teles, foram sendo declamados vários poemas que exemplificavam o lirismo bucólico expresso na poesia de Manuela  Prazeres.

 
David Teles lendo expressivamente uma poesia  de Manuela Prazeres
 
Árvores do Lis
 
As árvores morrem de pé
É o povo quem o diz
Mas esta morreu deitada
Nas águas do rio Lis
A chuva, o frio e o vento 
Corroeram-lhe a raiz
Não ouviram o seu lamento.
 
Tão triste o rio ficou
Que passa o tempo a chorar
Com as lágrimas em queda
Para a poder refrescar.
 
As pedras que a sustentavam
Ao vê-la cair, tombar
Saltaram p'ra dentro d'água
No esforço d'amparar.
 
A Senhora da Encarnação
Que no alto está a ver
Vai pedindo a Jesus
Para mais nenhuma morrer.
 
       in «Salpicos de Poesia», p.36
 
Encorajada por Rosa Neves e David Ferreira a falar de si, foi ao ouvir os seus poemas passarem de boca em boca, que Manuela Prazeres se libertou da timidez natural que a caracteriza e começou a falar da necessidade que tem em escrever. Necessidade que vem de muito nova e que diz chegar em qualquer momento.
 
Manuel Bernardes
 
Um diploma pacientemente desenhado
 
A noite reservava uma surpresa para os participantes que declamaram poemas das obras da autora, pelo que foram brindados com Diplomas de Participação muito especiais. Os diplomas foram feitos, um a um, em papel artesanal, onde Manuel Bernardes (marido de Manuela Prazeres) pacientemente desenhou letras caligráficas, num estilo gótico muito pessoal, a informação sobre a realização desta tertúlia. As iluminuras que os ilustram foram feitas por Manuela Prazeres. 
  

  
 
 
   
E porque o dia seguinte era de trabalho, a conversa terminou à volta de um aromático chá de poejos, vindos do Agromuseu Municipal D. Julinha, na Ortigosa, tendo-se aproveitado este momento informal para as sempre úteis  troca de  impressões com amigos e conhecidos.
Nós  ficamos por aqui, mas O Rio, o Moinho e a Poesia continuam...
 


 
Texto: Rosa Neves e Augusto Mota
 
Fotos: Joaquim Cordeiro
 
Edição: Augusto Mota
  
 

24/06/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 


13/05/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 


11/05/2017

Rosário breve

 

A gente B.-B.ê-se por aí

 
 
 
 
1. Maio também serve para desaparições pouco místicas. Terça-feira, 9 do corrente, foi a vez da de Baptista-Bastos, ao cabo de 83 anos de nascido. Foi um cultor da Língua de subido mérito. Gostava de jornais bem escritos e de livros bem lidos. Era pessoa e personagem. Conhecia milhares de histórias, foi protagonista de milhentas ele próprio. Correu todas as redacções, percorreu todas as ruas de uma Lisboa que, sua de nela nascer & de em ela morrer, poucos terão conhecido tão bem. Deixa admiradores, indiferentes e rancorosos. A mim, deixa-me vontade e pretexto para mansa releitura de alguma da sua literatura, que noutra idade abordei talvez sem a atenção mais proveitosa. Penso que o ângulo do obituário pode ser mais justo se, em vez de “Morreu Baptista-Bastos”, assentarmos que – B.-B. viveu. Ora, como é sabido, não se pode dizer o mesmo de toda a gente.
 
2. Não se pode dizer o mesmo de toda a gente porque há mortos-em-vida que por aí andam a roer broa muito mal empregadinha em tais dentuças. Ocupam os poleiros e mamam as mordomias que lhes presta a populaça pobrete & alegrete da nossa espécie de fatalidade. Parasitam todas as áreas da sociedade. Infestam, da mesma, todas as secções produtivas – volvendo-as improdutivas. Política, desporto, ex-cultura, culinária, turismo, jornalixo, hidráulica, estiva, transportes, câmaras, clubes de caça & pesca, lares da última idade, bombeiros, saúde, correios, eléctricas, esplanadas – a tudo esterilizam. E reproduzem-se muito, gerando criancinhas estupidificadas pela electrónica amestradora deste século em que a incomunicação pessoal está na razão inversa da profusão de máquinas de bolçar bitaites. Não sofro dúvida: o nosso é um tempo sem eira, sem beira e sem ramo de figueira. Mas quê? Chateio-me muito com isso? Cada vez menos. Sobrevivo e deixo sobreviver. Reciclo o dia antes que o ontem se faça tarde. Ainda agora.
 
3. Ainda agora, na esplanada de mesas daquele amarelo da publicidade ao chá de palhinha, estava o maralhal muito sossegado a estiolar à torreira de um sol bruto como as derrocadas mineiras. Nisto, uma inquietude assolou a assembleia de desirmanados. Uma ansiedade esquisita, um latejar de próstatas, uma ânsia de ganir à Lua vespertina. A causa? Uma mulher. Apareceu-nos ali sem azinheira nem aviso. De vestido justo a ponto de segunda pele, era um clarão de champanhe. Manava uma fragrância de peixe fresco alimentado a fruta e a leite, decerto por rabejar de cintura qual sereia profissional. Esfíngica, muda, impositiva & incómoda tipo mulher-do-fraque, fez-nos ranger a prótese dentária como se de repente tivéssemos começado todos a sorver esferovite. O B.-B. não lhe perdoaria. Nós perdoámos-lhe. Demorou-se pouco, ficando-nos portanto para sempre. Abençoada posta não-pescada. Milionariazinha de sua avó. Bisontezinho de Foz Côa em diferido de Paris. Vontadezinha de ter um porta-chaves de BMW. Santa & Senhora. Tive de forçar com conhaque o açude represo do gasganete. De volta a casa, ainda estive para contar à minha mulher. Já nem sei porquê, não contei.
À aparição, dei apenas, cão velho que sou entre flores, um secreto adeus.
 
Crónica de Daniel Abrunheiro, in  «O Ribatejo», 11 de Maio de 2017
 
Foto de B.-B. obtida na net
Edição de augusto mota
 
 

26/04/2017

Texto transversal










25/04/2017

A noite de pedra

 
 
 
 
 
 
 
 


24/04/2017

25 de Abril

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

12/04/2017

Fotopoema

 
 



Atenção a este exercício que a autora nos propõe: nas duas versões deste fotopoema o significante, isto é, o corpo do texto, conquanto apresente rigorosamente as mesmas palavras, mas com as linhas por ordem inversa (a última passa a ser a primeira), não se altera o conceito inicial, portanto o significado é idêntico em ambas as versões.
      
 
 
 
 
  
 
Edição: Augusto Mota
 
  

Fotopoema

 

 
 

 
 
 
 
 
 


08/04/2017

Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

07/04/2017

Café Com Livros

  
 
 
 
 
 
No dia 25 do passado mês de Março, teve lugar na sala polivalente do m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento, a tertúlia Café com livros, uma iniciativa das Trêstúlias, que conta já com quatro anos de existência. Desta vez cumpriu-se mais uma das rubricas destas tertúlias – “Gente da Nossa  Terra” –,   tendo como convidada Cristina Nobre, Professora, Investigadora e Escritora, que se tem dedicado a estudar a vida e obra do poeta Afonso Lopes Vieira. Veio falar-nos da sua poesia, da sua experiência da vida, do seu trabalho como investigadora e como professora, experiências que perpassam, emotivamente, na sua obra poética.
             

 Como ponto prévio, Rosa Neves chamou a atenção para o facto de haver poetas que, escudando-se na timidez e no recato, nos pregam partidas e partem sem deixar que os outros conheçam o que escrevem. Foi o que aconteceu com Filipe Antunes, que partiu discreta e precocemente, deixando “uma gaveta” inteira cheia de palavras bonitas de ler… Como o resgate dos poetas é feito através da leitura dos seus poemas, Rosa Neves e Cristina Nobre leram poemas do livro «S.M.S.: são mensagens, Senhora!» - edição trilingue, sendo a versão francesa de Marie Claire Vroomans e a neerlandesa de Irene Koenders, da responsabilidade da “Orfeu”, Livraria Portuguesa e Galega, de Bruxelas. 
 
  
Cristina Nobre lendo um poema de Filipe Antunes
Aqui e agora
 
Antes da primeira brisa da manhã

 
Antes da primeira ave
 
 
Te sonhei em mim
E, como se a minha nudez abraçasse o ar,
Amei o dia que ia nascer

Por te ter ali

in «S.M.S.: são mensagens, Senhora!», p. 36 


                          
 
 
 
Passando ao tema desta tertúlia, Lídia Raquel, fez a apresentação da convidada:
Cristina Nobre é Professora, desde 1987, no Instituto Politécnico de Leiria - Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, onde, no departamento de Línguas e Literatura, é Professora Coordenadora de Literatura Portuguesa, Teoria da Literatura e Literatura para a Infância.


Lídia Raquel, Rosa Neves, Cristina Nobre e Cristina Barbosa
                     
Em 1985 licenciou-se na Universidade de Lisboa em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses.
Fez o mestrado em Literatura Portuguesa Clássica, em 1990, com a dissertação «Contos e Histórias de Proveito e Exemplo de Gonçalo Fernandes Trancoso — um texto instrutivo do século XVI», publicada pela editora Magno, Leiria, em 1999.
Doutorada em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Lisboa, em 2001, com a tese «Afonso Lopes Vieira — A Reescrita de Portugal, vol. I e Inéditos, vol. II», editada pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, em 2005.
Pós-doutorada em História do Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 2008, com o trabalho de investigação  «Afonso Lopes Vieira na correspondência e imprensa da época», publicado pela editora. Imagens&Letras, Leiria, em 2011.
Tem ainda publicados dezenas de artigos de investigação, quer sobre Afonso Lopes Vieira, quer sobre Educação.
 
Outras obras, como autora, co-autora ou editora:
 
2001. «Um longo ataque de melancolia mansa: [correspondência e autógrafos (1909-1945) de Afonso Lopes Vieira a Artur Lobo de Campos]».
2003. «Passeio Sentimental de Afonso Lopes Vieira», Rota dos Escritores do século XX.
2003. «O Romance de Amadis. Reconstituído por Afonso Lopes Vieira»
2003. «Contos e Histórias de Proveito e Exemplo, de Gonçalo Fernandes Trancoso».
2004. «Passeio nas terras de Afonso Lopes Vieira», edição da Região de Turismo Leiria-Fátima.
2004. «Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria. Actualização ao séc. XX », coordenação de Acácio de Sousa, Edições Magno, Leiria.
2007. «FOTOBIOGRAFIA. Afonso Lopes Vieira. 1878-1946», edição Imagens&Letras, Leiria.  
2008.  «Aprendo com as línguas». Escudé, P. (Dir.) et alii (equipa portuguesa: Barbeiro, L. F; Nobre, Cristina; João, Cláudia; Santos, S.)  Edição portuguesa: LIDEL, edições técnicas, Lisboa. Outras edições: «J’apprends par les langues» (França); «Aprendo gracias a las lenguas» (Espanha); «Imparo con le lingue» (Itália); «Învăţ cu ajutorul limbilor» (Roménia); «Apreni per las lengas» (edição em occitano).  
2012.  «Nós e a Literatura», organização de Luís Barbeiro, Cristina Nobre, Maria José Gamboa e Susana Nunes,  apoio: Culture Program .
2012.  «A literatura para a infância e juventude em Portugal: a obra poética de Afonso Lopes Vieira», edição ESECS - Instituto Politécnico de Leiria.
2013. «Lugar literário. Inventário do espólio da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira», edição ESECS - Instituto Politénico de Leiria.
 
Obras literárias:                                                               
 
1999. «Dia após dia». Poesia.  Edições Magno, Leiria.
2004. «Quem me escolhe um cachorrinho?», ilustrações de Irene Gomes.
2013. «Ano Traz Ano», Poesia. Edição de autor.
2016. «Os livros nos dias». Crónicas e pormenores. Ilustrações de Rita Neto Silva. Edição ESECS - Instituto Politécnico de Leiria.

Tem ainda vários contos breves publicados na imprensa regional.
 
 
Mariana Neves lendo um poema de Afonso Lopes Vieira
O Segredo do Mar
 
A "Flor do Mar" avançando
Navegava, navegava,
Lá para onde se via
O vulto que ela buscava.
 
Era tão grande, tão grande
Que a vida toda tapava.
 
E Bartolomeu erguido
Aos marinheiros bradava
Que ninguém tivesse medo
Do gigante que ali estava.
 
E mais perto agora estão
Do que procurando vão!
 
Batolomeu que viu?
Que descobriu o valente?
- Que o gigante era um penedo
que tinha forma de gente?
 
Que era dantes o mar? Um quarto escuro
Onde os meninos tinham medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
E foi um português que o foi abrir.
 
Afonso Lopes Vieira, in  «Antologia Poética»   
            

Cristina Delgado vai ler um poema de Cristina Nobre
 
Um gesto de ternura


Lentamente
Um estender de mão
Breve e ansioso
 
A inquietação do cigarro
Miopia no olhar atento
 
Tantas coisas que nos escapam
Tanta a natureza que nos asfixia
 
Mortos mortos de ternura
Inquietas, coração nas mãos
Atiramos palavras
Como quem recebe o vento no rosto
 
Inquietos arriscamos a nossa visão
 
Mas nunca
Como hoje
Um gesto de ternura nos deteve
 
À flor da nossa pele
 
Seca de tão pensada
Gasta e humilhada
Pelas amarras da razão
 
Cristina Nobre, in «Dia Após Dia»

 Cristina Barbosa lendo o poema "O nome"
O nome
 
Tenho tudo
o que os outros me dão
 
Um nome cristalino
transparente
e sorridente
onde cada sílaba
deita luz
e distrai a solidão
 
Não meu pai
não podia ter sido
Catarina
os agudos eram ainda
parcos
e a magreza
também contava
 
Leva-me contigo
meu nome
arrasta-me
à verdade profunda
da tua nomeação
 
E faz de mim
final
e exacta
perfeita imagem
do teu sonante
alegre dizer
Cristina Cristina
 
Cristina Nobre, in «Dia Após Dia»
                      
Dinara Tonkikh
Como, por vezes, acontece em Café com livros há uma surpreza reservada para o convidado. Desta vez  foi a jovem violinista russa Dinara Tonkikh, residente em Leiria,  que executou com maestria duas peças clássicas dedicadas a Cristina Nobre.               
 
   
Para concluir esta breve memória de uma proveitosa tarde plena de reflexões, tanto da parte de Cristina Nobre, como da parte de uma assistência bastante interventiva, não podíamos deixar de referir a leitura que ela própria fez do seu poema Instalada
 
Sabias, Afonso, que continuo aqui
instalada, pronta para ti
e as tuas doces revelações
 
Sentada, pois claro, correctamente
à espera de teu dizer
novo
o homem completo que soubeste ser
 
Duvidas, às vezes, de minha persistência
mas quero/te dar todo
total em teus deslizes, críticas, tristezas vorazes
ironia, sarcasmo, sede de destruição
 
Instalada
meu desejo é abanar/te
voltar tua estratégia calma do avesso
largar esse sinistro orgulho de um ideal perdido
e mostrar teu duvidoso ser
cheio dos medos alheios, receoso da fragilidade
de ti mesmo nos outros, esse Portugal cansado
que herdaste
 
Quero devolver/te inteiro
retirar essa capa onde ofuscaste tuas palavras
com que cobriste as oscilações de tuas neurastenias
 
Nem louco, nem santo
Afonso, cavaleiro, quixote das ondas
frei dos búzios amansados
 
Apenas verdadeiro
devolvido
à tua humana dimensão
 
Instalada, correctamente sentada
refaço/te permanentemente
com exactidão
meu poeta Afonso
feito homem entre nós
 
Cristina Nobre, in «Ano Traz Ano»
 
O que é e para que serve a Poesia?  Fiquemos com estas reflexões de Cristina Nobre, in «Os livros nos dias», página 28:
"A poesia é o núcleo imprescindível de uma educação para o sublime."
"A poesia preenche todas as dúvidas, precisamente por não ser uma resposta mas uma abertura para a reflexão e o sublime, uma libertação das amarras criadas pela mente ágil e o corpo são, uma possibilidade de ir além do óbvio de todos os dias."
 
Voltamos a encontrar-nos no próximo mês.
Até lá não recusem
                              um café quente  
                                                    um livro fresco
                                                                         uma ideia nova
 
 
Texto de Rosa Neves e Augusto Mota
Fotos de Rui Pascoal e Augusto Mota
Edição de augusto mota