
a minha irmã Vinhas receber notícias ao portal,era a hora do meio dia
em que a sirene dos bombeiros,
gritava a ferida da manhã
e da tarde a dividia.
O correio já não era a loja
não vinham as cartas
fechadas na saquinha do pão,
em que se juntava grão e tinta
alimento e ilusão.
Agora o carteiro chegava,
ouvia-se da moto o motor,
vinha do longe a rigor,
caprichando na entrega
na refrega do calor.
Depunha nas tuas mãos a carta
que antes era letra era pão
agora era uma borboleta
de asas brancas linha preta,
bem desenhada e aberta
a pousar na tua mão.
Abria-la quando ele desaparecia
deixando-te ao sol
abraçada a quase nada,
só a solidão da espera
sempre àquela hora do dia
em que teus passos
em direcção a casa, linha a linha
tu lias, como corriam os dias
como corriam as cartas
como se ajustavam as horas
como se cumpriam as datas.
Era à tarde que cantavas
as tuas sãs alegrias
só quando te calavas
havia dúvida em ti, se merecias
essas cartas, essas dádivas.
Poema de José Marto, inédito, in "A Celebração dos Dias", 1993Textos Transversais de Augusto Mota.














































