
... M. Gomes da Torre ,atrasado ,fechou o ciclo
onde o universo é uma metonímia de figuras azuis.

António Simões não lhe fica atrás
Gabriela Rocha Martins segue o desafio
e a Fernanda Sal Monteiro finaliza.o
( asseguro.vos que tentei introduzir os fotopoemas pela sua ordem natural ,só que o blogger publicou.os como muito bem entendeu .desculpem a arbitrariedade do post ... nem sempre os autores decidem ... )
e, ... sabem quem foi o autor do desafio e da fotografia?
claro ,só podia! Augusto Mota ,o jardineiro/filósofo.
Antes que sobre ele inicie sua descida,
a ela, que vem ainda cheia de energia da viagem,
vou desviá-la, para que me leve
para o outro lado da folha -
e, levando-me em seus braços,
desça, sem rumor,
sobre a nudez da nova página,
e me deixe ficar para sempre
no poema que nunca escreverei
António Simões escreveu
Augusto Mota fotografou e compôs

Da mais alta janela da minha casa
com um lenço branco digo adeus
aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
porque não posso fazer o contrário
como a flor não pode esconder a cor,
nem o rio esconder que corre,
nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência
e eu sem querer sinto pena
como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide, de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
de 1919 ,nasceu no Porto
Sophia de Mello Breyner Andersen

Augusto Mota compôs
Gabriela Rocha Martins escreveu
o teu passado -distância
o meu presente -futuro
o jardim
o sol
o muro
o mar
hoje regressas
Olympia
ao teu lugar
( homenagem a Sophia de Mello Breyner Andersen ,Julho de 2004 )
Je veux dédier ce poèmeA celle qu'on voit apparaître
A la compagne de voyage
A celles qui sont déjà prises
Chères images aperçues
Mais si l'on a manqué sa vie
Alors, aux soirs de lassitude

" Metropolis", de Fritz Lang, 1927.