08/03/2008

Dia Internacional da Mulher


celebrado pelo jardineiro-filósofo ,almirante desta nau ,e de seu nome ,Augusto Mota
.único!

07/03/2008

Parabéns a Você!


Parabéns a você
nesta data querida
muitas felicidades
muitos anos de vida
Hoje é dia de festa
cantam as nossas almas
para a menina Ana
uma salva de palmas

Para a Ana Ramon [ da tripulação - desde o almirantado aos grumetes - do Palácio das Varandas]
Texto transversal de Augusto Mota.

04/03/2008

O Orelhas

Imortal canção infantil de Susy Paula, actualizada.

01/03/2008

apresentação de "delete.me"

No âmbito das Comemorações de João de Deus,
a Caixa de Crédito Mútuo de São Bartolomeu de Messines, a Folheto, Edições & Design e a autora, têm o grato prazer de convidar V Ecia e Família
para a apresentação da obra

delete.me

por Mestre Silvestre Raposo

seguida de leituras por Hélia Coelho


no próximo dia 8 de Março, pelas 18h00, no Auditório da Caixa de Crédito Mútuo de São Bartolomeu de Messines

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****
*

Blogues que referem esta apresentação

Nova Águia ( Na Agenda Mil - notícias relativas ao mês de Março )
Folheto, Edições & Design
canto.chão

Crónicas de um Pássaro de Corda
Matebarco
No Princípio Era o Caos


28/02/2008

Quadras & Quadros



Poemas de António Simões
Ilustração e Composição de Augusto Mota

25/02/2008

convite


A Direcção da Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra, no âmbito das Comemorações do 178º Aniversário do Nascimento de João de Deus, convida Vª Excia e Família para o lançamento da obra
delete.me
de
gabriela rocha martins

a realizar dia 8 de Março de 2008, pelas 18h30, no auditório pequeno da Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines

21/02/2008

21 de Fevereiro de 2008

uma data especial
muito especial, mesmo, para a Fernanda e para mim.....
Fotopoema de Fernanda Sal Monteiro.

20/02/2008

Comunicado de Sua Excelência o terrorista Binlada a Portugal

não resisti à tentação ... mas é que não resisti mesmo ...
obrigada Paulo

19/02/2008

tive carta, hoje


a inspiração
escreveu-me finalmente
( já estava em cuidados! )
a dizer
que chegaria às sete;
vou à estação
esperá-la à camionete -
mas como eu,
como parece evidente,
sou simultaneamente
camionete, estação, inspiração,
como sou da viagem
o princípio
e o fim,
fico cá dentro
à espera de mim.


Poema inédito de António Simões, 28.01.1981
Fotopoemas de Augusto Mota sobre poemas de João Vário e gabriela r martins

12/02/2008

o coração invisível

procuravas as palavras mais simples,
as palavras simples como as coisas,
que cantassem e rissem
e caíssem das árvores como as folhas;
as palavras que pudesses trazer presas nos dedos
e libertasses ao encontro dos outros,
como essas que pões na mesa
e repartes com tua mulher
e acariciam teus filhos;
procuravas talvez uma ou duas
que devolvessem a teus olhos claros
a perdida harmonia
e, fáceis e redondas,
rolassem pelas colinas da tarde inquieta,
rolassem até onde o canto da noite
aguarda a sua vez de soprar sonhos e estrelas
nos nossos ouvidos;
e regressassem depois em árvores lúcidas
onde nossos braços crescessem e se alongassem -
palavras sabendo a pão e coragem,
visita ou carta de alguém muito querido;
palavras que pudesses afeiçoar
com plaina e formão,
e as polisses ( ou deixasses por polir ),
e como pedras lisas ( ou ásperas )
as empilhasses no coração da Hora,
e evidentes as mostrasses e as desses,
e a quem procurasse o significado de tudo isto,
dissesses simplesmente:
estou a comunicar contigo
e a minha circunstância,
desci da minha ilha
pela escada do poema,
e estendo-te as minhas mãos-palavras,
meu coração visível
aberto ao teu.


António Simões, poema inédito, 1969
Textos Transversais de Augusto Mota.

08/02/2008

omnia vincit amor


"[...] ainda que os antigos beberam primeiro nas fontes, nem por isso as esgotaram: Multum egerunt qui ante nos fuerunt, sed nom peregerunt, diz Séneca [...]"
- Sermão da Conceição Imaculada da Virgem Maria, Padre António Vieira, s.d.
Completaram.se, na passada quarta.feira, dia 6 de Fevereiro, 400 anos sobre o nascimento de António Vieira, mais conhecido, pelo Padre António Vieira. Nasceu em Lisboa e faleceu em São Salvador da Baía, em Junho de 1697. Foi, segundo Fernando Pessoa, "o imperador da língua portuguesa". Viveu entre Portugal e o Brasil. Foi, ainda, padre jesuíta, diplomata e um dos mais acérrimos defensores dos cristãos.novos, judeus, índios e escravos. Lutou, intransigentemente, e foi vítima da Inquisição. Tendo sido um dos profetas do 5º Império, angariou amigos, uns ilustres, outros não, e muitos inimigos.
Para mais informações, consulte - http://www.anovieirino.com/



I
Defesa do livro intitulado
QUINTO IMPÉRIO,
que é a apologia do livro
CLAVIS PROPHETARUM,

e respostas das proposições censuradas
pelos senhores inquisidores: dadas pelo
Padre Antônio Vieira, estando recluso nos
cárceres do Santo Ofício e Coimbra



Sendo ontem chamado à mesa, me foi dito que estavam nela os senhores inquisidores para sentenciarem a minha causa, e que antes disso queriam ouvir de mim tudo o que tivesse que dizer ou alegar para bem dela; e porque a última doença (de que estou mal convalescido) me não deixou com forças nem alento para poder falar em público, pedi licença para falar por papel, que me foi concedida. Protesto pois do modo que me é possível, diante desses senhores, que antes de se me dar a notícia que as minhas proposições estavam censuradas, e as censuras aprovadas por sua santidade, fazia eu tenção de propor em presença de vossas senhorias todos os pontos ou questões delas, dando os fundamentos das opiniões que segui, ou determinava seguir, respondendo aos das contraditas; mas depois que me foi dada a notícia da aprovação e autoridade do sumo pontífice, que é argumento a que a minha fé, resignação e obediência, não sabe outra solução senão a da veneração, obséquio e silêncio, sem que para isso seja necessário cativar ou fazer força ao entendimento, que sempre está e esteve sujeito aos menores acenos da Igreja, e de qualquer de seus ministros, havendo por esta via cessado o escrúpulo que só me dilatava; e tendo eu aceitado, sem mais demora da razão, ou explicação das ditas proposições, a todas as censuras delas, e suas dependências, nenhuma outra coisa se me oferece, que possa fazer ou dizer importante ao bem da minha causa, mais que o representá-la a vossas senhorias em um menor e mais abreviado processo, no qual a possa compreender toda junta de uma vez, dividindo-a para isso em partes certas e determinadas, onde se veja brevemente o dilatado, distintamente o confuso, e claramente o escuro e mal declarado por mim: e pois não posso fazer a dita representação com razões vivas (como muito desejava) falarão por mim estas poucas regras, não como nova alegação, pois não digo nelas coisa de novo, mas como um breve memorial deste processo, repartido, para maior facilidade, clareza, e distinção, nas oito ponderações seguintes: (...)

- Excerto de "De Profecia e Inquisição", Pe. António Vieira, Brasília, Estado Federal, 2001.
Iluminura de Wikipédia.





06/02/2008

Estes Putos

o fado de Carlos do Carmo que previa esta brincadeira...
[ de tão irresistível, não resistimos ]

edição de Cabala Produções, 2007.

05/02/2008

ironica mente ,ao R


venero louca
mente
o poeta
que não escreve
.
e rio
rio.me
em rio na maré vaza

poema de gabriela rocha martins
textos transversais de Augusto Mota.

03/02/2008

Macro

a natureza captada num filme de enorme sensibilidade...
[ antes de clicar para ver o filme ,deixe correr a música do Palácio até ao fim ,para usufruir ,plenamente ,os sentidos da vista e da audição .vale a pena ]
fotografias e edição de Pedro Ivo Carvalho

com dois dias de atraso

Rompendo
a pujança verde das folhas,
surgem as estridentes flores.
Prenhes de romãs a haver.
Promessas de Vida.

poema e fotografia de Fernanda Sal Monteiro.

01/02/2008

quando o grumete tem direito a um dia especial

Em carta de marear, o Almirante havia ordenado que este texto transversal fosse publicado ao alvorecer do dia, mas, como o grumete da nau é indisciplinado, por natureza, só agora é que o dá a conhecer. Tem, todavia, uma pequena desculpa.... Dão-se alvísseras a quem a adivinhar.
Texto transversal de Augusto Mota.

Poema de António Simões
Fotografia e composição de Augusto Mota.

29/01/2008

E assim se cumpriu...

16 .Augusto Mota, irmã, Maria Helena, e sobrinha, Cristina Pires.

17 .Augusto Mota assinando um álbum de "Wanya".

18 .Augusto Mota ouvindo, atentamente, Guilherme Valente.

19 .Três amigos.

20 .Um outro ângulo da assistência.

E foi assim, num ambiente descontraído e muito bem disposto, que "Wanya - Escala em Orongo", se reencontrou com o público português, amante de Banda Desenhada.
Fotografias de Nuno Verdasca e Pedro Carvalho.

Para mais tarde recordar

11 .Augusto Mota, Sara Franco e Maria João Franco ( respectivamente, filha e viúva de Nelson Dias ) trocando impressões.

12 .Augusto Mota conversa com Geraldes Lino e Rui Zink.

13 .Augusto Mota, um amigo de ocasião e Maria João Franco.

14 .Guilherme Valente, editor da Gradiva, em conversa com Maria Helena, irmã de Augusto Mota.

15 .Augusto Mota e o casal admirador de Wânya, desde a primeira edição, os sobrinhos ,Marta e Sérgio.
fotografias de Pedro Carvalho.

28/01/2008

Uma nova sequência de fotografias

6 .Guilherme Valente, o editor, no uso da palavra.

7 .Os prefaciadores e apresentadores, Rui Zink, à direita, Geraldes Lino, ao centro, e, José de Matos-Cruz, à esquerda.

8 .O autor do texto, Augusto Mota, à esquerda, Maria João Franco, o personagem Wanya, em carne e osso, José de Matos-Cruz, ao centro, e, Geraldes Lino e Rui Zink, à direita.

9 .Augusto Mota, dando autógrafos.

10 .Parte da assistência, mais concretamente, os sobrinhos de Augusto Mota, vendo-se, à direita, Pedro Carvalho, o principal responsável por esta reportagem...
[Nota
Amanhã, se a Blogger o permitir, apresentaremos as demais fotografias desta reportagem]
Fotografias de Nuno Verdasca, Cristina Pires e Pedro Carvalho.

A reportagem fotográfica que se impõe

Como noticiámos, no passado sábado, na Livraria Trama, R.S Felipe Nery ( ao Rato ), e, na presença de Guilherme Valente, editor da "Gradiva", o Álbum "Wanya - Escala em Orongo" viu a luz do dia.
Rui Zink, Geraldes Lino e José de Matos-Cuz, os prefaciadores, foram, também, os responsáveis pela sua apresentação, como se verá nesta reportagem.
Mas, vamos seguir a sequência fotográfica......



1 .O autor do texto, Augusto Mota, a ser entrevistado por Isabel Lucas, do Diário de Notícias, na Livraria, um pouco antes da sessão começar...

2 .A boa disposição, como é visível, reinou durante toda a sessão. À esquerda, vê-se Augusto Mota, ao centro, a pintora Maria João Franco, viúva de Nelson Dias ( autor das pranchas desenhadas ), e em quem o mesmo se inspirou para dar vida ao personagem Wanya, e, à direita, José de Matos-Cruz, autor e crítico literário de BD.

3 .Augusto Mota e Alberto Pimenta que não carece de apresentações.

4 .Augusto Mota e Orlando Cardoso, historiador, escritor e poeta que, recentemente, foi galardoado com o 1º Prémio de Poesia pelo IPL ( Instituto Politécnico de Leiria ).


5 .Augusto Mota, o Almirante do "Palácio das Varandas" e um jardineiro/poeta multifacetado, no uso da palavra.

Fotografias de Pedro Carvalho e Nuno Verdasca.

27/01/2008

No rescaldo e ainda a quente...

Em breve o Palácio das Varandas publicará reportagem fotográfica do evento.


Hoje, no Diário de Notícias, e ontem, no Jornal de Notícias
saíram reportagens sobre o assunto. Está melhor o texto
do DN, pois a jornalista foi à livraria falar comigo e
levou fotógrafo. No Público ainda não saíu por
questões de espaço, segundo informação
do jornalista que aqui veio falar comigo,
há mais de duas semanas, e esteve
ontem, também, no lançamento.



http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=321017&visual=26&rss=0

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=314668

http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/257325.html

http://www.gradiva.pt/livro.asp?L=100291

http://janelaurbana.clix.pt/ler-1001-categoria-7.html

http://matebarco.multiply.com/reviews/item/68

http://www.noticiasdamanha.net/?lop=artigo&op=b73ce398c39f506af761d2277d853a92&id=68482ad368c7b9779cf50a7164815379

http://www.noticiarium.com/content/view/61264/8/lang,pt/

http://palaciodasvarandas.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo-lanamento.html

http://www.bedeteca.com/

http://jn.sapo.pt/2008/01/26/cultura/classico_portugues_anos_reeditado.html

http://va.vidasalternativas.eu/?p=623

http://dn.sapo.pt/2008/01/27/centrais/memorias_descoberta_ovni_bd_portugue.html

http://dn.sapo.pt/2008/01/27/centrais/wanya_retrato_um_album_culto.html

http://eco-associacao.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo.html

http://www.regiaodeleiria.pt/?lop=conteudo&op=621bf66ddb7c962aa0d22ac97d69b793&id=cc735352db842232a33b3d1edd26f8f6&drops[drop_edicao]=438&drops[drop_edicao]=438

http://becodasimagens.blogspot.com/2008/01/wanya-escala-em-orongo-amanh-pelas.html

http://becodasimagens.blogspot.com/2008/01/wanya-wanya-escala-em-orongo-de-augusto.html

http://www.truca.pt/agenda.html

http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/276027.html?mode=reply

http://www.orelhas.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=50329&Itemid=99999999

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/221114

http://www.tebeosfera.com/Obra/Tebeo/BuruLan/ElGlobo/Indice.htm

http://casamarela5b.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

http://chavedoburaco.blogspot.com/2008/01/prximo-dia-26-lanamento-de-2-edio-wanya.html

http://acores2010.blogspot.com/2008/01/35-anos-depois.html
- Augusto Mota.

25/01/2008

Véspera de Lançamento - "Wanya - Escala em Orongo"



MEMÓRIAS & EMOÇÕES


Em todas as artes, como em todas as coisas, há instantes ou referências que, para sempre, permanecem indeléveis - como fenómenos únicos, fascinantes e irrepetíveis. Pessoalmente, destacaria as circunstâncias excepcionais que, nos recentes Anos ’70 do Século XX, me revelaram Wanya - Escala em Orongo de Augusto Mota (texto) e Nelson Dias (desenhos) - uma aventura visionária e metafórica, testemunho a preto-e-branco, tratando em pontilíneo as ideias e os ideais relativos ao desígnio humano.

Conhecia Augusto Mota de muito antes da Wanya - particularmente, várias ilustrações suas vieram publicadas em suplementos juvenis que eu coordenava no Diário de Coimbra e no Mar Alto (Figueira da Foz). Aí também divulgava as histórias em quadradinhos, quando recebi em Coimbra a visita de Augusto - nascido em Leiria (1936), onde vivia, tal como Nelson (1940-93) - trazendo uma surpresa deslumbrante: os primeiros originais de Wanya, para uma vista de olhos e uma troca de impressões.

Fiquei espantado pelas virtualidades, nunca poderia imaginar uma tal obra-prima e por autores portugueses! Logo, propus dar início a uma campanha de difusão - tanto quanto possível vasta e, mesmo, além fronteiras. Em Dezembro de 1973, Wanya - Escala em Orongo consumou-se em álbum e, a partir de então, teve uma notável carreira pública. Mas os autores não esqueceram aqueles trâmites e, em especial, o envolvimento que o fanzine Copra havia estimulado, com um destacável de Boomovimento.

Assim, quando Copra desafiou os artistas de banda desenhada a conceberem, num máximo de seis pranchas (mais capa), uma heroína com o nome do seu título («em qualquer figura, profissão ou dimensão, temporal e espacial») - dando, afinal, corpo a um projecto que, desde o início, tivera em mente e me animara - Augusto Mota e Nelson Dias foram os primeiros a apresentar a sua versão... Esse magnífico trabalho, A Flor da Memória, foi publicado no número 3 de Copra, pela Primavera de 1974.

Um estilo coerente, evolutivo, sintetizava a narrativa épica e poética de Augusto Mota, orlando o grafismo minucioso e preciosista de Nelson Dias. Tanto em Wanya como em Copra, os autores optaram por uma linguagem inusitada, de modo a propor uma leitura/fruição dinâmica, por páginas a par, duas a duas, e não isoladamente. Quanto aos exemplos comuns da época, depreciavam uma conotação erótica que sagrara Barbarella, valorizando embora a pendência feminista de uma Saga de Xam...

Segundo Augusto Mota, «Wanya é o símbolo de um anseio… O facto de ser mulher, acentua o significado de uma ambiência mais criadora, fecunda mesmo, na medida em que gera vida com seu corpo e suas acções. Ela é um mensageiro de amor e paz, empenhado na construção do Futuro. Pelo epílogo, depois da destruição nuclear que aniquilou a superfície do planeta Orongo, há uma exortação de fé na autogestão do povo de Citania, séculos abrigado sob as cordilheiras de Lerga».

Para Nelson Dias, tratar-se «de uma mulher releva, ainda, uma evidente preocupação de não-agressividade, pois Wanya não recorre a armas nem faz uso da força - a não ser, uma vez em que está em causa a sua dignidade. Mesmo então, reage numa luta corpo a corpo - em defesa natural, quase instintiva. A violência que perpassa é sempre contada em flashback, como recordação - tanto do que vitimou Orongo, como do que ocorreu na Terra, antes de ter superado uma atávica inclinação guerreira».
José de Mattos-Cruz, in www.truca.pt



AS MIL ARTES DE AUGUSTO MOTA QUE CRIA PARA O PÚBLICO, NÃO PARA EXPOSIÇÕES

Há mais de 30 anos, Augusto Mota dizia assim numa entrevista dada ao “Jornal de Notícias”: “Cada artista devia – utopicamente devia – ensinar tudo e a toda a gente. As escolas, as fábricas, as oficinas, deviam ser orientadas por um gosto novo e consciente. Tudo como está me parece desencontrado.”E, muitas linhas abaixo, respondia que “o mural é a forma mais útil de participação na comunidade, a mais responsável. (…). Será, sobretudo, a forma menos egoísta de realização artística, se não se trair a sua função popular e o deixarmos estar no jardim, na escola, na gare, na praia, na fábrica, no café, no cinema, na igreja, em todos os sítios onde a vista não tenha reservado o direito de admissão.”Se bem o disse, melhor o fez. Na Escola Domingos Sequeira, onde foi professor de inglês, o artista plástico Augusto Mota deixou um grande trabalho seu em espaço público, colocado bastante tempo antes de se aposentar.Para uma das paredes do desaparecido Café Colipo, pintou uma gigante “Lenda do Lis e Lena” que está hoje armazenada algures, com mazelas difíceis de recuperar.Para as instalações da antiga “Carvalho & Catarro”, concebeu “As conquistas da Ciência”, um painel de quatro metros cujo paradeiro desconhece.Quase do mesmo tamanho, eram dois trabalhos que decoravam as paredes dos Supermercados Ulmar. “Foram assassinados”, lamenta hoje Augusto Mota. Uma parte da sua superfície está escondida por prateleiras; e o resto foi coberto por tinta plástica. Serão recuperáveis? “Talvez…” – diz Augusto Mota com grandes reticências. “É mais importante a intervenção artística nos espaços públicos do que nas galerias”, teima Mota em repetir, não obstante os desaires relatados. E foi com essa preocupação social que, quando jovem, se juntou a Miguel Franco, Guilherme Valente e Rui Branco, com Álvaro Morna a fazer uma perninha, para publicarem regularmente o “Pinhal Novo”, suplemento cultural do REGIÃO DE LEIRIA. E – parece mentira! – pagavam, dos seus próprios bolsos, 500 escudos para a inserção de cada edição neste semanário.Cultor de solidariedades, Augusto Mota participou, nos idos de 60, noutra experiência de grupo: uma mostra colectiva de poesia ilustrada através da qual um grupo de jovens intelectuais leirienses levou as suas preocupações sociais a expôr em Leiria, Marinha Grande e Monte Real. A única frase que recorda, das que ficaram registadas no livro de honra, dizia assim: “Mereciam ir todos presos”.Outro sinal da repressão sufocante que foi contemporânea da juventude de Augusto Mota, foi a apreensão dos exemplares da revista “Gafanhoto”, um periódico de banda desenhada que custava cinco tostões na Papelaria Vital, no edifício do Mercado de Santana, no sítio onde ainda há poucos anos existia um talho. O miúdo Augusto, que assistiu à cena de olhos arregalados, teve dificuldade em perceber porque é que aquele senhor, afinal um polícia à paisana, não deixava que uma tão inofensiva revista se vendesse. E a surpresa da criança não ficou mais pequena, quando lhe explicaram que… a culpa era do Cuto, um garoto traquinas cujo desenhador, Jesus Blasco, fazia viver aventuras demasiado rebeldes para uma época em que todas as actividades e leituras dos adolescentes não podiam desviar-se dos domesticantes parâmetros da Mocidade Portuguesa.Talvez tenham sido estas proibições aquilo que desencadeou em Augusto Mota um fascínio muito especial pela banda desenhada, que culminaria com a sua participação, como argumentista, na elaboração de “Wanya – Escala em Orongo”. Editado em 1973, foi um álbum de sucesso, que chegou a ser traduzido para a Alemanha.Porém, já dez anos antes Augusto Mota se aventurara noutro empreendimento: o do desenho animado. “Variações sobre o mesmo Traço” foi uma experiência concebida mediante técnicas muito pessoais, que lhe granjeariam uma meia dúzia de prémios, incluindo dois primeiros: num concurso de cinema de amadores da Figueira da Foz e no Primeiro Festival Nacional de Cinema de Amadores de Guimarães.Para realização pessoal, criou outros filmes que guarda para si. Alguns foram realizados de parceria com o conhecido poeta Alberto Pimenta, seu colega de curso em Coimbra. Aliás, os primeiros quatro livros de Alberto Pimenta possuem assinatura de Augusto Mota. Como tantos outros, dos mais diversos autores. E como os livros de todos os autores, que o leitor porventura adquira na Livraria Martins. Quer dizer: são de sua autoria, os desenhos das sobre-capas que a livraria oferece. …E encerramos com a frustração de ter deixado muito por dizer. Das incursões de Augusto Mota pela escrita, da sua intensa actividade como gravador de linólio, madeira, serigrafia, da sua componente humanística colocada ao serviço da população da sua Ortigosa, do seu culto pelas plantas, bem evidenciado no seu desafogado jardim, onde todas as espécies estão identificadas…Vejam lá, que até o nosso propósito inicial ficou no tinteiro! Que era destacar o pioneirismo de Augusto Mota nas artes gráficas leirienses. Os seus cartazes, que muita gente tem visto e pouca tem identificado o autor… Os seus logotipos criados para as mais diversas empresas ou instituições… Os seus estudos para caixas de tomates, tampos de sanita, copos, óculos, camisas, pão de ló…

*Este texto foi publicado no Região de Leiria em 2 de Setembro de 2000, assinados por "José Freire de Oliveira". A utilização do nome completo do autor (e coordenador do Buraco da Fechadura) era uma exigência da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, com a alegação de que já existia uma carteira emitida com esse nome, para um fotógrafo que assinava profissionalmente "José Oliveira". A situação foi ultrapassada na revalidação seguinte da carteira, mercê da declaração do fotógrafo homónimo que amavelmente declarou que não publica textos, ao mesmo tempo que o coordenador do 'Buraco' declarava que não assina fotos.

posted by Zé Oliveira

Referências, à 2ª edição de WANYA, na Blogosfera:

http://wanya-escalaemorongo.blogspot.com/

http://kuentro.weblog.com.pt/arquivo/257325.html

http://janelaurbana.clix.pt/ler-1001-categoria-7.html

http://www.truca.pt/imaginario.html

http://va.vidasalternativas.eu/?p=623

http://casamarela5b.blogspot.com/2007/09/brevemente-reedio-de-wnya-escala-em.html

http://casamarela5b.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

http://tebeosfera.com/Obra/Tebeo/BuruLan/ElGlobo/Indice.htm

http://www.regiaodeleiria.pt/index.php?lop=conteudo&op=621bf66ddb7c962aa0d22ac97d69b793&id=898dd88cca7b2f65461bc491dacb9b25&drops%5Bdrop_edicao%5D=50

http://matebarco.multiply.com/reviews

http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/221114

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=321017&visual=26&tema=5

http://sara-franco.blogspot.com/2008/01/entrevista-para-o-programa-de-rdio.html

http://becodasimagens.blogspot.com/

http://www.bedeteca.com/

http://chavedoburaco.blogspot.com/

http://palaciodasvarandas.blogspot.com/

***

Nota de Rodapé

Caros amigos,


Não se esqueçam de aparecer no lançamento de "Wanya - Escala em Orongo", que, como temos vindo a lembrar, terá lugar, amanhã, dia 26 de Janeiro, pelas 16h30, na Livraria Trama, R.S. Filipe Nery, ao Rato.
Rui Zink, Geraldes Lino e José de Matos-Cruz irão apresentar o livro que revolucionou a banda desenhada portuguesa.
O Palácio das Varandas, através do seu Almirante, Augusto Mota, autor do texto, far.se.á representar às mais altas esferas!!!!!