14/07/2006
14 de Julho de 1789 - Tomada da Bastilha
13/07/2006
A Lei do Palhaço
12/07/2006
11/07/2006
Colho a haste de uma palavra
colho a haste de uma palavra
e planto-a dentro de minha alma,
como um traço firme, intransponível -
A loucura pára,
e o meu coração, apaziguado,
bate em harmonia
com o coração da tarde. António Simões [poemas antigos] inédito.
10/07/2006
Inscrição de Pérgamo
Pois jamais viu Hera Hígia uma tal companheira, na qual a figura,
a inteligência, bem como a descrição do seu porte tanto
06/07/2006
A Administração Bush identifica-se com a justiça divina / Thierry Meyssan
O presidente Bush e eu própria partilhamos a vossa convicção de que a América pode e deve ser uma força do Bem no mndo. O presidente e eu acreditamos que os Estados Unidos devem permanecer empenhados como líderes dos acontecimentos fora das nossas fronteiras. Acreditamos nisso porque somos guiados pelo mesmo princípio duradouro que fez nascer a nossa nação: a dignidade humana não é um dom do governo aos seus cidadãos, nem um dom dos homens a outos homens, é uma graça divina a toda a humanidade.
Vivemos momentos críticos e importantes, momentos teste para a América, mas é o momento em que devemos afirmar porque nos erguemos como nação, e qual o papel que devemos desempenhar no mundo.
É sobre isto que vos quero falar esta manhã.
Na América somos abençoados com uma liberdade extraordinária: a liberdade de nos governarmos a nós próprios e de eleger os nossos líderes; a liberdade de propriedade; a liberdade de educar as nossas crianças, os nossos rapazes e as nossas raparigas; e claro, a liberdade de pensar como quisermos e de celebrar o culto que desejamos. A América representa essas liberdades, mas a América não as possui. Erguemo-nos por ideais que são maiores que nós próprios e percorremos o mundo não para pilhar, mas para proteger; não para subjugar mas para libertar, não como senhores dos outros, mas como servidores da liberdade.
É aqui, minhas senhoras e meus senhores, que se coloca uma escolha para o nosso país e para nós enquanto americanos. Devemos conduzir o mundo ou devemos retroceder? Devemo-nos elevar à altura dos desafios dos nossos tempos ou devemo-nos pôr de lado? A América é um país rico e poderoso, é verdade. Mas, e isto também é importante, somos também uma nação de grande compaixão e consciência, animada por princípios democráticos. Também ao considerar o nosso papel futuro no mundo, devemos reflectir quais são as questões importantes. Devemo-nos perguntar: se não for a América a fazê-lo, quem conduzirá as outras nações à consciência e à defesa internacional da liberdade de religião?
O presidente Bush definiu, claramente, que as melhores relações com os Estados Unidos são reservadas aos governos que respeitam as crenças dos seus povos. Quando se vai a um país, como a China e como eu fiz, e, nos sentamos ao lado dos cristãos chineses, não os podemos ajudar, mas ficamos maravilhados com a sua coragem. Se não for a América a apoiar estas gentes e não importa saber onde é que desejam celebrar o culto, livremente e em paz, então eu pergunto-vos: quem o fará?
Sabem, a liberdade religiosa exige claridade moral. E a mensagem para a América não pode ser mais clara: os governos não têm nenhum direito de se interporem entre os indivíduos e o Todo-o-Poderoso.
Em suma, devemos ter em conta uma outra questão que ultrapassa esta: não deverá ser a América a comandar as nações amantes da liberdade para defendar a liberdade e a democracia no mundo? Quase cinco anos após a tragédia do 11 de Setembro, os Estados Unidos conduzem uma grande coligação de Estados numa guerra global contra o terrorismo. Sempre que é possível, nós fazemos justiça aos terroristas. E se for necessário, nós seremos os justiceiros dos terroristas. Foi a sorte que os nossos militares reservaram ao terrorista Zarqawi. Agora ele não magoará mais ninguém, não matará mais ninguém, não voltará a aterrorizar pessoas inocentes.
Sim, mas não nos devemos limitar a capturar e matar individualmente terroristas, apesar de termo-lo feito. Nós devemos atacar a verdadeira fonte de terror, fazendo, no entanto, aparecer uma visão que ultrapassa as ideologias do ódio. Os Estados Unidos apoiam as aspirações democráticas de todos os povos, qualquer que seja a sua cultura, raça ou religião. Nós não conduzimos a causa da liberdade porque pensamos que os povos livres estarão sempre de acordo connosco. Sabemos que eles não estão. É o seu direito e a América defende esse direito. Fazemo-lo porque acreditamos, e porque vemos que a nossa crença é válida, que as pessoas merecem e desejam viver livremente.
Os comentários de Thierry Meyssan:
Nesta óptica, os Estados Unidos recusam ser os polícias do mundo e os responsáveis por fazer respeitar o direito internacional, porque foram investidos por Deus para serem os seus justiceiros
Não se questionam sobre a base legal que legitimou o bombardeio americano à casa de Zarqawi no Iraque, já que eles não eram senão instrumentos de Deus a aplicar o castigo supremo. E também não se questionam sobre o que a sua exaltação os levará a fazer amanhã.
É tempo dos aliados de Washington se interrogarem sobre a irracionalidade do governo dos Estados Unidos e as suas consequências.
Enviado por Adel Sidarus.
05/07/2006
Há 117 anos, nasceu Jean Cocteau
Jean Cocteau, ( França 1889-1963 ) Há 117 anos,em Maisons-Lafitte, Yvelines, Îles-de-France, nasceu, no dia 5 de Julho, uma das mais controversas e diversificadas figuras da cultura francesa - Jean Cocteau - director de cinema, pintor, escritor, dramaturgo, cenógrafo, actor e escultor. 04/07/2006
De Camões a Pessoa

"De Camões a Pessoa - A Viagem Iniciática" [ Editora Sete Caminhos ], com pinturas e textos de Ellys e poemas de Maria Azenha, é o livro que será apresentado na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 17 de Julho, pelas 18h30.
02/07/2006
01/07/2006
30/06/2006
O primeiro livro impresso em Portugal...
29/06/2006
"El Oro de los Tigres" / Dia Mundial das Bibliotecas
27/06/2006
a curva dos dias
26/06/2006
Caderno do Algoz, dia 8, 12:11
24/06/2006
Ninguém Mais
um pássaro pousou
numa pedra,
num som quase imperceptível de veludo -
Ninguém mais o ouviu em todo o universo
senão minha alma que ouve e sabe tudo. António Simões, inédito in "Poemas Antigos".
22/06/2006
A Cabeça Inventada
Havia touros de lápis-lázuli, cavalos negros, serpentes azuis.
As velas acendiam-se.
Tudo se passava, cerceando os limites, o tempo e a voragem,
a flor negra prenunciando o fio excêntrico do ouro surreal. No oriente, havia sacerdotes sagrando a abundância
e um louco imperador precipitando os eixos de Saturno,
sobre as idades frias da terra. Chamava-se Heliogábalo e reinava sobre a excentricidade.
Penso no seu corpo abstracto,
na sua ruína excêntrica, a cabeça inventada,
as vísceras cosidas topo a topo, sobre a carne timbrada,
coberta de flores surreais, e no seu longo nome:
Varius Auitus Bassianus Marcus Aurelius Elagabalus
sacerdote do deus Baal de Emésia. Era sírio, nascera em 218 d.C., filho de Iulia Soaemias,
manobrava a sua loucura, as vísceras encerradas,
topo a topo, os eixos de Saturno precipitando-se, castrados.
Tinha Marcus Aurelius no seu nome, porque Marco Aurélio foi,
de todos, o mais sábio Imperador e todos os que o seguiram
o quiseram imitar. Quando o frio chegava, o ouro estendia-se,
pelas suas ramagens, trazendo Maio, uma mulher em touro,
um sábio imperador, os touros do Éfeso. O tempo passava, e a hisória coloria-se, na sua intrínseca poesia.
No Éfeso houve poetas, como Calímaco e Hipónax,
médicos como Sorano, Xenófanes
e touros sagrados, sagrando a abundância. Na cabeça inventada, o ouro engolia o frio, os touros sangravam,
como feridas negras;
as águas corriam e o mundo oscilava. Por vezes, um livro é a escuridão suprema, caída pela noite,
mágica e orgiástica.
E os poemas são jóias, pulsos timbrados, pela noite inventada,
a cabeça insegura, sobre a negra voragem. Assim Stefan George construiu Algebal. Maria do Sameiro Barroso, inédito, in "Idades Sonâmbulas".
21/06/2006
Solstício de Verão - 21 de Junho.

A órbita da terra em volta do Sol não é, como sabemos, uma circunferência perfeita, o que faz com que a Terra ora esteja mais próxima, ora mais distante do Sol. O ponto de órbita de um planeta mais próximo do Sol é chamado periélio e o mais distante afélio. À primeira vista, poderíamos pensar que temos Verão no periélio e Inverno no afélio. Isso seria correcto se a diferença entre as distâncias Terra-Sol no periélio e no afélio não fossem tão pequenas ( cerca de 2% ).20/06/2006
Excessos
de fim de tarde -
Excesso
de quem já traz dentro do peito
o universo,
mas sente rebentar-lhe o coração
porque a alma é que não cabe. António Simões, "Poemas Antigos", inédito.
19/06/2006
os tambores da inquisição
14/06/2006
A companhia do poeta: Sidónio Muralha ( Portugal, 1920-1982 )
a seguir rega os pássaros
e enquanto vai regando vai dizendo:
"que bem cantam as minhas papoulas!"
Um dia a Liga das Senhoras mais Bondosas do Mundo
teve um gesto malvado
e ofereceu óculos ao jardineiro míope
que ajustou implacavelmente as imagens
perdeu toda a poesia
e viu tudo de maneira tão clara
que teve a ideia escura de pedir um emprego de funcionário público
enquanto a presidente da Liga
da Liga mais Bondosa
mais bondosa do mundo
subia para o céu
e se sentava à mão direita de Deus Padre
que lhe enfiou uma bofetada divina
que todos nós ouvimos em forma de trovão. Sinónio Muralha ( nasceu em Portugal, morreu no Brasil, em Curitiba )
13/06/2006
118 anos de Fernando Pessoa
10/06/2006
Trevas Rasgadas
- o vinho evaporava-se das suas taças de pedra.
O fogo renascia, as odes delirantes, os cometas de luz.
O silêncio respirava e queimava.
Genuína era a hora de todos os poemas e as horas minúsculas
cresciam, como bagas, tímidas, amarelas. Era sempre assim, a voz e as flâmulas, a água entretecendo as fábulas,
pela urze transfigurada; as trevas rasgadas pela obsessão da luz.
E o tempo florescia, à noite, pelas suas mandíbulas,
que cresciam, como flores carnívoras.
Eu era a noite e um grito, a obsessão de um cântico, distinguindo
a aberrante espuma, o suor das estrelas,
e o meu coração era verde, como um girassol, abrindo as suas teias
desmembradas à névoa dolorosa, pela claridade implacável. Moviam-se as musas lentas ( a lua em caranguejo ),
a loucura dionisíaca abrindo-se, pelos seus archotes sonâmbulos.
- Deus e o Diabo cruzavam-se.
José Régio era o poeta que me iniciava na claridade
de todos os poetas.
Rimavam com ele as águas, vestidas de brocado,
as nuvens, o mundo e as tempestades. Percebia que os seres são poetas escondidos, dando nome
às coisas e poesia aos nomes.
Eu era a extensa harmonia e a criação inexplicável.
Na treva coberta de espuma, Deus sorria, sofrendo, derramando
o seu cântico de lira amarga,
narrando a poesia, evocando o sulfúrico esplendor das vozes
lisérgicas. Contorciam-se as musas aberrantes, a matéria lírica.
Cresciam os lírios, o caos fervilhava,
num emaranhado soturno, numa amêndoa claríssima
- o silêncio voando, como um insecto nocturno
06/06/2006
Poemas Antigos
Escrevo poemas
para me libertar das palavras -
Caminhando de verso em verso,
até exausto cansar-me
e cansá-las,
deixo-as cair depois no chão
como folhas secas
que o vento leva para muito longe
e desfaz no ar. Como a luz de estrelas há muito desaparecidas
debruando os contornos de minha alma,
cintilantes ainda dessa luz primeva,
aqui as deixo
na orla desta página,
dispostas como uma moldura ardente -
E fico a dançar no centro
até que o anel de fogo se vá estreitando
e eu arda na labareda das palavras -
O que aqui vedes negrejar nos caracteres deste poema
são as nossas cinzas -
Ardemos todos no fogo da emoção,
e o que fica é sempre isto:
uns rabiscos negros,
uns riscos,
uns rastos,
uns restos. António Simões, inédito.


















