29/07/2006

6. O lugar onde estamos

Tem de ser tua força a acompanhar-me,
ó palavra que trago escondida
no mais íntimo da minha carne,
esta carne de alma, onde, esquecida,
corre uma criança
vestida do corpo azul do vento
e que vai, sobre colinas ásperas,
à procura do sol que tem lá dentro -
Tens de ser tu a sustê-la:
amarra-a ao chão,
acorda-a num grito,
para que não procure mais além a estrela
que traz no coração -
Debaixo dos seus pés é que nasce o infinito -
Tens de ser tu a acordá-la,
ó palavra secreta
que o Pai me segredou quando nasci.
Tens de ser tu a dizer-lhe
que o lá, o longe, é aqui -
O lugar onde se está é que é a meta.
António Simões [ poemas antigos ], inédito.

28/07/2006

Fotografia de Fernanda Sal Monteiro.

Quid Juris?

Também ao contrário da Agustina Bessa-Luís

( muito ao contrário da Agustina !!!! )

gosto do mar.
do azul do mar.
do mar azul.
e, só deixando vogar minha alma nos meus olhos,
vendo o brilho da luz reflectido nos azuis do mar,
essa minha alma serena.
vem daí a minha tranquilidade,
a minha força,
e então a vida faz sentido.
o mar é perigo,
mas não é insegurança.
é a força, maior do que nós
que nos vence.

( Agustina não admite ser vencida )
( daí a sua insegurança )
( tem medo )

o mar não é efémero.
o mar é eterno
no seu fluxo e refluxo
é sempre o mesmo
e é outro.

( Agustina será/é efémera )
( Agustina é mortal )
( Agustina não é eterna )
( Agustina não gosta do mar )

O mar é MAIOR
eu amo o mar.
a sua luz.
os seus azuis.
o azul límpido da manhã.
o azul estridente
dourado do zénite.
o azul manso do fim da tarde.
o azul noite do seu manto de repouso.

O mar é mais forte do que o homem.
mas eu não o temo.
nem odeio.
Está nele a nossa origem
e a nossa eternidade.

Fernanda Sal Monteiro, viaje até outro inédito.

24/07/2006

Deus-Sol. Deus egípcio ( Kephra )
Imagem retirada da Net.

Corro Vertiginosamente

Corro vertiginosamente, pelos reinos do opaco , a velocidade
ao centro.
Há corais luminosos, peixes estranhos, súbitos odores
e um texto que destila cândidos venenos.
Elejo o mundo, a língua, o tenebroso fluxo.
Sou tudo o que resta de um antigo papiro, pintado nas redes,
um deus pintado no túmulo de Seti I.
Persigo lentas galerias, desvairados violinos,
há raízes incandescentes que me surpreendem.
No meu corpo, há estiletes de bruma.
Pelo mundo coberto de versos marinhos,
há uma rede de peixes efervescentes
e mapas que definem a febre,
as muralhas, uma mulher sentada, sobre um feixe de enigmas.
Acorda-me um som cirúrgico.
Inútil é recordar as manhãs desordenadas.
De súbito, a lua nos olhos, os orifícios nocturnos,
um hausto violento a oprimir as sebes, o coração.
Sou tudo o que se desfaz, pela seda pura.
Amo os campos nocturnos que despenham no azul profundo
das turquesas.
Amo a chuva, com as suas bátegas loucas e os seus sarcófagos
lunares. Corro vertiginosamente, a velocidade ao centro.
Elejo o mundo, a língua, o tenebroso fluxo, os ventrículos
poderosos, as aurículas densas.
Penso nas múmias, no abdómen, coberto de panos impregnados
de resinas quentes,
nas facas de silex, leves como plumas, na cerimónia do espírito
revivendo, pela abertura da boca, anunciando o ankh
( símbolo de vida ),
e o sonho que repousa, como um escaravelho antigo,
originariamente colocado
sobre o coração
Maria do Sameiro Barroso, inédito, in "Idades Sonâmbulas".

21/07/2006

Legenda Íntima 118. Augusto Mota.

5. Vou acordar

Vou acordar -
Com um grito, estilhaço meu casulo de pedra
e saio, vulcânico,
das entranhas da terra mais profunda -
Vou acordar -
trespassar esta folha, este livro,
e todos os livros do universo -
Para provar a mim próprio e aos outros
que estou vivo,
basta-me escrever um poema verso a verso.
António Simões, [ poemas antigos ], inédito.

19/07/2006

Fotografia de Augusto Mota.

A Caneta Azul ( conto )

A caneta azul ansiava, mais que nunca, pela chegada do fim do Verão. Tornara-se insuportável a transpiração daquela mão gorda que a apertava e forçava contra os papéis, desbotando-a para escrever ninharias. É certo que há canetas com vidas muito distintas e afortunadas. Chegando algumas, inclusive, a escever versos que perduram; poemas admiráveis. Que mesmo não sendo muito elegantes nem finos do ponto de vista estético, são eficazes. Infelizmente, não era este o caso.
Naquelas latitudes, o Verão era longo e desidratante. A economia da região despontava com a chegada dos numerosos turistas vindos do exterior. Assim, adições, multiplicações e subtracções, normas contabilísticas, assinaturas de cheques e ordens de pagamento a fornecedores, ocupavam a maior parte da sua existência.
Durante os seis meses que durava a estação balnear, a caneta ficava deitada no aparador ao lado da secretária quase todo o dia sem fazer nada. Para depois das onze da noite, naquela sala estreita e mal iluminada, desatar metamáticas para o papel com vista aos lucros da odorífera mão transpirada que a submetia às suas ordens.
Não sabia onde nascera, nem se recordava do local onde tinha sido adquirida. Lembrava-se muito bem, isso sim, das suas primeiras palavras: Secretária: 362.
Para quem almejava um dia escrever um romance, ou mesmo um pequeno conto, anotar apenas, para além de números cíclicos, dia sim, dia não, recados de supermercado como: cem gramas de fiambre, pensos higiénicos, iogurtes naturais, cotonetes, cervejas e algumas cebolas - era manifestamente pouco e redutor.
Por isso a caneta desesperava. Chegou mesmo a desejar em certas horas de intolerável angústia que a sua tinta se esgotasse antes do tempo. Ou que alguém mal-intencionado - porque sempre os há -assaltasse o escritório e, num reflexo inato, a levasse sem querer, juntamente com os lucros que se encontravam no cofre fixado na parede, sessenta centímetros acima da sua tampa.
Mas nada disto aconteceu. Findou o Verão e veio o Outono; depois o Inverno, a Primavera e novamente o Verão. O seu sortilégio continuou, bem como a mão inchada que lhe coube. Com o decorrer dos anos, lentamente, como a árvore que envelhece, a caneta deixou de acreditar e sonhar que algum dia seria capaz de escrever um texto minimamente ambicioso. Também os números e as equações, a pouco e pouco, começaram a rarear. Em períodos de longo celibato chegou mesmo a desejá-los escrever ardentemente como se de versos se tratassem: poesia numérica.
Uma manhã, uma mão estrangeira pegou-lhe. Já há muito tempo que a caneta não era usada, nem para números nem para costeletas de porco. A tinta - ou o que ainda restava dela - praticamente secara na sua totalidade. Mas esta mão nova que lhe pegava, elegante e ágil, era obstinada. E depois de premir, de arranhar com força, várias vezes, a sua boca contra a superfície lisa da folha, uma réstia de sangue azul que lhe sobrava, pingou, e ela pode então, finalmente, escrever um texto digno desse nome:
"Faleceu Tomás W.
Sua esposa, filhos, genros e demais família cumprem o doloroso dever de participar o seu falecimento, e que o funeral se realiza amanhã, sábado, pelas 11 horas, no cemitério grande desta cidade"
Sandro W. Junqueiro, inédito.

17/07/2006

Fotografia de Augusto Mota.

16/07/2006

Os massacres no Líbano continuam...

15 July 2006
Marwaheen Massacre Today: re-run of Mansoureh & Qana Massacres of 1996
The number of dead in this new massacre today in Marwaheen is 23 dead 9 of them children. Their vehicles were on the road. Going away from their village. Seeking refuge in another city after the UN refused to shelter them. It is Qana and Mansoureh of 1996 all over again. Massacres by IOF ( Israel Offensive Forces ). In Mansoureh parents sent their children in ambulances thinking that the "moral" IOF will not target them. Well they are wrong. In Qana, well we all know what happened. Don't we?
enviado por Adel Sidarus [ in http://urshalim.blogspot.com ]

15/07/2006

Gustave Klimt.

14/07/2006

zig-zag zag-zig

Também a 14 de Julho, mas de 1862, nasceu em Baumgarten, perto de Viena, Áustria, Gustave Klimt, pintor, líder do movimento secessionista local.
Klimt foi quem melhor inseriu a beleza feminina no meio artístico, criando o conceito de que o mundo tem uma aparência feminina.
Pintou, seguindo uma estética erótico-hedonista.
Faleceu em 1918.

14 de Julho de 1789 - Tomada da Bastilha

Delacroix - La Liberté guidant le Peuple
Liberdade
Nos meus cadernos de escola
no banco dela e nas árvores
e na areia e na neve
escrevo o teu nome
Em todas as folhas lidas
nas folhas todas em branco
pedra sangue papel cinza
escrevo o teu nome
Nas imagens todas de ouro
e nas armas dos guerreiros
nas coroas dos monarcas
escrevo o teu nome
Nas selvas e nos desertos
nos ninhos e nas giestas
no eco da minha infância
escrevo o teu nome
Nas maravilhas das noites
no pão branco das manhãs
nas estações namoradas
escrevo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
no charco sol bolorento
no lago da lua viva
escrevo o teu nome
Nos campos e no horizonte
nas asas dos passarinhos
e no moinho das sombras
escrevo o teu nome
No bafejar das auroras
no oceano dos navios
e na montanha demente
escrevo o teu nome
Na espuma fina das nuvens
no suor do temporal
na chuva espessa apagada
escrevo o teu nome
Nas formas mais cintilantes
nos sinos todos das cores
na verdade do que é físico
escrevo o teu nome
Nos caminhos despertados
nas estradas desdobradas
nas praças que se transbordam
escrevo o teu nome
No candeeiro que se acende
no candeeiro que se apaga
nas minhas casas bem juntas
escrevo o teu nome
No fruto cortado em dois
do meu espelho e do meu quarto
na cama concha vazia
escrevo o teu nome
No meu cão guloso e terno
nas suas orelhas tesas
na sua pata desastrada
escrevo o teu nome
No trampolim desta porta
nos objectos familiares
na onda do lume bento
escrevo o teu nome
Na carne toda rendida
na fronte dos meus amigos
em cada mão que se estende
escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
nos lábios todos atentos
muito acima do silêncio
escrevo o teu nome
Nos refúgios destruídos
nos meus faróis arruinados
nas paredes do meu tédio
escrevo o teu nome
Na ausência sem desejos
na desnuda solidão
nos degraus mesmos da morte
escrevo o teu nome
Na saúde rediviva
aos riscos desaparecidos
no esperar sem saudade
escrevo o teu nome
Pelo poder duma palavra
recomeço a minha vida
nasci para conhecer-te
nomear-te
liberdade
Paul Eluard.
Trad. Jorge de Sena
Fotografia de Augusto Mota.

13/07/2006

A Lei do Palhaço

Carta aberta do Prof. Sílvio Camerino P. Barreto.
Solar Camerino - Recife - Pernambuco
"Conta certa história que, numa determinada cidade, apareceu um circo. Entre os seus artistas havia um palhaço com um poder de divertir, sem medida, as pessoas da platéia. O riso que provocava era tão bom, tão profundo e natural que se tornava terapêutico. Todos os que padeciam de tristezas agudas ou crônicas passaram a ser indicados pelo médico do lugar para assistirem ao tal artista, que ele mesmo tinha visto atuar e que possuia o dom de fazer reduzir ou até mesmo eliminar angústias.
Um dia, porém, um morador desconhecido, tomado de profunda depressão, procurou o médico. Este, sem relutar, indicou o circo como o lugar de cura de todos os males daquela natureza, de abrandamento de dores da alma, de iluminação de todos os cantos escuros de um "jeito perdido" de ser, de tristezas com ou sem causa. O homem nada disse, levantou-se, caminhou em direcção à porta e quando já estava saindo, virou-se, olhou o médico nos olhos e sentenciou:
"Não posso procurar o circo... aí está o meu problema: eu sou o palhaço!"
Como professor vejo que, muitas vezes, sou esse palhaço, alguém que trabalhou para construir os outros e não vê resultado muito claro daquilo que fez e faz. Tenho a impressão que ensino no vazio ( e sei que não estou só nesse sentimento ) porque depois de formados, meus ex-alunos parecem se acostumar rapidamente com aquele mundo de iniqüidades que combatíamos. Parece que quando meus meninos e meninas caem no mercado de trabalho, a única coisa que vale é quanto cada um vai lucrar, não importando quem vai pagar essa conta e nem se alguém vai ser lesado nesse processo. Aprenderam rindo, mas não querem passar o riso à frente e nem se comovem com o choro alheio.
Digo isso, até em tom de desabafo, porque vejo que cada dia mais meus alunos se gabam de desonestidades. Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários, idiotas ou excluídos.
É uma total inversão de virtudes, de conceitos.
A honestidade não precisa de propaganda, nem de homenagens, precisa de exemplos.
Quem plantar joio, jamais colherá trigo.
Quando reflexões assim são feitas, cada um de nós se sente o palhaço perdido no palco das ilusões. A gente se sente vendendo o que não pode viver, não porque não mereça, mas porque não há ambiente para isso. Quando seria de se esperar uma vaia colectiva pelo tombo, pelo golpe dado na decência, na coerência, na credibilidade, no senso de respeito, vemos a população em coro delirante gritando "bis" e, como todos sabemos, um bis não se despreza. Então, uma pirueta, duas piruetas, bravo! bravo! E vamos todos rindo e afinando o coro do "se eu livrar a minha cara, o resto que se dane".
Enquanto isso o Brasil, tantos heróis e heroinas, anônimos ou não, mas que diminuíram a dor deste país com a sua obra, levanta-se, caminha em silêncio até à porta, vira-se e diz:
"Esse é o problema... eu sou o palhaço".
Ninguém tem a felicidade garantida. A vida simplesmente dá a cada pessoa tempo e espaço. Depende de você enchê-los de alegria. ( S. Brown )
Enviado por Marcos Cesaretti.

12/07/2006

Fotografia de Augusto Mota.

11/07/2006

Colho a haste de uma palavra

Sigo pela margem do poema,
colho a haste de uma palavra
e planto-a dentro de minha alma,
como um traço firme, intransponível -
A loucura pára,
e o meu coração, apaziguado,
bate em harmonia
com o coração da tarde.
António Simões [poemas antigos] inédito.
Fotografia de Augusto Mota.

10/07/2006

Inscrição de Pérgamo

"Saúda-te, Panteia, minha mulher, o marido que
após a tua partida
pela morte destruidora, pesado luto abriga.
Pois jamais viu Hera Hígia uma tal companheira, na qual a figura,
a inteligência, bem como a descrição do seu porte tanto
se assemelhassem.
Foste aquela que me deu os filhos, todos a mim semelhantes.
Cuidaste do teu marido, cuidaste dos teus filhos.
Foste tu, sem dúvida, quem conduziu o leme da vida, em casa,
também contribuíste para engrandecer a fama da medicina,
e distinguiste-te pois, embora sendo mulher, atrás de mim
não ficaste em capacidade.
Por isso, Glícon, o teu marido, mandou erguer este monumento;
também alberga Filadelfo, o imortal,
e aqui
eu próprio repousarei, um dia, quando a vida me deixar.
Tal como, somente contigo, cumprindo os ditames do destino,
o leito conjugal partilharei,
que a terra do sepulcro nos cubra também com o mesmo manto."
( Tradução, a partir da versão alemã, de Maria do Sameiro Barroso ).

08/07/2006

Fotografia de Augusto Mota. Lagarta.

06/07/2006

A Administração Bush identifica-se com a justiça divina / Thierry Meyssan

George W. Bush, a título privado, e a Secretária de Estado, Condoleezza Rice, a título oficial, participaram na convenção anual dos Baptistas do Sul. Explicaram a 18 mil "mensageiros de Deus" como governam para propagar a justiça divina sobre a Terra na iminência do Fim dos Tempos.
O discurso de Condoleezza Rice

O presidente Bush e eu própria partilhamos a vossa convicção de que a América pode e deve ser uma força do Bem no mndo. O presidente e eu acreditamos que os Estados Unidos devem permanecer empenhados como líderes dos acontecimentos fora das nossas fronteiras. Acreditamos nisso porque somos guiados pelo mesmo princípio duradouro que fez nascer a nossa nação: a dignidade humana não é um dom do governo aos seus cidadãos, nem um dom dos homens a outos homens, é uma graça divina a toda a humanidade.

Vivemos momentos críticos e importantes, momentos teste para a América, mas é o momento em que devemos afirmar porque nos erguemos como nação, e qual o papel que devemos desempenhar no mundo.

É sobre isto que vos quero falar esta manhã.

Na América somos abençoados com uma liberdade extraordinária: a liberdade de nos governarmos a nós próprios e de eleger os nossos líderes; a liberdade de propriedade; a liberdade de educar as nossas crianças, os nossos rapazes e as nossas raparigas; e claro, a liberdade de pensar como quisermos e de celebrar o culto que desejamos. A América representa essas liberdades, mas a América não as possui. Erguemo-nos por ideais que são maiores que nós próprios e percorremos o mundo não para pilhar, mas para proteger; não para subjugar mas para libertar, não como senhores dos outros, mas como servidores da liberdade.

É aqui, minhas senhoras e meus senhores, que se coloca uma escolha para o nosso país e para nós enquanto americanos. Devemos conduzir o mundo ou devemos retroceder? Devemo-nos elevar à altura dos desafios dos nossos tempos ou devemo-nos pôr de lado? A América é um país rico e poderoso, é verdade. Mas, e isto também é importante, somos também uma nação de grande compaixão e consciência, animada por princípios democráticos. Também ao considerar o nosso papel futuro no mundo, devemos reflectir quais são as questões importantes. Devemo-nos perguntar: se não for a América a fazê-lo, quem conduzirá as outras nações à consciência e à defesa internacional da liberdade de religião?

O presidente Bush definiu, claramente, que as melhores relações com os Estados Unidos são reservadas aos governos que respeitam as crenças dos seus povos. Quando se vai a um país, como a China e como eu fiz, e, nos sentamos ao lado dos cristãos chineses, não os podemos ajudar, mas ficamos maravilhados com a sua coragem. Se não for a América a apoiar estas gentes e não importa saber onde é que desejam celebrar o culto, livremente e em paz, então eu pergunto-vos: quem o fará?

Sabem, a liberdade religiosa exige claridade moral. E a mensagem para a América não pode ser mais clara: os governos não têm nenhum direito de se interporem entre os indivíduos e o Todo-o-Poderoso.

Em suma, devemos ter em conta uma outra questão que ultrapassa esta: não deverá ser a América a comandar as nações amantes da liberdade para defendar a liberdade e a democracia no mundo? Quase cinco anos após a tragédia do 11 de Setembro, os Estados Unidos conduzem uma grande coligação de Estados numa guerra global contra o terrorismo. Sempre que é possível, nós fazemos justiça aos terroristas. E se for necessário, nós seremos os justiceiros dos terroristas. Foi a sorte que os nossos militares reservaram ao terrorista Zarqawi. Agora ele não magoará mais ninguém, não matará mais ninguém, não voltará a aterrorizar pessoas inocentes.

Sim, mas não nos devemos limitar a capturar e matar individualmente terroristas, apesar de termo-lo feito. Nós devemos atacar a verdadeira fonte de terror, fazendo, no entanto, aparecer uma visão que ultrapassa as ideologias do ódio. Os Estados Unidos apoiam as aspirações democráticas de todos os povos, qualquer que seja a sua cultura, raça ou religião. Nós não conduzimos a causa da liberdade porque pensamos que os povos livres estarão sempre de acordo connosco. Sabemos que eles não estão. É o seu direito e a América defende esse direito. Fazemo-lo porque acreditamos, e porque vemos que a nossa crença é válida, que as pessoas merecem e desejam viver livremente.

Os comentários de Thierry Meyssan:

Nesta óptica, os Estados Unidos recusam ser os polícias do mundo e os responsáveis por fazer respeitar o direito internacional, porque foram investidos por Deus para serem os seus justiceiros

Não se questionam sobre a base legal que legitimou o bombardeio americano à casa de Zarqawi no Iraque, já que eles não eram senão instrumentos de Deus a aplicar o castigo supremo. E também não se questionam sobre o que a sua exaltação os levará a fazer amanhã.

É tempo dos aliados de Washington se interrogarem sobre a irracionalidade do governo dos Estados Unidos e as suas consequências.

Enviado por Adel Sidarus.

05/07/2006

Ortigosa / Leiria / Flores de Augusto Mota



flores de um jardineiro-filósofo, Augusto Mota, de seu nome...

Há 117 anos, nasceu Jean Cocteau

Jean Cocteau, ( França 1889-1963 )
Há 117 anos,em Maisons-Lafitte, Yvelines, Îles-de-France, nasceu, no dia 5 de Julho, uma das mais controversas e diversificadas figuras da cultura francesa - Jean Cocteau - director de cinema, pintor, escritor, dramaturgo, cenógrafo, actor e escultor.
Homossexual assumido, manteve uma estreita amizade com Genet e Edith Piaff.
Foi eleito membro da Academis Francesa em 1955.
Faleceu a 11 de Outubro de 1963.
"O meu sangue transformou-se em tinta. Era preciso impedir a todo o custo essa nojeira. Estou envenenado até aos ossos. Cantava no escuro, e agora é o canto o que me mete medo. Mais ainda: estou leproso. Sabem daquelas manchas de humidade que parecem um perfil? Não sei que encanto da lepra engana o mundo e o autoriza a beijar-me. Pior para ele! As consequências não me dizem respeito. Nunca exibi senão chagas. Fala-se de graciosa fantasia. A culpa é minha. É loucura alguém exibir-se inutilmente. A minha desordem empilha-se até ao céu. Os que eu amei existiam pendurados do céu por um elástico. Voltasse eu a cabeça e já lá não estavam.
De manhã, debruço-me, debruço-me, e deixo-me cair. Caio de fadiga, de dor, de sono. Sou inculto, nulo. Não sei um número, uma data, um nome de rio, uma língua, viva ou morta. Tenho zero em geografia e em história. Se não fossem uns passes de mágica, corriam comigo. Além do mais, roubei os documentos a um tal JC, nascido em M.L, no dia ......, e que morreu com dezoito anos, depois de uma brilhante carreira poética.
Esta cabeleira, este sistema nervoso, mal implantados, esta França, esta terra, não me pertencem. Dão-me agonias. Sempre os dispo à noite, em sonhos. Pois aqui largo o pacote. Que me fechem num hospício, que me linchem. Quem puder que entenda. Eu sou uma mentira que diz sempre a verdade."
Jean Cocteau - in "O Pacote Vermelho",
enviado por Amélia Pais

04/07/2006

De Camões a Pessoa


"De Camões a Pessoa - A Viagem Iniciática" [ Editora Sete Caminhos ], com pinturas e textos de Ellys e poemas de Maria Azenha, é o livro que será apresentado na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 17 de Julho, pelas 18h30.
Sobre o mesmo, escreve Luciano Reis, na contracapa - "... é uma obra que nos proporciona podermos fruir da respiração vibrátil de dois mestres da literatura portuguesa. Por isso a sua dimensão vai para além daquilo que está escrito."
A sessão contará com a leitura de poemas a cargo de Paulo Anes, também ele poeta vd
in MUNDO PESSOA//O blogue da Casa Fernando Pessoa com notícias de poesia e literatura.
CASA FERNANDO PESSOA
Rua Coelho da Rocha, 16-18 Campo de Ourique
1250-088 Lisboa
tel. 213913270 / 213913277
"Na Iniciação por meio de Symbolos,
a explicação dada não é falsa,
mas não é verdadeira."
in Rosea Cruz, Fernando Pessoa
( by maat ).

02/07/2006

Sign the petition

Sign the petition against nuclear power in Europe

01/07/2006

Pentateuco judaico vd

30/06/2006

O primeiro livro impresso em Portugal...

Comemoram-se, hoje, dia 30 de Junho, os 519 anos do primeiro livro impresso em Portugal, o Pentateuco judaico, editado em hebraico, e saído de uma oficina de Faro, propriedade do judeu Samuel Gacon.
O livro terá sido impresso numa oficina que existiu na hoje chamada vila-a-dentro, propriedade de Samuel Gacon ou Samuel Porteiro.
Muito embora não tenha sido editado em português - o que vem a verificar-se com o "Tratado de Confissom", impresso em caracteres góticos e terminado em Chaves a 8 de Agosto de 1489 - a edição do "Pentateuco" é, sem dúvida, um marco importante da cultura portuguesa e algarvia do Renascimento.
Há anos, o Governo Civil de Faro fez uma edição fac-similada da "Tora", com tradução portuguesa. O original, levado quando do saque à cidade de Faro e ao Algarve, pelos Ingleses, no séc. XVI, encontra-se no Museu Britânico, em Londres.

29/06/2006

Fotografia de Tiago Varão.

"El Oro de los Tigres" / Dia Mundial das Bibliotecas

Lo invita a participar con Manuel Lozano del programa
"EL ORO DE LOS TIGRES"
-Para un panorama de la cultura actual -
( Jueves 29 de junio - 20 hs. GMT )
Cultura es el oro de los tigres que comunica un mundo: nuestro mundo. Cultura es el oro de los tigres en el cuerpo verdadero de lo humano. Cultura es el oro de los tigres que nos sobrevive.
- Manuel Lozano.
"El Oro de Los Tigres" recupera un territorio donde los creadores de productos y servivios culturales y el público que necesita estar informado o ser escuchado en relácion con sus preferencias, hallan un espacio imprescindible, poco recorrido actualmente en los medios de comunicación. Las instituciones ( empresas de lo cultural, ONG's, fundaciones ), las creaciones tanto individuales como grupales son difundidas, dentro de un entorno de música de alta calidad ( jazz, clássica, contemporánea ), preferentemente con formaciones y artistas de Argentina y del Mundo.
El escritor Manuel Lozano, en las secciones "Conversaciones con...", "Preludio" y "Didascalia Negra", le abre la puerta a esta fiesta que se ha dado en llamar - El Oro de los Tigres".

28/06/2006

Legenda Íntima 112. Augusto Mota.

27/06/2006

a curva dos dias

para o Rodrigo Freitas
Enquanto o sol aquecia o vento que agitava as heras do muro velho revimos os enxertos do ano passado e aliviámos-lhes as cicatrizes das feridas forçadas. A operação de enxertia apanhou a Lua de feição e a cura, agora, está em franco progresso. Em breve teremos frutos robustecidos pelo cruzamento celular de ambos os sexos e, então, à sombra de uma frondosa pérgola de quivis ( Actinidia chinensis ) hermafroditas, haveremos de beber do melhor vinho e comer do melhor presunto com um bom naco de pão alentejano. Depois dormiremos uma sesta reparadora e sonharemos com os sonhos antigos desfeitos pelo presente. E sonharemos com o presente que ainda não foi desfeito pelos pesadelos do passado.
O pão, o vinho e os frutos do estio alimentarão as enxertias da nossa memória de ontem com as desilusões de hoje e, assim, redimiremos as mãos que tanto trabalharam as ideias que nos enchiam a cabeça e as conversas silenciosas à mesa do café, ou pelas vielas solitárias da noite. Os traços e as cores que incendiavam os papéis diziam mais do que as palavras que nunca dissemos. E os jornais que multiplicavam a arquitectura das nossas cidades sitiadas eram o linitivo para o arrastar húmido e cinzento dos dias. Por isso inventámos metáforas de cidades e de mulheres. Por isso povoámos as praças de anseios e as torres da barbacã de atentos vigilantes do nosso absurdo. E sobre essas cidades do passado fizemos pairar poetas e pombas, que levavam longe as mensagens secretas da vitória.
Hoje a vitória é outra, mas vive ainda presa às ideias que germinam nas mãos que enxertam as palavras com novos significados. Ou que enxertam nas árvores os frutos da nossa experiência para, um dia, saborearmos tudo - os novos significados e os novos frutos - à mesa do tempo, debaixo de uma pérgola permanentemente em flor, enquanto o sol aquece o vento e agita as heras do muro velho do pátio da nossa vida.
A vida, como a casa, resume-se, afinal, a um pátio onde aquecemos os pés ao sol das recordações, abrigados do vento e a imaginar, com saudade, a sombra das árvores a ultrapassar o círculo que os nossos gestos foram traçando no chão, até fecharem a curva dos dias que ainda nos pertencem.
Augusto Mota, inédito, in "Geografia do Prazer", 2000.
Fotografia de Augusto Mota. Flor sem nome.

26/06/2006

Caderno do Algoz, dia 8, 12:11

Hoje acordei ainda não era manhã. Através da janela do quarto, com os olhos raiados pela insónia, vi morrer a noite.
Sinto-me cansado.
O meu corpo pesa-me como o corpo de um velho. Pois desde que recebi a ordem, nunca mais o meu sono teve a profundidade a que estava habituado.
Levanto-me e não tenho fome. Cambaleio de tonturas. Tenho que tentar beber um copo de leite que não consigo. Ajoelho-me e vomito. As minhas estranhas entranhas dobram-se numa poesia de orgãos: intestinos, baço, pâncreas, estômago, fígado, vesícula, esófago, traqueia. Um jacto acre e ácido é projectado da minha boca: restos de frango misturados com bróculos e vinho e whisky.
Afinal o que detém importância?
Se a carne gera a carne. A violência. O apego. O sofrimento.
Há coisas tão evidentes que não encontro palavras.
Reparo na fruteira postada em cima da bancada. Um par de laranjas - cansadas de terem amadurecido - ganharam desde ontem na casca uma penugem de cinza. Uma pele gasta e pútrida pelo ar. O peixe dá voltas e mais voltas. Tudo fenece à minha volta. Lavo a boca, os olhos e os sovacos. Desfaço a barba. Guardo no fundo do saco a farda engomada e antes de fechar a porta pouso os olhos na tua fotografia. Tu sorris. Desço rapidamente as escadas enquanto acendo um cigarro que me provoca uma tontura embebida em náusea. Quando chego cá fora o dia está insípido: nem quente, nem frio, nem vento. Apenas umas nuvens espapaçadas se levantam do horizonte como um bando de pássaros tristes. Lembro-me de imediato das chuvas longas, e das trovoadas, que o Inverno já entretanto abandonado, levou consigo. Ao menos a chuva, penso, enquanto deambulo pela cidade, sem rumo, à espera que a vida de súbito pare, e o meu destino não seja cumprido.
Paro no jardim. Sento-me num dos seus bancos verdes, mais antigos. Ouço os melros assobiarem suspensos nos ramos. Vejo num dos canteiros à minha esquerda, sobre a relva fulgente, uma cadela encarquilhada sobre si, numa pose esteticamente reprovável, a estremecer sofregamente, a fazer força para que a merda a abandone. Com o barulho das patas a esgravatar a terra húmida. Com as flores pardacentas que despontam dos canteiros. Com os ramos altos dos olmos como halos desprendidos das almas. Com os passos. Sempre os mesmos passos. As mesmas pedras. Sempre as mesmas pedras pisadas dez mil vezes pelos mesmos passos. Dez mil passos. Dez mil vezes. Dez mil pedras. Dez mil ruas. O alcatrão. O sol como uma tangerina em chamas. As beatas dos cigarros mortos. As cinzas acordadas pela calçada. Os pátios vazios de pombos e jogos. Pelos meninos que um dia fomos, que queriam crescer à força, pelos meninos que já não são. E as gruas. As máquinas amarelas. O cimento. O vermelho. O betão armado. As casas. Os santos. A igreja. Os altares. Os talhantes. As floristas. Os cafés. As mesas cheias de aguardente às nove e meia. Os homens vivos. Os homens mortos. Os homens vivos com cara de mortos. Os transeuntes. Os benfeitores. Os rotinados. Os ignotos. Os nauseados. Os pestilentos. E nas faces o rumor do triste, os braços de desânimo paralelos ao tronco. O saco a tiracolo que aos poucos se torna um fardo. A merda da cadela já arrefecida, um torcido duro, uma porcelana de barro, plena de arquitectura em cima da relva. Grito. Levanto-me. Fujo. Corro. Entro no café. À procura de distracção? Talvez da fome ou do esquecimento. Fumo um e outro cigarro.
Choro convulsivamente.
Peço a conta.
Penso no oco dos dias.
Sandro William Junqueiro, inédito, in "Cadernos do Algoz".

24/06/2006

Vinheta Ecológica.
Augusto Mota. 1981

Ninguém Mais

Numa galáxia distante,
um pássaro pousou
numa pedra,
num som quase imperceptível de veludo -
Ninguém mais o ouviu em todo o universo
senão minha alma que ouve e sabe tudo.
António Simões, inédito in "Poemas Antigos".

23/06/2006

Legenda Íntima 110. Augusto Mota.

22/06/2006

A Cabeça Inventada

Alargavam-se os versos e as rimas, pelas ruinas nocturnas.
Havia touros de lápis-lázuli, cavalos negros, serpentes azuis.
As velas acendiam-se.
Tudo se passava, cerceando os limites, o tempo e a voragem,
a flor negra prenunciando o fio excêntrico do ouro surreal.
No oriente, havia sacerdotes sagrando a abundância
e um louco imperador precipitando os eixos de Saturno,
sobre as idades frias da terra.
Chamava-se Heliogábalo e reinava sobre a excentricidade.
Penso no seu corpo abstracto,
na sua ruína excêntrica, a cabeça inventada,
as vísceras cosidas topo a topo, sobre a carne timbrada,
coberta de flores surreais, e no seu longo nome:
Varius Auitus Bassianus Marcus Aurelius Elagabalus
sacerdote do deus Baal de Emésia.
Era sírio, nascera em 218 d.C., filho de Iulia Soaemias,
manobrava a sua loucura, as vísceras encerradas,
topo a topo, os eixos de Saturno precipitando-se, castrados.
Tinha Marcus Aurelius no seu nome, porque Marco Aurélio foi,
de todos, o mais sábio Imperador e todos os que o seguiram
o quiseram imitar.
Quando o frio chegava, o ouro estendia-se,
pelas suas ramagens, trazendo Maio, uma mulher em touro,
um sábio imperador, os touros do Éfeso.
O tempo passava, e a hisória coloria-se, na sua intrínseca poesia.
No Éfeso houve poetas, como Calímaco e Hipónax,
médicos como Sorano, Xenófanes
e touros sagrados, sagrando a abundância.
Na cabeça inventada, o ouro engolia o frio, os touros sangravam,
como feridas negras;
as águas corriam e o mundo oscilava.
Por vezes, um livro é a escuridão suprema, caída pela noite,
mágica e orgiástica.
E os poemas são jóias, pulsos timbrados, pela noite inventada,
a cabeça insegura, sobre a negra voragem.
Assim Stefan George construiu Algebal.
Maria do Sameiro Barroso, inédito, in "Idades Sonâmbulas".

21/06/2006

Solstício de Verão - 21 de Junho.


A órbita da terra em volta do Sol não é, como sabemos, uma circunferência perfeita, o que faz com que a Terra ora esteja mais próxima, ora mais distante do Sol. O ponto de órbita de um planeta mais próximo do Sol é chamado periélio e o mais distante afélio. À primeira vista, poderíamos pensar que temos Verão no periélio e Inverno no afélio. Isso seria correcto se a diferença entre as distâncias Terra-Sol no periélio e no afélio não fossem tão pequenas ( cerca de 2% ).
A Terra passa pelo seu periélio no início de Janeiro, quando é Inverno no hemisfério norte e Verão no sul, e passa pelo seu afélio em Julho, quando é Verão no hemisfério norte e Inverno no sul.
Mas porque terão as estações os seus inícios nos solstícios e nos equinócios, em vez de estarem centradas em Janeiro e Julho?
Cada hemisfério recebe maior incidência solar no solstício de Verão - não deveria esse dia ser o mais quente do ano e corresponder ao meio do Verão? Da mesma forma, uma vez que é no solstício de Inverno que um hemisfério recebe menor incidência solar, não era para esse dia ser o mais frio do ano e ficar no meio do Inverno? O que observamos, no entanto, é que o dia mais quente do ano acontece depois do solstício de Verão, assim como o dia mais frio acontece depois do solstício de Inverno.
Mesmo assim convencionou-se corresponder os inícios das estações aos solstícios e equinócios. O desajuste dos dias mais quente e mais frio é devido a um fenómeno chamado "inércia térmica".
Os hemisférios demoram algum tempo a aquecer pelo aumento da incidência solar, assim como demoram algum tempo a esfriar, quando diminui essa incidência. Esta inércia é devida, principalmente, à grande quantidade de água espalhada pela superfície da Terra. A água tem uma enorme "capacidade térmica", "demorando" para variar a sua temperatura. No solstício de Verão, os oceanos ainda estão "a absorver calor" e a aquecer, enquanto, no solstício de Inverno retêm uma boa parte do calor absorvido durante o Verão.
"Solstícios, Equinócios, Afélio e Periélio", in pt.wikipedia.org/wiki/solstício.

20/06/2006

Excessos

Excessiva, esta emoção
de fim de tarde -
Excesso
de quem já traz dentro do peito
o universo,
mas sente rebentar-lhe o coração
porque a alma é que não cabe.
António Simões, "Poemas Antigos", inédito.