08/02/2008

omnia vincit amor


"[...] ainda que os antigos beberam primeiro nas fontes, nem por isso as esgotaram: Multum egerunt qui ante nos fuerunt, sed nom peregerunt, diz Séneca [...]"
- Sermão da Conceição Imaculada da Virgem Maria, Padre António Vieira, s.d.
Completaram.se, na passada quarta.feira, dia 6 de Fevereiro, 400 anos sobre o nascimento de António Vieira, mais conhecido, pelo Padre António Vieira. Nasceu em Lisboa e faleceu em São Salvador da Baía, em Junho de 1697. Foi, segundo Fernando Pessoa, "o imperador da língua portuguesa". Viveu entre Portugal e o Brasil. Foi, ainda, padre jesuíta, diplomata e um dos mais acérrimos defensores dos cristãos.novos, judeus, índios e escravos. Lutou, intransigentemente, e foi vítima da Inquisição. Tendo sido um dos profetas do 5º Império, angariou amigos, uns ilustres, outros não, e muitos inimigos.
Para mais informações, consulte - http://www.anovieirino.com/



I
Defesa do livro intitulado
QUINTO IMPÉRIO,
que é a apologia do livro
CLAVIS PROPHETARUM,

e respostas das proposições censuradas
pelos senhores inquisidores: dadas pelo
Padre Antônio Vieira, estando recluso nos
cárceres do Santo Ofício e Coimbra



Sendo ontem chamado à mesa, me foi dito que estavam nela os senhores inquisidores para sentenciarem a minha causa, e que antes disso queriam ouvir de mim tudo o que tivesse que dizer ou alegar para bem dela; e porque a última doença (de que estou mal convalescido) me não deixou com forças nem alento para poder falar em público, pedi licença para falar por papel, que me foi concedida. Protesto pois do modo que me é possível, diante desses senhores, que antes de se me dar a notícia que as minhas proposições estavam censuradas, e as censuras aprovadas por sua santidade, fazia eu tenção de propor em presença de vossas senhorias todos os pontos ou questões delas, dando os fundamentos das opiniões que segui, ou determinava seguir, respondendo aos das contraditas; mas depois que me foi dada a notícia da aprovação e autoridade do sumo pontífice, que é argumento a que a minha fé, resignação e obediência, não sabe outra solução senão a da veneração, obséquio e silêncio, sem que para isso seja necessário cativar ou fazer força ao entendimento, que sempre está e esteve sujeito aos menores acenos da Igreja, e de qualquer de seus ministros, havendo por esta via cessado o escrúpulo que só me dilatava; e tendo eu aceitado, sem mais demora da razão, ou explicação das ditas proposições, a todas as censuras delas, e suas dependências, nenhuma outra coisa se me oferece, que possa fazer ou dizer importante ao bem da minha causa, mais que o representá-la a vossas senhorias em um menor e mais abreviado processo, no qual a possa compreender toda junta de uma vez, dividindo-a para isso em partes certas e determinadas, onde se veja brevemente o dilatado, distintamente o confuso, e claramente o escuro e mal declarado por mim: e pois não posso fazer a dita representação com razões vivas (como muito desejava) falarão por mim estas poucas regras, não como nova alegação, pois não digo nelas coisa de novo, mas como um breve memorial deste processo, repartido, para maior facilidade, clareza, e distinção, nas oito ponderações seguintes: (...)

- Excerto de "De Profecia e Inquisição", Pe. António Vieira, Brasília, Estado Federal, 2001.
Iluminura de Wikipédia.





06/02/2008

Estes Putos

o fado de Carlos do Carmo que previa esta brincadeira...
[ de tão irresistível, não resistimos ]

edição de Cabala Produções, 2007.

05/02/2008

ironica mente ,ao R


venero louca
mente
o poeta
que não escreve
.
e rio
rio.me
em rio na maré vaza

poema de gabriela rocha martins
textos transversais de Augusto Mota.

03/02/2008

Macro

a natureza captada num filme de enorme sensibilidade...
[ antes de clicar para ver o filme ,deixe correr a música do Palácio até ao fim ,para usufruir ,plenamente ,os sentidos da vista e da audição .vale a pena ]
fotografias e edição de Pedro Ivo Carvalho

com dois dias de atraso

Rompendo
a pujança verde das folhas,
surgem as estridentes flores.
Prenhes de romãs a haver.
Promessas de Vida.

poema e fotografia de Fernanda Sal Monteiro.

01/02/2008

quando o grumete tem direito a um dia especial

Em carta de marear, o Almirante havia ordenado que este texto transversal fosse publicado ao alvorecer do dia, mas, como o grumete da nau é indisciplinado, por natureza, só agora é que o dá a conhecer. Tem, todavia, uma pequena desculpa.... Dão-se alvísseras a quem a adivinhar.
Texto transversal de Augusto Mota.

Poema de António Simões
Fotografia e composição de Augusto Mota.

29/01/2008

E assim se cumpriu...

16 .Augusto Mota, irmã, Maria Helena, e sobrinha, Cristina Pires.

17 .Augusto Mota assinando um álbum de "Wanya".

18 .Augusto Mota ouvindo, atentamente, Guilherme Valente.

19 .Três amigos.

20 .Um outro ângulo da assistência.

E foi assim, num ambiente descontraído e muito bem disposto, que "Wanya - Escala em Orongo", se reencontrou com o público português, amante de Banda Desenhada.
Fotografias de Nuno Verdasca e Pedro Carvalho.

Para mais tarde recordar

11 .Augusto Mota, Sara Franco e Maria João Franco ( respectivamente, filha e viúva de Nelson Dias ) trocando impressões.

12 .Augusto Mota conversa com Geraldes Lino e Rui Zink.

13 .Augusto Mota, um amigo de ocasião e Maria João Franco.

14 .Guilherme Valente, editor da Gradiva, em conversa com Maria Helena, irmã de Augusto Mota.

15 .Augusto Mota e o casal admirador de Wânya, desde a primeira edição, os sobrinhos ,Marta e Sérgio.
fotografias de Pedro Carvalho.

28/01/2008

Uma nova sequência de fotografias

6 .Guilherme Valente, o editor, no uso da palavra.

7 .Os prefaciadores e apresentadores, Rui Zink, à direita, Geraldes Lino, ao centro, e, José de Matos-Cruz, à esquerda.

8 .O autor do texto, Augusto Mota, à esquerda, Maria João Franco, o personagem Wanya, em carne e osso, José de Matos-Cruz, ao centro, e, Geraldes Lino e Rui Zink, à direita.

9 .Augusto Mota, dando autógrafos.

10 .Parte da assistência, mais concretamente, os sobrinhos de Augusto Mota, vendo-se, à direita, Pedro Carvalho, o principal responsável por esta reportagem...
[Nota
Amanhã, se a Blogger o permitir, apresentaremos as demais fotografias desta reportagem]
Fotografias de Nuno Verdasca, Cristina Pires e Pedro Carvalho.

A reportagem fotográfica que se impõe

Como noticiámos, no passado sábado, na Livraria Trama, R.S Felipe Nery ( ao Rato ), e, na presença de Guilherme Valente, editor da "Gradiva", o Álbum "Wanya - Escala em Orongo" viu a luz do dia.
Rui Zink, Geraldes Lino e José de Matos-Cuz, os prefaciadores, foram, também, os responsáveis pela sua apresentação, como se verá nesta reportagem.
Mas, vamos seguir a sequência fotográfica......



1 .O autor do texto, Augusto Mota, a ser entrevistado por Isabel Lucas, do Diário de Notícias, na Livraria, um pouco antes da sessão começar...

2 .A boa disposição, como é visível, reinou durante toda a sessão. À esquerda, vê-se Augusto Mota, ao centro, a pintora Maria João Franco, viúva de Nelson Dias ( autor das pranchas desenhadas ), e em quem o mesmo se inspirou para dar vida ao personagem Wanya, e, à direita, José de Matos-Cruz, autor e crítico literário de BD.

3 .Augusto Mota e Alberto Pimenta que não carece de apresentações.

4 .Augusto Mota e Orlando Cardoso, historiador, escritor e poeta que, recentemente, foi galardoado com o 1º Prémio de Poesia pelo IPL ( Instituto Politécnico de Leiria ).


5 .Augusto Mota, o Almirante do "Palácio das Varandas" e um jardineiro/poeta multifacetado, no uso da palavra.

Fotografias de Pedro Carvalho e Nuno Verdasca.

27/01/2008

No rescaldo e ainda a quente...

Em breve o Palácio das Varandas publicará reportagem fotográfica do evento.


Hoje, no Diário de Notícias, e ontem, no Jornal de Notícias
saíram reportagens sobre o assunto. Está melhor o texto
do DN, pois a jornalista foi à livraria falar comigo e
levou fotógrafo. No Público ainda não saíu por
questões de espaço, segundo informação
do jornalista que aqui veio falar comigo,
há mais de duas semanas, e esteve
ontem, também, no lançamento.



http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=321017&visual=26&rss=0

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=314668

http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/257325.html

http://www.gradiva.pt/livro.asp?L=100291

http://janelaurbana.clix.pt/ler-1001-categoria-7.html

http://matebarco.multiply.com/reviews/item/68

http://www.noticiasdamanha.net/?lop=artigo&op=b73ce398c39f506af761d2277d853a92&id=68482ad368c7b9779cf50a7164815379

http://www.noticiarium.com/content/view/61264/8/lang,pt/

http://palaciodasvarandas.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo-lanamento.html

http://www.bedeteca.com/

http://jn.sapo.pt/2008/01/26/cultura/classico_portugues_anos_reeditado.html

http://va.vidasalternativas.eu/?p=623

http://dn.sapo.pt/2008/01/27/centrais/memorias_descoberta_ovni_bd_portugue.html

http://dn.sapo.pt/2008/01/27/centrais/wanya_retrato_um_album_culto.html

http://eco-associacao.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo.html

http://www.regiaodeleiria.pt/?lop=conteudo&op=621bf66ddb7c962aa0d22ac97d69b793&id=cc735352db842232a33b3d1edd26f8f6&drops[drop_edicao]=438&drops[drop_edicao]=438

http://becodasimagens.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo-amanh-pelas.html

http://becodasimagens.blogspot.com/2008/01/wanya-wanya-escala-em-orongo-de-augusto.html

http://www.truca.pt/agenda.html

http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/276027.html?mode=reply

http://www.orelhas.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=50329&Itemid=99999999

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/221114

http://www.tebeosfera.com/Obra/Tebeo/BuruLan/ElGlobo/Indice.htm

http://casamarela5b.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

http://chavedoburaco.blogspot.com/2008/01/prximo-dia-26-lanamento-de-2-edio-wanya.html

http://acores2010.blogspot.com/2008/01/35-anos-depois.html
- Augusto Mota.

25/01/2008

Véspera de Lançamento - "Wanya - Escala em Orongo"



MEMÓRIAS & EMOÇÕES


Em todas as artes, como em todas as coisas, há instantes ou referências que, para sempre, permanecem indeléveis - como fenómenos únicos, fascinantes e irrepetíveis. Pessoalmente, destacaria as circunstâncias excepcionais que, nos recentes Anos ’70 do Século XX, me revelaram Wanya - Escala em Orongo de Augusto Mota (texto) e Nelson Dias (desenhos) - uma aventura visionária e metafórica, testemunho a preto-e-branco, tratando em pontilíneo as ideias e os ideais relativos ao desígnio humano.

Conhecia Augusto Mota de muito antes da Wanya - particularmente, várias ilustrações suas vieram publicadas em suplementos juvenis que eu coordenava no Diário de Coimbra e no Mar Alto (Figueira da Foz). Aí também divulgava as histórias em quadradinhos, quando recebi em Coimbra a visita de Augusto - nascido em Leiria (1936), onde vivia, tal como Nelson (1940-93) - trazendo uma surpresa deslumbrante: os primeiros originais de Wanya, para uma vista de olhos e uma troca de impressões.

Fiquei espantado pelas virtualidades, nunca poderia imaginar uma tal obra-prima e por autores portugueses! Logo, propus dar início a uma campanha de difusão - tanto quanto possível vasta e, mesmo, além fronteiras. Em Dezembro de 1973, Wanya - Escala em Orongo consumou-se em álbum e, a partir de então, teve uma notável carreira pública. Mas os autores não esqueceram aqueles trâmites e, em especial, o envolvimento que o fanzine Copra havia estimulado, com um destacável de Boomovimento.

Assim, quando Copra desafiou os artistas de banda desenhada a conceberem, num máximo de seis pranchas (mais capa), uma heroína com o nome do seu título («em qualquer figura, profissão ou dimensão, temporal e espacial») - dando, afinal, corpo a um projecto que, desde o início, tivera em mente e me animara - Augusto Mota e Nelson Dias foram os primeiros a apresentar a sua versão... Esse magnífico trabalho, A Flor da Memória, foi publicado no número 3 de Copra, pela Primavera de 1974.

Um estilo coerente, evolutivo, sintetizava a narrativa épica e poética de Augusto Mota, orlando o grafismo minucioso e preciosista de Nelson Dias. Tanto em Wanya como em Copra, os autores optaram por uma linguagem inusitada, de modo a propor uma leitura/fruição dinâmica, por páginas a par, duas a duas, e não isoladamente. Quanto aos exemplos comuns da época, depreciavam uma conotação erótica que sagrara Barbarella, valorizando embora a pendência feminista de uma Saga de Xam...

Segundo Augusto Mota, «Wanya é o símbolo de um anseio… O facto de ser mulher, acentua o significado de uma ambiência mais criadora, fecunda mesmo, na medida em que gera vida com seu corpo e suas acções. Ela é um mensageiro de amor e paz, empenhado na construção do Futuro. Pelo epílogo, depois da destruição nuclear que aniquilou a superfície do planeta Orongo, há uma exortação de fé na autogestão do povo de Citania, séculos abrigado sob as cordilheiras de Lerga».

Para Nelson Dias, tratar-se «de uma mulher releva, ainda, uma evidente preocupação de não-agressividade, pois Wanya não recorre a armas nem faz uso da força - a não ser, uma vez em que está em causa a sua dignidade. Mesmo então, reage numa luta corpo a corpo - em defesa natural, quase instintiva. A violência que perpassa é sempre contada em flashback, como recordação - tanto do que vitimou Orongo, como do que ocorreu na Terra, antes de ter superado uma atávica inclinação guerreira».
José de Mattos-Cruz, in www.truca.pt



AS MIL ARTES DE AUGUSTO MOTA QUE CRIA PARA O PÚBLICO, NÃO PARA EXPOSIÇÕES

Há mais de 30 anos, Augusto Mota dizia assim numa entrevista dada ao “Jornal de Notícias”: “Cada artista devia – utopicamente devia – ensinar tudo e a toda a gente. As escolas, as fábricas, as oficinas, deviam ser orientadas por um gosto novo e consciente. Tudo como está me parece desencontrado.”E, muitas linhas abaixo, respondia que “o mural é a forma mais útil de participação na comunidade, a mais responsável. (…). Será, sobretudo, a forma menos egoísta de realização artística, se não se trair a sua função popular e o deixarmos estar no jardim, na escola, na gare, na praia, na fábrica, no café, no cinema, na igreja, em todos os sítios onde a vista não tenha reservado o direito de admissão.”Se bem o disse, melhor o fez. Na Escola Domingos Sequeira, onde foi professor de inglês, o artista plástico Augusto Mota deixou um grande trabalho seu em espaço público, colocado bastante tempo antes de se aposentar.Para uma das paredes do desaparecido Café Colipo, pintou uma gigante “Lenda do Lis e Lena” que está hoje armazenada algures, com mazelas difíceis de recuperar.Para as instalações da antiga “Carvalho & Catarro”, concebeu “As conquistas da Ciência”, um painel de quatro metros cujo paradeiro desconhece.Quase do mesmo tamanho, eram dois trabalhos que decoravam as paredes dos Supermercados Ulmar. “Foram assassinados”, lamenta hoje Augusto Mota. Uma parte da sua superfície está escondida por prateleiras; e o resto foi coberto por tinta plástica. Serão recuperáveis? “Talvez…” – diz Augusto Mota com grandes reticências. “É mais importante a intervenção artística nos espaços públicos do que nas galerias”, teima Mota em repetir, não obstante os desaires relatados. E foi com essa preocupação social que, quando jovem, se juntou a Miguel Franco, Guilherme Valente e Rui Branco, com Álvaro Morna a fazer uma perninha, para publicarem regularmente o “Pinhal Novo”, suplemento cultural do REGIÃO DE LEIRIA. E – parece mentira! – pagavam, dos seus próprios bolsos, 500 escudos para a inserção de cada edição neste semanário.Cultor de solidariedades, Augusto Mota participou, nos idos de 60, noutra experiência de grupo: uma mostra colectiva de poesia ilustrada através da qual um grupo de jovens intelectuais leirienses levou as suas preocupações sociais a expôr em Leiria, Marinha Grande e Monte Real. A única frase que recorda, das que ficaram registadas no livro de honra, dizia assim: “Mereciam ir todos presos”.Outro sinal da repressão sufocante que foi contemporânea da juventude de Augusto Mota, foi a apreensão dos exemplares da revista “Gafanhoto”, um periódico de banda desenhada que custava cinco tostões na Papelaria Vital, no edifício do Mercado de Santana, no sítio onde ainda há poucos anos existia um talho. O miúdo Augusto, que assistiu à cena de olhos arregalados, teve dificuldade em perceber porque é que aquele senhor, afinal um polícia à paisana, não deixava que uma tão inofensiva revista se vendesse. E a surpresa da criança não ficou mais pequena, quando lhe explicaram que… a culpa era do Cuto, um garoto traquinas cujo desenhador, Jesus Blasco, fazia viver aventuras demasiado rebeldes para uma época em que todas as actividades e leituras dos adolescentes não podiam desviar-se dos domesticantes parâmetros da Mocidade Portuguesa.Talvez tenham sido estas proibições aquilo que desencadeou em Augusto Mota um fascínio muito especial pela banda desenhada, que culminaria com a sua participação, como argumentista, na elaboração de “Wanya – Escala em Orongo”. Editado em 1973, foi um álbum de sucesso, que chegou a ser traduzido para a Alemanha.Porém, já dez anos antes Augusto Mota se aventurara noutro empreendimento: o do desenho animado. “Variações sobre o mesmo Traço” foi uma experiência concebida mediante técnicas muito pessoais, que lhe granjeariam uma meia dúzia de prémios, incluindo dois primeiros: num concurso de cinema de amadores da Figueira da Foz e no Primeiro Festival Nacional de Cinema de Amadores de Guimarães.Para realização pessoal, criou outros filmes que guarda para si. Alguns foram realizados de parceria com o conhecido poeta Alberto Pimenta, seu colega de curso em Coimbra. Aliás, os primeiros quatro livros de Alberto Pimenta possuem assinatura de Augusto Mota. Como tantos outros, dos mais diversos autores. E como os livros de todos os autores, que o leitor porventura adquira na Livraria Martins. Quer dizer: são de sua autoria, os desenhos das sobre-capas que a livraria oferece. …E encerramos com a frustração de ter deixado muito por dizer. Das incursões de Augusto Mota pela escrita, da sua intensa actividade como gravador de linólio, madeira, serigrafia, da sua componente humanística colocada ao serviço da população da sua Ortigosa, do seu culto pelas plantas, bem evidenciado no seu desafogado jardim, onde todas as espécies estão identificadas…Vejam lá, que até o nosso propósito inicial ficou no tinteiro! Que era destacar o pioneirismo de Augusto Mota nas artes gráficas leirienses. Os seus cartazes, que muita gente tem visto e pouca tem identificado o autor… Os seus logotipos criados para as mais diversas empresas ou instituições… Os seus estudos para caixas de tomates, tampos de sanita, copos, óculos, camisas, pão de ló…

*Este texto foi publicado no Região de Leiria em 2 de Setembro de 2000, assinados por "José Freire de Oliveira". A utilização do nome completo do autor (e coordenador do Buraco da Fechadura) era uma exigência da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, com a alegação de que já existia uma carteira emitida com esse nome, para um fotógrafo que assinava profissionalmente "José Oliveira". A situação foi ultrapassada na revalidação seguinte da carteira, mercê da declaração do fotógrafo homónimo que amavelmente declarou que não publica textos, ao mesmo tempo que o coordenador do 'Buraco' declarava que não assina fotos.

posted by Zé Oliveira

Referências, à 2ª edição de WANYA, na Blogosfera:

http://wanya-escalaemorongo.blogspot.com/

http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/257325.html

http://janelaurbana.clix.pt/ler-1001-categoria-7.html

http://www.truca.pt/imaginario.html

http://va.vidasalternativas.eu/?p=623

http://casamarela5b.blogspot.com/2007/09/brevemente-reedio-de-wnya-escala-em.html

http://casamarela5b.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

http://tebeosfera.com/Obra/Tebeo/BuruLan/ElGlobo/Indice.htm

http://www.regiaodeleiria.pt/index.php?lop=conteudo&op=621bf66ddb7c962aa0d22ac97d69b793&id=898dd88cca7b2f65461bc491dacb9b25&drops%5Bdrop_edicao%5D=50

http://matebarco.multiply.com/reviews

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/221114

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=321017&visual=26&tema=5

http://sara-franco.blogspot.com/2008/01/entrevista-para-o-programa-de-rdio.html

http://becodasimagens.blogspot.com/

http://www.bedeteca.com/

http://chavedoburaco.blogspot.com/

http://palaciodasvarandas.blogspot.com/

***

Nota de Rodapé

Caros amigos,


Não se esqueçam de aparecer no lançamento de "Wanya - Escala em Orongo", que, como temos vindo a lembrar, terá lugar, amanhã, dia 26 de Janeiro, pelas 16h30, na Livraria Trama, R.S. Filipe Nery, ao Rato.
Rui Zink, Geraldes Lino e José de Matos-Cruz irão apresentar o livro que revolucionou a banda desenhada portuguesa.
O Palácio das Varandas, através do seu Almirante, Augusto Mota, autor do texto, far.se.á representar às mais altas esferas!!!!!

24/01/2008

2ª Edição de Wanya - Escala em Orongo, uma viagem no tempo...



Porque estamos a dois dias do lançamento da 2ª edição de "Wanya - Escala em Orongo", achámos pertinente "pedir emprestados" alguns textos e imagens, à Sara Franco e à Maria João Franco.
Mas, se quiser, e, achamos, obviamente, que o deverá fazer, ler todos os pormenores sobre esta obra, e, também sobre a entrevista feita, em 1973, por Vasco Granja, a Augusto Mota e Nelson Dias, faça.o aqui...

1 .Augusto Mota ( fotografia actual )
VASCO GRANJA SOBRE "WANYA - ESCALA EM ORONGO", EM 1973

Nelson Dias
, um pintor que se sentiu atraído pela linguagem da banda desenhada, confessa-nos que este meio de comunicação é a mais específica forma de arte que conhece. Professor de Desenho na Escola Industrial e Comercial de Leiria desde 1964, Nelson Dias acaba de lançar, em edição da Assírio e Alvim aquilo que pode ser considerado o primeiro álbum de narração figurativa portuguesa de concepção moderna: Wanya - Escala em Orongo.
Dias é o autor dos desenhos e a seu lado encontra-se Augusto Mota, que escreveu o argumento deste álbum. Igualmente professor da Escola Industrial e Comercial de Leiria, Augusto Mota tem desenvolvido uma actividade constante na crítica literária e nas artes gráficas, tendo participado em diversas exposições colectivas de pintura.
Para Nelson Dias a narração figurativa é um meio eficaz de comunicação, especialmente em Portugal onde tudo está por explorar num domínio tão vasto e aliciante.
Perguntei a Nelson Dias quais os autores que mais o influenciaram na criação do seu estilo. "Não directamente", respondeu o desenhador, "mas Saga de Xam, de Nicolas Devil, representou muito para mim, estimulando-me bastante no sentido da criação gráfica. Influências de outros autores só por acaso é que as poderia sentir."
Augusto Mota, por seu lado, acha benéfico o aparecimento de Wanya - Escala em Orongo, por permitir um movimento de expectativa em torno de novos autores. Qualquer coisa talvez semelhante ao que está a passar-se em Espanha, onde nestes últimos tempos surgiram numerosos autores de estilos diversos e apresentando criações que nada têm a ver com a produção tradicional. Três anos foi quanto levou a executar este álbum aos seus autores. Claro que este prolongado período só se compreende num país onde os quadradinhos não são ainda considerados como uma manifestação artística. Mas Mota e Dias confiam na boa recepção do seu trabalho por parte do público e da crítica. Ambos estão atentos ao que de mais importante se passa em Espanha, na Itália, na França, nos Estados Unidos. Autores como Esteban Maroto, Enric Slo, Victor de La Fuente, Hernandez Palacios, José Bea, Guido Crepax, Philippe Druillet ou Robert Crumb significam muito para os dois criadores de banda desenhada. Certamente que o impacte gráfico nestes autores é frequentemente superior à validade temática das suas histórias.
Um tipo de narração figurativa tomando como base a crítica da sociedade, ou seja, uma forma de arte de intervenção social, é aquilo que preocupa Nelson Dias e Augusto Mota. Tudo isto é visível em Wanya, onde se nota uma mensagem pacifista de carácter universal, propondo-se a heroína desta história eliminar os derradeiros vestígios de uma civilização que pretende fazer da guerra a sua razão de ser. Tendo perfeita consciência dos problemas que afectam o aparecimento de um estilo português de banda desenhada, Augusto Mota e Nelson Dias sugerem em Wanya uma das vias possíveis para a concretização da actividade normal neste sector da criação artística - reflectir nos quadradinhos os problemas que preocupam o homem, servindo-se de uma concepção gráfica autónoma sem qualquer referência obrigatória às produções estrangeiras.
Wanya - Escala em Orongo é a prova evidente de que pode existir uma banda desenhada portuguesa de qualidade. Mas a última palavra cabe, como não pode deixar de ser, ao público, que decidirá se deve apoiar ou contestar o esforço de Augusto Mota e Nelson Dias.

Texto de Vasco Granja (1973)
(Publicado por Sara Franco)
***

2 .Nelson Dias ( fotografia de Augusto Mota )

3 .Convite.


4 .Capa Final de "Wanya - Escala em Orongo"


3 .Prancha inédita.

"WANYA - ESCALA EM ORONGO", UMA TOMADA DE POSIÇÃO NO CONTEXTO CULTURAL PORTUGUÊS

Um acontecimento de relevante importância ocorreu recentemente na Livraria Opinião com o lançamento de um álbum de banda desenhada que se afasta deliberadamente de tudo aquilo que se fez até hoje em Portugal: Wanya – Escala em Orongo.
Os seus autores, Augusto Mota e Nelson Dias, concederam-nos alguns momentos de atenção, durante os quais procurámos avaliar as suas intenções, detectando o que representa para ambos a linguagem da banda desenhada.

Vasco Granja – Diga-me, Augusto Mota, que significa a vossa criação de “Wanya – Escala em Orongo”?

Augusto Mota – Parece-me ser necessário referir, em primeiro lugar, a necessidade de produzir banda desenhada, encarando este facto como uma experiência importante para nós.
É também uma experiência importante editar uma obra como “Wanya - Escala em Orongo”. É também uma enorme responsabilidade para o editor, pois, como se sabe, verifica-se uma certa relutância no nosso meio em editar banda desenhada como uma forma de arte.

V.G. – É portanto uma experiência inédita para vocês.


A.M. – Eu até preferia chamar-lhe, em vez de banda desenhada, um outro nome, por exemplo, narração figurativa, pois de “Wanya – Escala em Orongo” sai um pouco fora do âmbito normal dos quadradinhos na medida em que o grafismo é diferente, concedendo um lugar destacado a uma visão subjectiva, e o texto é utilizado com uma força distinta do habitual, sublinhando determinados aspectos do desenho. Com esta obra, e sem pretender intelectualizar a narração figurativa, tentámos que ela fique enquadrada, no contacto português, dentro do plano de criação cultural positiva.
Por entendermos que muitos dos intelectuais portugueses se afastam de tudo o que seja a narração por imagens, decidimos mostrar que esta deficiência de natureza estética não tem justificação.
“Wanya – Escala em Orongo”, significa portanto uma tomada de posição em relação a certos preconceitos mantidos por uma geração que não aceita a originalidade da narração figurativa.

A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM

V.G. – Encara a narração figurativa como uma forma de arte?

A.M. – Sim. Tudo o que é imagem tem um significado muito especial no mundo de hoje. Permito-me destacar a importância da narração figurativa onde a imagem representa uma função diferente daquela que desempenha no cinema ou na televisão, cujo carácter fugitivo não permite o espectador apreender os seus pormenores. Claro, trata-se de linguagens distintas, cada uma delas com os seus próprios princípios.

V.G. – A narração figurativa para si é o meio ideal de comunicação?

A.M. – Para mim, representa alguma coisa mais do que aquilo que nos permite a palavra.

V.G. – Como nasceu “Wanya – Escala em Orongo”?

A. M. – O trabalho inicial deve-se a Nelson Dias, que começou a criar desenhos sem qualquer texto. Executou seis pranchas, mostrou-mas e solicitou a minha colaboração como argumentista.

UMA EXPERIÊNCIA QUE RESULTOU

V.G. - É melhor perguntar a Nelson Dias como a história se desenvolveu…


Nelson Dias – Tudo começou por eu sentir uma irresistível necessidade de desenhar. Sou pintor por formação e toda a minha vida tem sido dedicada à pintura. Mas em certo momento, numa época em que as condições de trabalho não eram muito favoráveis, por não dispor de um estúdio para pintar, decidi começar a desenhar segundo uma óptica particular que é a narração figurativa.
A banda desenhada exige uma disciplina muito peculiar. Inventei uma personagem, sem pensar em qualquer base narrativa, pois nunca pensei que as experiências então feitas levassem à concepção de uma história. Estava convencido de que não passava de uma experiência, da qual acabaria por desistir devido a diversos factores.
Quando cheguei a acumular seis pranchas mostrei o trabalho ao Mota que se entusiasmou e comprometeu-se a elaborar um texto, obrigando-me a prosseguir o que estava feito.

A BANDA DESENHADA É POSSÍVEL EM PORTUGAL

V.G. – Como vê o aproveitamento deste álbum no panorama geral da cultura portuguesa?

N.D. – A nossa preocupação é mostrar que se pode fazer banda desenhada em Portugal. Com conteúdo filosófico tão empenhado como o que estamos habituados a ver na produção estrangeira. Como não há revistas onde os originais portugueses possam ser publicados, a solução que nos pareceu melhor foi a edição do álbum, o que nos permitiu uma maior liberdade de concepção gráfica. A este respeito posso dizer que “Wanya – Escala em Orongo” não teve qualquer imperativo comercial a limitar o nosso esforço criativo

Entrevista com Vasco Granja
(Publicado por Sara Franco)

22/01/2008

e o Almirante agradeceu ...

Textos Transversais de Augusto Mota.

o nosso presente de aniversário ...

...feito de palavras, música e fotografias... PARABÉNS ,ALMIRANTE!!!!!!!!!

1 .mas foi assim que, no ano passado, comemorámos esta efeméride ...


... cantam as nossas almas
para o nosso Almirante
uma salva de palmas ...

FELICIDADES!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
deseja.lhe a tripulação - do Contra Almirante ao Grumete
2 ... e, há dois anos, foi assim que o fizemos ...

"estamos sós com aquilo que amamos"

é o vigésimo segundo dia do mês de Janeiro ."esse ponto exacto à volta do qual tudo oscila, testemunha do balanço entre a noite de um inverno exterior e a aurora de uma primavera interior"
o dia cai .a noite antecipa-se
é o 22º dia do mês de Janeiro .o rito .a celebração da arte ,na Arte...
salut! ao alto da gávea .a um palácio de palavras e imagens grés

divagamos...
sabemo-nos presos a um corpo ,presos à matéria ,e ,recusamos aceitar ser esse o local da nossa morte .um corpo ,afinal ,nada mais é do que um fim que se elabora num erro .então ,só podemos aspirar aos objectos que tenham o estatuto de pensamento .mas ,também neste caso ,os objectos tornam-se insuportáveis ,na medida em que o corpo ,como objecto criador do pensamento , também é insuportável .e ,é esta deficiência técnica que ,para os cépticos ,como eu ,faz surgir a estranheza e o medo da morte
todavia ,tudo isto é um erro .um erro crasso
primeiro ,porque na dicotomia objecto/corpo ,objecto/pensamento ,há ,apenas ,uma verdade insofismável - cada um ,ao nascer ,transporta ,em si ,um cadáver
segundo ,porque há que aprender os limites da ideia .há que saber os limites da linguagem .há que saber ser nos limites da linguagem e da matéria .saber ,ainda ,calcular a distância entre a matéria e o pensamento ,entre a nossa vontade perceptiva e o estado real do objecto ,porque a mesma pode resultar da fuga do objecto
este deixa de ser para querer ser
então ,os objectos podem deixar de existir .existe sim a esperança do objecto que especifica a fuga e a ausência ,e esta é a forma de consciencializar uma afeição
todavia ,a falta do objecto nunca nos faz aproximar dele ,porque realmente o que amamos é a ausência ,a deslocação ,a esperança do objecto ."estamos sós com aquilo que amamos" - escreveu Friedrich Novalis
julgo imperioso cultivar o espaço bruto se quisermos ,de facto ,escrever o Poema Final
deambulamos num espaço ,literalmente ,vazio ,no espaço que fica entre corpos e ideias ,nomes e/ou objectos .mas ,como preencher esse vazio?
um Poeta ,por exemplo ,sobe as montanhas da Palavra e aí ,entre o dia e a noite ,julga-se um fugitivo ,sem saber que nunca sai do mesmo lugar .deseja ser um grito e ter asas de ouro .mergulha a fronte suave nas mãos geladas e deixa o corpo cair .sonha .procura na terra negra uma flor azul .sabe da escuridão e do frio que enchem esse vazio
então ,e só então ,cumpre-se na Ausência
gabriela rocha martins.



20/01/2008

15, 16 e 17



Textos Transversais de Augusto Mota.

17/01/2008

....................

o silêncio
desceu as veredas
e constituiu.se
voz
no lado sul da encosta
norte
o vento deixou
o ritmo
acre
do suor
era tarde
meu amor
quando desceste
suado
das madrugadas


Poema de Gabriela Rocha Martins
Fotopoemas de Augusto Mota sobre textos de Anamar e Gabriela R Martins.

14/01/2008

Lírica

Sete Rios
Entrecampos
Olha Adília
O Campo das Cebolas!

As palmeiras carecas
os cravos-da-Índia
os lírios roxos esparsos
serão flores da tua estima
no roupão do Senhor dos Passos
no reboliço das rimas
Os anjinhos de cuecas
no teu bazar de bonecas
nuas ou vestidinhas
são lírios e profecias
borboletas e azias
Sete Rios
Entrecampos
Olha Adília
O Mar da Palha!
O cheiro da tua rima
é precioso e é novo
gosto dessa comidinha
e do poema do ovo




Poema de José Marto, in "profanus"
Textos Transversais de Augusto Mota.

10/01/2008

Wanya - Escala em Orongo :: Lançamento

Caros amigos,

Convido-vos a estarem presentes no lançamento do livro "Wanya - Escala em Orongo", que terá lugar no próximo dia 26 de Janeiro, pelas 16h30, na Livraria Trama, R.S. Filipe Nery, ao Rato.
Rui Zink, Geraldes Lino e José de Matos-Cruz irão apresentar o livro que revolucionou a banda desenhada portuguesa.
Apareçam!
Sara Franco
Contactos:
email: wanya2008@gmail.com ( por razões técnicas o email oficial passará a ser este )
cell: (+351)96 006 10 76