
composição de Augusto Mota sobre poema de António Simões

mas tu procuras os tigres
da sombra e da luz,
para os cavalgares até à exaustão -
Deixa ficar os cisnes, imóveis,
no lago parado da memória -
( era no jardim da tua infância,
e ao domingo havia música no coreto ),
e vem, felino, domar os tigres da sombra e da luz,
que esperam por ti junto ao cais da noite;
para neles viajares dentro do teu sonho -
Vamos, salta-lhes para cima,
agarra-te bem às rédeas de luz das suas crinas,
e vai voando sobre os prados em flor
que crescem no avesso da noite,
até chegares às margens
onde nasce a manhã -
e aceitando as vestes novas que o dia te estende,
levando pela mão
os agora pacificados tigres do teu coração,
deixa-te ir vogando, tranquilo, no regaço do vento -
(*citação de um poema de Yvette Centeno )
António Simões, inédito, Louredo, 1995
Composições de Augusto Mota sobre poemas de António Simões.


Vêm as marés de água indefinida,
José Ribeiro Marto, inédito, in "A celebração dos dias".
Textos transversais de Augusto Mota.
como a ave que adormeceretorno ao húmus da terra
exangue
para continuar
densas
da barbárie
I return to humus of the land
without blood
to continue
human being
between the rocks and the trees
dense
of the barbarity
comme l'oiseau qui s'endort
entre les mains absentes du poèteje retour à la humus de la terre
exangue
pour continuer
humaine
entre les roches et les arbresdenses
de la barbarie
Gabriela Rocha Martins ,inédito ,Imprimatvr ,2007
Fotopoema de Augusto Mota.
Sandro William Junqueiro, inédito, in "Diário do Algoz".
Fotografias de Augusto Mota.
Perceval
António Simões, poemas inéditos, 1990.
Composições de Augusto Mota sobre poema de António Simões e citação de Gabriela Rocha Martins.
No jardim da minha Avó, havia sol azul e perfume de laranjeira.
Fernanda Sal Monteiro in matebarco , 13.06.2007
Enquanto lavro o corpo da manhã o Sol, em cio, cavalga um cão de fogo por entre nuvens afiladas e a construção de cidades adivinhadas. Bem perto, porém, há o rodopiar incessante do disco rubro que agora se estampa em nosso olhar. Vemo-lo para além das nuvens. Vemo-lo em cima e para além deste corpo que se adelgaça no esforço de transportar o astro-rei a caminho de outras galáxias bem mais perto de nós.Rítmica é a sensação do sexo em desepero perante a ingenuidade artesanal do olhar, firmeza da mão, o gravar da matéria.
As colinas ao longe agridem o espaço como justo contraponto a este paroxismo de dor e de prazer.
Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagens compostas por Augusto Mota, a partir de textos seus e de António Simões
nota - o poema de Sophia Andresen foi-nos enviado por Amélia Pais
01. desejo.
51. prazer.
Tinha para com a produção artística
uma relação quase sexual. Passado
o gozo da criação, ficava triste. E
adormecia.
47. visão.
"Os políticos cada vez têm menos
sentido de orientação" - dizia,
desiludido. Por isso recorreu ao
microcrédito e montou um negócio
promissor. Uma escola de treino
para cães de cegos.
18. navegação.
A vida não lhe corria nada bem.
Teve que contratar um mestre-
jardineiro para aprender a navegar
num mar de rosas.
14. metamorfose.
Odiava moscas. Uma noite sonhou
que se transformara em camaleão.
Ficou radiante.
Textos de Augusto Mota, in "Sujeito Indeterminado", 2005.
Legendas Íntimas de Augusto Mota.
Finka-pé é um agrupamento de mulheres cabo-verdianas ( Santiago ) que se expressam de forma intensa e vibrante, através do batuque ou "batucadas". O espaço tradicional do batuque é o terreiro: o pátio interior ou as traseiras da casa onde pela noite fora, as mulheres se sentem em círculo, com a(s) dançarina(s) no centro, tocando a "tchabeta". Uma cantadeira improvisa longas melodias que falam da vida, das alegrias e das tristezas, da difícil condição feminina das suas componentes e dos problemas concretos com que têm de se confrontar. Num processo improvisado atinge-se a "rabira" - momento em que a(s) dançarina(s) faz(em) a "dança do torno", exibindo as suas habilidades coreográficas que resultam em acontecimentos que vivem da grande alegria e do envolvimento colectivo.

Despontou um raio ténueDesenrolava-se a tarde por meio de sonhos
raramente deposta
era uma tarde de mais um
olhando o espelho
facilmente a jaula
no espaço translúcido
adensar-se-á
e será tarde
e urgente
onde a terra
e houver de nascer
nu
em novo círculo de fogo
imagens sobre o 25 de Abril;


alimento ,ano após ano ,a loucura de saber.me apaixonada pela Utopia ,e então corro ,solta ,pelo sonho dentro cartazes do 25 de Abril retirados da net;

Al-Masrah
informações e Reservas
96 777 8972 / 281 321 256 / alteatro.c@gmail.com
a bilheteira abre 1 hora antes do início do espectáculo
Espaço da Corredoura
Rua D. Marcelino Franco, 41, Apt. 433
8801-904 Tavira
Ó pedra que estás parada,Por que não voas então?
como voa o pensamento
e eu casava contigo
Na solidez do teu corpo -
Com a minha fantasia,


Não uso palavras. Uso acções. Sou um poeta da acção. Convenciono poesia nos meus gestos e directrizes. Por isso todos me vêem e concebem como um homem rude e mau, tenho a perfeita consciência disto. Nada de mais errado. Note! Olhe bem para mim, neste momento. Estando aqui sentado à sua frente a compartilhar consigo este maravilhoso charuto, pareço-lhe um homem malévolo? Responda-me com sinceridade.

Sento-me no banco
O tempo é anterior a ti, a mim, a nós,


