25/04/2007

a alguns amigos, hoje



Despontou um raio ténue
por entre os castelos brancos
de bruma e
embargou-o a suspeita
de ter sido o tempo de
incredulidade um desperdício inútil
de alegria
Desenrolava-se a tarde por meio de sonhos
de infância
anteriores ao apertar do medo
anteriores ao apertar da patologia da
tiranização
anteriores à luva de ferro
que haveria de interpor-se
entre a pele e o amor
raramente deposta
era uma tarde de mais um
25 de Abril mais de trinta anos
depois e havia então
certezas feitas de peitos claros
e mesmo assim se foram
desvanecendo fogacidades
em jantares antropófagos e
caros
muito caros ao círculo de ferro
que instiga o carrocel do real
país que somos em pertinaz
recusa
infindável submissíssima negação
olhando o espelho
confundia-se a luva e a mão
facilmente a jaula
em vitrine de museu
e o exemplar humano atrelado
atento
ao mínimo detalhe
do horário da exposição
olhando o espelho
o exemplar humano atrelado
perguntará de si
onde ficou
no espaço translúcido
entre a roupa e a pele
adensar-se-á
implacável
a bruma
em castelos
até que desponte um raio ténue
e a suspeita
de ter sido todo o tempo
de incredulidade um desperdício
inútil
e será tarde
e urgente
a sede
da pele doente
se banhar líquida
em volúpia de alegria
onde a terra
em fogo
tiver secado o exalar
da bruma
e houver de nascer
do espelho
um exemplar humano novo
nu
em novo círculo de fogo
imagens sobre o 25 de Abril;
poema de Teresa Tudela, inédito, 25 de Abril de 2007.

um novo 25 de Abril



alimento ,ano após ano ,a loucura de saber.me apaixonada pela Utopia ,e então corro ,solta ,pelo sonho dentro
cartazes do 25 de Abril retirados da net;
citação de gabriela rocha martins.

15/04/2007

zag . zig zig . zag ( ainda pelo Algarve )

"O Amor dos Outros"
pela Companhia de Teatro Al-Masrah
encenador Paulo Moreira
intérprete João Evaristo


Dias 20 e 21 de Abril
21.30 horas


"O Amor dos Outros" é uma abordagem singular à multiplicidade e complexidade de relações amorosas entre dois seres humanos - entre o Eu, o Outro e os Outros - num cozinhado explosivo de ingredientes, onde o amor, o desejo, a fantasia, o sexo, o ciúme, a inveja e a raiva, em doses desmedidas, se misturam e confundem.
Esta produção independente á da responsabilidade do encenador Paulo Moreira e do actor João Evaristo, conhecidos intervenientes da cena teatral algarvia e tem como fonte de inpiração textos do escritor brasileiro Alexandre Ribondi
De acordo com a imprensa, este é um "excelente espectáculo algarvio" no qual João Evaristo "conseguiu atingir a maioridade da representação subordinada a uma estética de qualidade" ( Ana Oliveira, in Jornal do Algrave, 22 de Março de 2007 )


Al-Masrah
informações e Reservas
96 777 8972 / 281 321 256 /
alteatro.c@gmail.com

a bilheteira abre 1 hora antes do início do espectáculo

Espaço da Corredoura
Rua D. Marcelino Franco, 41, Apt. 433
8801-904 Tavira

zig . zag zag . zig

JP Simões editou o seu primeiro disco a solo - "1970" - em Janeiro de 2007
Depois de ter deixado a sua marca na melhor música feita em Portugal nos últimos 10 anos, como um dos mentores de alguns projectos como os Belle Chase Hotel e Quinteto Tati, JP Simões inicia, com "1970", uma carreira a solo que se antevê brilhante, quer pela extrema qualidade da sua escrita, quer pela inquestionável personalidade da sua voz.
Neste trabalho, JP Simões assume, pela primeira vez, a totalidade do processo criativo, ao escrever músicas, letras e assumindo os arranjos e a produção musical do disco.
"1970" é uma obra que coloca JP Simões na trilha dos melhores cant'autores da música portuguesa.

11/04/2007

Ó pedra que estás parada

Ó pedra que estás parada,
onde estão tuas raízes?
mas ficas sempre calada,
ó pedra, e nada me dizes.
Por que não voas então?
que te impede de voar?
se fosses meu coração,
voavas solta no ar,
como voa o pensamento
que vai para onde quer.
Fosses tu irmã do vento,
serias minha mulher -
e eu casava contigo
fazia o que sempre quis,
como amante, como amigo:
ser para sempre feliz
Na solidez do teu corpo -
ser um a soma dos dois,
habitar-se como um todo,
( as asas vinham depois ).
Com a minha fantasia,
teríamos aéreo lar -
a gente depois vivia
só do sonho de voar.
António Simões, inédito, 2001
( Do ciclo "poemas com pedras dentro ).

08/04/2007

a grande obra



Não uso palavras. Uso acções. Sou um poeta da acção. Convenciono poesia nos meus gestos e directrizes. Por isso todos me vêem e concebem como um homem rude e mau, tenho a perfeita consciência disto. Nada de mais errado. Note! Olhe bem para mim, neste momento. Estando aqui sentado à sua frente a compartilhar consigo este maravilhoso charuto, pareço-lhe um homem malévolo? Responda-me com sinceridade.
-Não.
- Como vê - solta uma nova gargalhada - apenas me situo à frente do tempo. Como todos aqueles, aliás, que de alguma forma, marcaram e alteraram o rumo e o ritmo da história. Além disso, todos aqueles que trabalham comigo, de mais perto, sabem que não gosto de dividir, os gestos ou acções, em bons ou maus gestos, em boas ou más acções. Para mim não existem dualidades nem questões dúbias: existem regras, existem leis e circunstâncias. Mas são apenas - quanto a mim -as circunstâncias que definem a verdade, a moral, a justiça, a vida, a morte. O mais importante para mim é a obediência e a noção do novo: o espanto. Como sabe todos os poetas são seres malditos, visionários e, portanto, incompreensíveis para a maioria. Porque observam o que mais ninguém vê. Vêem mais longe. Poetas como eu e você...
Mas se quer seguir um conselho, não deveria guardar só para si os seus escritos. Não leve a mal esta minha consideração. Mas incomoda-me a cobardia. Os pusilânimes. Mas sei, não ser este o seu caso. Não o é decerto.
No seu caso concreto, parece-me evidente ter chegado o seu momento. É chegada a sua hora. A hora do grande salto. A hora H.
Ergueu-se da cadeira e dirigiu-se ao outro. Circundando-o, ofereceu-lhe o cinzeiro para que também ele apagasse o charuto. Colocou, com intensa ternura, as suas mãos sobre os seus ombros, e, devagar, subiu-as até ao pescoço, principiando, sub-repticiamente a apertá-lo ,a apertá-lo, cada vez com mais força.
-Eis a minha grande obra - concluiu.
Legendas de Augusto Mota.
Texto de Sandro William Junqueiro.

23/03/2007

2. Meu corpo é agora um barco



Sento-me no banco
do pequeno largo -
o vento arredonda
os meus sobressaltos
e perde-se no ar.
O dia arde ainda na copa das árvores,
nas asas dos pássaros,
nos olhos dos velhos
perdidos no tempo -
meu corpo é um barco
ancorado na luz.
Poema de António Simões ,1999.
Legendas Íntimas de Augusto Mota.

22/03/2007

como há 32 anos atrás ...


... hoje ,dia 21 de Março de 2007 ,o Palácio das Varandas comemora o regresso da Primavera e o Dia Mundial da Poesia!

Versos de Fernando Miguel Bernardes,
ilustração e composição de Augusto Mota.

19/03/2007

De Que Fala o Silêncio


O tempo é anterior a ti, a mim, a nós,
e nada está escrito, excepto essa interioridade
que habita a inocência das palavras,
consumando o corpo, o seu início, o seu extremo,
deixando o espírito intacto para fruir
esses momentos puros, primordiais,
nessa abertura,
lâmpada rútila, navio eloquente, frémito intacto,
chama preciosa que, de outra forma,
tudo diz, tudo revela,
no tempo esquecido, no tempo sem tempo,
entre a magia e a volúpia,
no luar, no silêncio,

no tempo das clepsidras esquecidas.
Maria do Sameiro Barroso, in "Meandros Translúcidos", 2006.
Legendas Íntimas de Augusto Mota.

11/03/2007

A Flor de Mil Pétalas




Abres a porta à procura da luz -
Um galo canta no cimo da hora,
e tu estremeces e agitas as sombras,
e a luz foge para longe.
Abres a porta à procura do nada:
um rato rói a alma por dentro,
e tu estremeces e agitas o vento -
e o nada foge para dentro de ti.
Abres-te para o verde cantante das searas:
uma cobra rasteja por entre os caules,
e estremeces de novo,
e a água foge da tua sede -
é então que ao pé da luz,
a sombra se casa com a água,
e a seara cresce desmedidamente,
e os deuses riem dos gestos dos homens,
confusos demais para abrirem caminhos -
contudo, sem que eles o saibam,
lá no fundo da sua alma,
num recanto obscuro da mente,
uma pequena flor começa a ganhar raiz -
ela vai crescer para todos os lados
e atravessar o mundo e o próprio universo:
e homens e deuses e pássaros e pedras
e árvores e asas e campos e casas
e pontes e portas, senhores e servos,
e tudo o que mexe e o que fica imóvel,
e tudo o que fala e tudo o que cala
são as pétalas infinitas dessa flor.
António Simões, inédito. 9 de Fevereiro de 2002.
Escrito entre a vigília e o sonho, numa tarde mágica dos campos do Louredo.
Legendas Íntimas de Augusto Mota.

06/03/2007

ser livre


Felizes decerto os que se descobriram na evidência de um valor, transposto à essência de si mesmos, para lá do valor primeiro de serem em autenticidade, ou seja, de serem livres. A nós coube-nos apenas essa liberdade e não aquilo em função do qual ela existisse. Mas em torno dela se reorganiza a dignidade de nós, a afirmação esclarecida de nós, contra quem no-la queira entenebrecer. Aí fundamos a nossa cultura, aí fundamos o nosso modo de sermos livres.
Vergílio Ferreira.
Legendas Íntimas de Augusto Mota.

02/03/2007

entardecer

Poema de Carlos Alberto Silva
com fotografia e composição de Augusto Mota

As Árvores Crescem

As árvores crescem
ouço-as respirar
quando o crepúsculo
desce
no estremecimento sem fim
dos primeiros pássaros
depois é o sono
a pedra nocturna
dos anjos
essa vaga caligrafia
de sinos submersos
sob as pálpebras
percursos tão vários
do esquecimento
Luís Serrano ,in "Antologia da II Bienal de Poesia de Silves, 2005".

27/02/2007

desigualdades



Barco cheio
barco vazio
é a sorte quem comanda,
ou a Lua.
Num momento
surge o vento de levante.
Como rastilho de prata
o cardume lá se afasta...
O barco fica vazio.
Glória Maria Marreiros ,in "Algarve a gente e o mar".
Legendas Íntimas de Augusto Mota.

22/02/2007


Legendas Íntimas. Augusto Mota.

Q

Vindo do corredor o guarda aproxima-se da porta. Hesita duas vezes antes de bater.
Dentro da sala, o inspector, de olhos cerrados, masturba freneticamente o seu pénis grosso e duro, com a mão esquerda. Masturba-se com uma imagem. Fechado dentro da sua cabeça está um homem forte e musculado, ruivo e de olhos claros, nú, encostado à parede da sala, a açoitar os seus próprios genitais, os mamilos, a cuspir saliva ao mesmo tempo que ri. O inspector deseja agarrá-lo, beijá-lo e esbofeteá-lo. Segura um guardanapo expectante na mão direita enquanto o agarra, o beija, o espanca. Contorce o tronco e as pernas ao mesmo tempo que da sua garganta se soltam ligeiros grunhidos guturais semelhantes a arfares de foca. Lá fora o guarda hesita novamente.
Num espasmo violento, e mordendo os prórios lábios, o inspector acaba por derramar o seu sémen branco no papel. O guarda finalmente bate à porta. O inspector abre os olhos e limpa cuidadosamente os seus dedos e o pénis que lentamente começa a perder força. Dobra o guardanapo semeado e guarda-o no bolso do casaco. Ao cheirar os dedos da sua mão lúbrica, sorri. Levanta-se e dá duas voltas à chave.
A porta abre-se e o guarda entra.
O inspector indica-lhe o lugar.
- Sente-se. Estava precisamente a pensar em si.
Depois de uma disfarçada continência, o guarda obedece, sentando-se na única cadeira disponível, defronte da secretária.
O inspector dá duas voltas à chave:
- Você fuma?
- Os regulamentos internos dizem-me que não posso.
- E se eu lhe disser para que fume.
- Não posso fumar em serviço.
- Diga-me ... Quem criou este regulamento interno?
- O governo.
- Muito bem...
Sabe porque o mandei chamar? Não? Vou confessar-lhe... Estive esta manhã debruçado sobre o seu dossier. E despertou-me muita curiosidade. Interessou-me... Interessou-me muitíssimo o seu caso, para ser o mais sincero possível. Por isso o mandei chamar. Olhe bem para mim, neste momento. Estando aqui sentado à sua frente a compartilhar consigo este momento, pareço-lhe um homem malévolo? Responda-me com sinceridade.
- Não.
- O mais importante para mim é a obediência e a noção do novo: o espanto. Como sabe, todos os poetas são seres malditos, visionários e portanto incompreensíveis para a maioria. Porque observam o que mais ninguém vê. Vêem mais longe. Poetas como eu e você... Mas se quer seguir um conselho, não deveria guardar só para si os seus escrits. Não leve a mal esta minha consideração. Mas incomoda-me a cobardia. Os pusilânimes. Não sei se acredita em pressentimentos. Mas neste caso concreto, parece-me evidente ter chegado o seu momento. É chegada a sua hora. A hora do grande salto. É chegado o momento de escrever, se quiser, a obra de uma vida. A grande obra...
( continua )
Sandro William Junqueiro ,inédito

20/02/2007

carnaval da natureza

17/02/2007

fim

olhou o mar e sentou.se na areia branca dos desejos .há muito que esqueceu a côr das ondas que adormecem nas manhãs de sol .deixou.se embalar segundo o ritmo dos amantes e ouviu.se no requebro das flores que a praia rejeitou .nas praias não há flores .há poetas que se diluem nas madrugadas dos sonhos .utópicos .possuídos pela maré cheia da loucura .ocultos .são o silêncio do mar que os desenha .cobrem.se com a areia que lhes corre no sangue .e são em desamor .e sentidos .e revêem.se na surpresa das madrugadas
sempre aquém
no precipício do ser .no objecto .no desejo

definem.se como a contradição e sabem.se nos crisântemos ,flor ,que ,um dia ,descreveram em poemas .ele ,o poeta ,moribundo ,sabe.se no universo das pétalas e tingiu.a ,absoluta ,no malmequer desenhado a giz .tem.se como o poeta das flores .ela olhou a mesa .em cima ,uma jarra .vazia .a casa repercute.lhe os sons das flores que ele deixou ,esquecidas ,sobre a cadeira .colhidas pela manhã .à tarde ,há.de correr entre os crisântemos e vê.los de um modo diferente .presos à voz .dele
a janela aberta .o trilho do combóio iniciado em nenhures .na praia .foi o início da loucura que há.de projectá.los mais além
e souberam.se

no limite da imortalidade .o poema deixou.o inerte .rasgado no cesto dos papéis que tinha sob a mesa onde costumava escrever .as imagens sobrepunham.se e começou a deixar.se prender aos fios da vida .soube.se no limite preciso da sua existência de homem e isso deixou.a mergulhada numa profunda tristeza .a certeza do seu fim .do princípio ,não teve consciência .não se lembrou como o poema lhe apareceu na frente e se impôs .sentiu ,apenas ,a necessidade imperiosa de o passar para a folha .percebeu ,finalmente ,que a razão escorreu entre as suas mãos .soube.se louca entre a flor e a cadeira .alguém esqueceu as flores sobre a cadeira .alguém ousou perverter.lhe os sonhos .desfrutou a utopia de se saber entre os crisântemos que ele colheu de manhã .não .foi ,de véspera ,que se prendeu ao ritmo da maresia .ou foi hoje?

esgotou.se no silêncio das ondas que lhe ofereceram muito mais além

e soube.se

descalça sobre a areia .teve.se em casa .na sua casa .dentro do poema que ele lhe deixou ,ao adormecer .vagueou no ritmo das palavras soltas e esqueceu o nome que lhe soou aos ouvidos .foi a voz do mar .do mesmo mar que ,anos atrás ,lhe adormeceu o amor .e os sentidos .entregou.se ao som dos pássaros que ,em bando ,abandonaram o areal e foram à demanda de novos horizontes .também ela se perdeu no horizonte do sonho. do ritmo das marés vivas .inócuo .segurou o crisântemo e absorveu.o ,inteiro ,nas palavras e nos poemas .ele ,o poeta das flores ,pegou no ramo .sentou.se na cadeira e esperou.a

e ela veio .pegou.lhe na mão .partiram os dois

desligaram a máquina .o poeta das flores era um homem morto e ela chorou.o

gabriela rocha martins ,inédito in outro fim
fotografias de augusto mota ( Foz do Liz e Mar na Praia da Vieira ).

Crisântemo


"Crisântemo," diz minha alma -
e uma flor nasce do nome.
Nas pétalas de invocá-la,
só de dizê-lo se acalma,
e dentro da flor se some.
"Alma," disse o crisântemo
quando eu o invoquei -
"reciprocidade é a lei
de conhecimento íntimo,
também em ti entrarei."
Quando entro na flor
e vou fundo até ao centro,
milagre do vero amor,
tenho a mesma flor cá dentro.
Mil pétalas voam em mim.
Em cada uma me assumo -
e na flor para onde vim,
e na flor que trago em mim
sou sempre diverso e uno.
Mil pétalas, esses mil seres
que a nossa alma contém -
um a um se os conheceres,
qual milhão de malmequeres,
conheces-te a ti também.
Basta que saibas olhar
as pétalas tal como são -
vê-las bem em seu lugar,
sem as querer analisar,
sem juízos de razão.
Que dos mil seres a soma
a um ser só se reduz:
mil pétalas, uma chama
que água e oiro derrama
num corpo que é todo luz.
Uma luz que é perfume,
um perfume que ilumina -
sendo água é como o lume.
Sendo fogo é como a brisa,
nem grande, nem pequenina.
E do oiro desse lume,
e das cinzas dessa chama,
nova Fénix se assume,
que do primevo negrume
renasce agora minha alma.
As pétalas, uma a uma,
apaga em tua mente -
deixa que o centro te assuma
pra que a alma fique una,
diversificadamente.
António Simões, inédito, in "Poemas Antigos".
Pétalas de Vidro - poema de António Simões,
fotografia e composição de Augusto Mota.

15/02/2007

pérolas do ensino



Eis alguns exemplos de respostas imaginativas dadas por não menos imaginativos alunos nos seus testes escolares.
Estão separados por disciplinas e escritos tal e qual no original.
História
A História divide-se em quatro - Antiga, Média, Moderna e Momentânea ( esta, a dos nossos dias );
O Hino Nacional Francês chama-se La Mayonèse;
Tiradentes, depois de morto, foi decapitado;
Entre os índios da América, destacam-se os aztecas, os incas, os pirineus, etc.;
No começo os índios eram muito atarsados mas com o tempo foram-se sifilizando;
Com a morte de Jesus Cristo os apóstolos continuaram a sua carreira;
Entre os povos orientais os casamentos eram feitos no "escuro" e o noivos só se conheciam na hora h.
Geografia
A capital de Portugal é Luiz Boa;
O principal rio dos estados Unidos é o Mininici;
A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos;
Na América Central há países como a República do Minicana;
A Terra é um os planetas mais conhecidos do mundo;
As constelações servem para esclarecer a noite;
As principais cidades da América do Norte são Argentina e Estados Unidos.
Ciências
Ecologia é o estudo dos ecos, isto é, da ida e vinda dos sons;
Solo é quando numa orquestra um dos músicos "capricha" sozinho e os outros ficam à escuta;
Assexuada é a pessoa que não está nem do lado de cá nem do lado de lá;
Trompa de Eustáquio é o instrumento musical de sopro, inventado pelo grande músico belga Eustáquio, de Bruxelas;
Newton foi um grande ginecologista e obstetra europeu que regulamentou a lei da gravidez e estudou os ciclos de Ogino-Knaus.
Português
Parêntesis é o grau da família que existe entre os pais e filhos, tios e sobrinhos, avó e netos, primos e primas, etc.;
Preposição, conforme diz a palavra pela sua própria entomologia, é aquela que é colocada antes da outra que é mais importante;
Conjunção é a grafia que se usa quando se quer conjugar um verbo;
Sujeito é a pessoa com quem a gente fala;
Concordância é quando nós estamos de acordo com o que o outro disse ...
legendas íntimas de Augusto Mota.

10/02/2007

Legenda Íntima. Augusto Mota.

Amor Virtual

Se as mãos de alguém viessem, virtuais,
suavizar-me a dor, afagar-me a testa! -
ligo o computador, busco os sinais,
Gigaherz da ternura que resta.
Carrego numa tecla e tu sais
ao meu encontro com ar de festa:
e nas mãos, de súbito naturais,
o afago mais doce se manifesta.
peço ao computador que derrame
dentro de mim mais memória ram,
pra reter-te pra sempre num ficheiro.
1000 gigabites, meu coração,
onde cabem os que a mim se dão,
como tu a mim te deste por inteiro.
António Simões

01/02/2007

dia de anos

Com que então caiu na asneira
de fazer na quinta-feira
... ! Que tolo!
ainda se os desfizesse...
mas fazê-los não parece
de quem tem muito miolo!
Não sei quem foi que me disse
que fez a mesma tolice
aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
como lhe tomou o gosto,
que faz o mesmo? Coitado!
Não faça tal; porque os anos
que nos trazem? Desenganos
que fazem a gente velho:
faça outra coisa; que em suma
não fazer coisa nenhuma,
também lhe não aconselho.
Olhe que a gente começa
às vezes por brincadeira,
mas depois se se habitua,
já não tem vontade sua,
e fá-los queira ou não queira!


de facto
não segui o conselho de João de Deus ,autor da poesia ,e cometi a asneira ( eu ,editora em chefe - como me chamam os meus amigos ,Almirante ,Contra.Almirante e Imediatos ) de ,embora não querendo ,fazer mais um ano de idade
... quantos? ... diga trinta e três! ehehehehehe
fotopoemas de Augusto Mota

22/01/2007

hoje é dia de festa ...



... cantam as nossas almas
para o nosso Almirante
uma salva de palmas ...
FELICIDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
deseja.lhe a tripulação - dos Contra Almirantes ao Grumete

20/01/2007

Mozart e os Mistérios Iniciáticos


A Ésquilo - Edições Multimédia - lançará, no Espaço D.Dinis, sito na Av. António Augusto de Aguiar, 17-4º Esq., em Lisboa, na próxima terça-feira, 23 de Janeiro, pelas 19h00, o livro "Mozart e os Mistérios Iniciáticos", da autoria de Maria do Sameiro Barroso, Manuel Anes e Paulo Alexandre Loução.
Os autores estarão presentes e serão oradores na sessão.
A publicação deste livro está integrada nas Comemorações do 250º Aniversário do nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart. Para além dos ensaios dos autores sobre a relação de Mozart com os mistérios iniciáticos, esta obra inclui a edição integral e bilingue do libreto da ópera "A Flauta Mágica", a partir da 1ª edição fac-similada de 1791.
No final da sessão será servido um Porto de Honra
_____________________
Mozart e os Mistérios Iniciáticos
"De facto, há três características marcantes em Mozart que (...) são impossíveis de separar: o instrumentista virtuoso, o génio musical e o demandador da luz. (...)
Talvez possamos dizer que, dos que passaram por esses Mistérios, poucos terão sentido tão intensamente esse caminho dramático, mas optimista. E muitos menos terão dado a esse processo espiritual uma dimensão estética como esse génio musical ímpar qu foi Wolfgang Amadeus Mozart!"
José Manuel Anes
_____________________
Ofereça a si mesmo um agradável e diferente príncipio de noite, e, compareça, no próximo dia 23 de Janeiro ( terça-feira ), no Espaço D. Dinis. Depois, já que nós, infelizmente, não poderemos estar presentes, porque não gozamos do poder da ubiquidade, conte-nos como foi ... ficamos à espera!

18/01/2007

mítica cavalgada

Hoje a cidade anoiteceu envolta em névoa, como se o rio transportasse, desde as fontes que o alimentam, uma outra e nova dimensão para as coisas e para as pessoas que actuam para lá do ténue pano de boca, onde os actores continuam a cumprir o seu papel numa extenuante récita diária. As luzes multiplicam-se, difusas, em miríades de minúsculas gotas de água e os sons desprendem-se, abafados, do trânsito que se escoa para os arredores. As lojas fecham as portas e as ruas parecem ter um só sentido: todas se dirigem para casa.
A cidade, agora silenciosa, transforma-se, subitamente, nos arredores de si mesma, enquanto montes e fontes se povoam de sonhos e pela alcáçova do castelo esvoaça a sorrateira coruja-das-torres ( Tyto alba ) e o veloz rasante morcego-anão ( Pippistrellus pippistrelus ). Senhoriais, os mastins arremetem contra a noite, imaginando faunos a correr pelos bosques de ulmeiros ( Ulmus procera ) ao som de um prelúdio de Debussy. Eles, os mastins, são os guardas da noite e da névoa. Serão, também, os guardas da madrugada.
Que encantamento é este que recupera as cavalgadas pelas paisagens da História? Teremos de subir à Torre de Menagem e, de lá de cima, lançarmos o sonho sobre noite intensa, fazendo-o esvoaçar três vezes à volta da cidade adormecida. Assim se quebrará o mau agoiro. E, assim, viajaremos no tempo, para norte, até aos Campos de Ulmar e poisaremos, de mansinho, no Porto da Ruivaqueira para ir, rio abaixo, até à foz do Lis. Passaremos por muitos outros portos, sempre guiados por um vistoso e irrequieto guarda-rios ( Alcedo atthis ). Passaremos pelo Porto da Bóca, pelo de Monte Real, e da Caravela, e da Passagem, e da Galeota, até o sonho e o rio encontrarem as águas da maré-cheia. Aí lançaremos âncora à espera que a corrente da vazante nos arraste, sem esforço, pelo mar dentro, rumo à realidade.
Entretanto é manhã. O sol acarinha os últimos vestígios de névoa e a cidade afasta-se dos arredores. As ruas voltam a ter dois sentidos.
Augusto Mota, in "Geografia do Prazer", inédito, 2000.
__________________________
*fotopoema de Augusto Mota sobre um poema de Carlos Alberto Silva.

11/01/2007

Legenda Íntima. Augusto Mota

09/01/2007

Ditirambo

Jamais, é crença minha,
que os deuses antigos
apareçam sozinhos.
Mal surge Baco, o atraente,
logo surge Amor, jovem, sorridente,
Febo majestoso faz a sua entrada.

Cada vez mais se aproximam
todos os seres divinos,
com a presença dos deuses
se enche o terreno domínio.

Dizei-me, como hei-de receber
eu ,humano e terreno,
o coro celestial?
Concedei-me a vossa vida imortal
ó deuses! Que podereis dar a um mortal?
Elevai-me até ao vosso Olimpo.

A alegria habita somente
nos salões de Júpiter,
ó, servi-me o vosso néctar,
dai-me a minha taça!

Entrega-lhe a taça!
Oferece-a ao Poeta, Hebe,
serve-lhe apenas uma.
Humedece-lhe os olhos com orvalho divino,
para que do Estige odiado não se aproxime,
e que um dos nossos se imagine.

Murmura e borbulha
a fonte divina;
o peito se acalma,
o olhar se ilumina.

Friedrich Schiller
Tradução de Maria do Sameiro Barroso

05/01/2007

cacto.mania 4

a brincadeira continuou
e
o Silvestre Raposo "poemou" ...

Glória Maria Marreiros,
a primeira deste grupo,
acrescentou ...

para
Gabriela Rocha Martins
terminar
...


( com um blogger "feminista" )

... o desafio lançado pelo
jardineiro/filósofo
Augusto Mota

( veremos os jogos que se seguem ...)