PALÁCIO DAS VARANDAS
os poetas - a sangue e lava - revelam surpresas selvagens
29/03/2019
20/03/2019
12/03/2019
22/02/2019
Café com Livros
No dia 26 de Janeiro, p.p., teve lugar
no museu Moinho do Papel, em Leiria, a 29ª tertúlia “Café com Livros”, tendo como convidado o “Contador de Histórias
itinerante” Carlos Alberto Silva.
Juntar amigos é um privilégio, fazê-lo
em prol das palavras é um prazer, por isso as Trêstúlias começaram por desejar as
boas vindas a todos os amigos, porque é nessa qualidade que cada um é sempre recebido
e tido nestas tertúlias.
“Café
com Livros” não
é uma conferência, não é um seminário, é apenas a essência da verdadeira
tertúlia, que se resume a um encontro de amigos que se reúnem para conversar
sobre temas comuns, neste caso ligados à escrita e à leitura, sendo, sobretudo,
um espaço independente, despretensioso.
Num dia frio e chuvoso de inverno
achou-se oportuno começar a tertúlia com uma reflexão sobre uma frase do
escritor Manuel da Silva Ramos:
“neste tempo de solidões só as tertúlias combatem como deve ser o narcisismo mais agudo”.
“neste tempo de solidões só as tertúlias combatem como deve ser o narcisismo mais agudo”.
Lídia Raquel deu uma visão do extenso
currículo de Carlos Alberto Silva, que, enquanto professor e
escritor, desenvolve diversas acções no âmbito da mediação e promoção da
leitura, tanto como autor, como contador de histórias.
Dedicado à investigação e inovação, tem desenvolvido
trabalhos no domínio da Robótica Educativa como instrumento de aprendizagem da
leitura e da escrita. Tem ministrado vários cursos e dinamizadas oficinas no
âmbito das Expressões Artísticas e da promoção e animação da leitura.
Carlos
Alberto Silva
recheia os seus livros com recados ambientais, lendas tradicionais, poesia
divertida e ilustrações apelativas que fazem com que a leitura se transforme no
prazer da interrogação e do conhecimento.
Escritor que nos surpreende com uma
imensa criatividade, saber e boa disposição, tem vários livros publicados e a
sua escrita está espalhada por blogues e exposições:
Antes de dar início à sua participação nesta
tertúlia, Carlos Alberto Silva foi
surpreendido com a leitura de vários textos humorísticos da sua autoria:
A
vingança do guardanapo
- ao ouvir mais uma série de ordinarices do comandante, não aguentou mais e rebentou.
- Vá-vá-á lim-lim-limpar la-latrinas, seu-seu la-lateiro.
Atirou o bivaque para cima do balcão de atendimento e saiu porta fora. O resto da corporação ria perdidamente.
- Ó pá! O gajo não é só engomadinho, também é gago - dizia um escovilhão lambe-botas.
- Pois. É um engo-gugu-mamadinho - respondeu outro.
- Eu é que tinha razão. É um verdadeiro guarda-nabo - rematou o comandante.
Mas cá se fazem, cá se pagam! Quando o esfregão chegou a casa, ao fim do dia, ia tendo um chilique. A mulher, uma bela toalha de bilros, tinha feito as malas e fugira para o Brasil com o guardanapo.
Crivada de dívidas, uma cebola desempregada não teve outro remédio senão aceitar um trabalho de stripper num night-club de terceira categoria.
Horas depois, os clientes, frustrados e lavados em lágrimas, iniciaram um motim e destruíram todo o mobiliário do night-club.
O patrão despediu a cebola imediatamente e pô-la no olho da rua sem lhe dar um tostão.
Mas a cebola não ficou desempregada, não. Um agente de espectáculos, que assistira a tudo, arranjou-lhe emprego como actriz num dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada.
Um guardanapo alvo e engomado foi admitido como agente da
Guarda. O comandante do posto, um esfregão grosseiro e insolente, achava que o
guardanapo era demasiado fino para o exercício daquelas funções e estava sempre
a implicar com ele.
- Olhe lá, você não será antes um guarda-nabo? Isto aqui é
para gajos de barba rija. E quando as coisas não vão a bem, vão mesmo à bruta.
Como é que você, um engomadinho do caraças, vai fazer valer a sua autoridade,
se nem pêlo tem na venta, hã?
O pobre guardanapo ficava humilhadíssimo com estes
comentários boçais, mas engolia em seco e permanecia em silêncio. É que ele,
quando se enervava, gaguejava descontroladamente. E imaginava o vexame que
passaria se descobrissem nele aquilo que seria considerado como mais uma
fraqueza.
Foi ouvindo, foi engolindo, foi enchendo, mas aguentava-se estoicamente, fingindo que fazia orelhas moucas às provocações do sargento esfregão… embora, por dentro, ficasse a ferver.
Numa tarde de pouco movimento - estava o posto cheio de
agentesFoi ouvindo, foi engolindo, foi enchendo, mas aguentava-se estoicamente, fingindo que fazia orelhas moucas às provocações do sargento esfregão… embora, por dentro, ficasse a ferver.
- ao ouvir mais uma série de ordinarices do comandante, não aguentou mais e rebentou.
- Vá-vá-á lim-lim-limpar la-latrinas, seu-seu la-lateiro.
Atirou o bivaque para cima do balcão de atendimento e saiu porta fora. O resto da corporação ria perdidamente.
- Ó pá! O gajo não é só engomadinho, também é gago - dizia um escovilhão lambe-botas.
- Pois. É um engo-gugu-mamadinho - respondeu outro.
- Eu é que tinha razão. É um verdadeiro guarda-nabo - rematou o comandante.
Mas cá se fazem, cá se pagam! Quando o esfregão chegou a casa, ao fim do dia, ia tendo um chilique. A mulher, uma bela toalha de bilros, tinha feito as malas e fugira para o Brasil com o guardanapo.
O Strip-tease da cebola
Crivada de dívidas, uma cebola desempregada não teve outro remédio senão aceitar um trabalho de stripper num night-club de terceira categoria.
Nessa noite, a cebola estava nervosíssima, já que era a
primeira vez que se iria expor assim aos olhares de gente estranha. Mas lá
subiu ao palco e começou a descascar-se. Conforme iam caindo as peças do
vestuário da cebola, a clientela ululante gritava «tira, tira», cada vez com
mais entusiasmo. E a pobre cebola lá se ia descascando a contragosto.
O problema é que, com tanta roupa, nunca mais chegava ao que
interessa. E depois havia aquele estranho odor corporal que ia libertando…Horas depois, os clientes, frustrados e lavados em lágrimas, iniciaram um motim e destruíram todo o mobiliário do night-club.
O patrão despediu a cebola imediatamente e pô-la no olho da rua sem lhe dar um tostão.
Mas a cebola não ficou desempregada, não. Um agente de espectáculos, que assistira a tudo, arranjou-lhe emprego como actriz num dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada.
Multifacetado exprime também as suas
emoções através da poesia:
Havia naquela manhã de Abril
E traz consigo a memória
do velho rei trovador:
- Ai flores do verde pino.
A Salgueiro Maia, nos 40 anos do 25 de
Abril
havia naquela manhã de abril
um odor a cravos
perfumando a cidade
um odor a cravos
perfumando a cidade
eram brancos, vermelhos, matizados
da cor dos sonhos oprimidos
sem idade
havia no ar primaveril
um som de vozes
bailando à toa no eco das ruas
eram risos, cantos, brados festivos
arrojados do mais fundo
das almas nuas
havia no radioso céu de anil
uma alegria pura
sem conta nem medida
e uma maré de gente laboriosa
tomava por fim nas mãos
o rumo da sua própria vida
Carlos Alberto Silva
25.04.2014
da cor dos sonhos oprimidos
sem idade
havia no ar primaveril
um som de vozes
bailando à toa no eco das ruas
eram risos, cantos, brados festivos
arrojados do mais fundo
das almas nuas
havia no radioso céu de anil
uma alegria pura
sem conta nem medida
e uma maré de gente laboriosa
tomava por fim nas mãos
o rumo da sua própria vida
Carlos Alberto Silva
25.04.2014
Pinhal
de Leiria
Num ligeiro remoinho
o vento arrasta a cinza
das flores do verde pino
o vento arrasta a cinza
das flores do verde pino
E traz consigo a memória
do velho rei trovador:
- Ai flores do verde pino.
Quem suspira mansamente
pelos pinhais do litoral?
Será o vento ou o mar?
Ou serão ainda os ecos
duma cantiga de amigo?
- Ai flores do verde pino.
Perdida na bruma densa
do tempo sem remissão
soa a mágoa do poeta:
- Ainda ouvis minha voz?
Ainda vos lembrais de mim?
ó flores do verde pino?
Mas só responde o murmúrio
do vento que arrasta a cinza
das flores do verde pino.
A magia de um grande contador de histórias itinerante revelou-se, de imediato, no sorriso aberto com que Carlos Alberto Silva começou por nos contar a maneira como decorriam as suas sessões de animação da leitura junto dos mais jovens. Também aqui trouxe para dentro da sala uma bicicleta colorida carregando uma grande caixa suspeita e outras caixas mais pequenas, mas não menos suspeitas! Entre todo este aparato delicioso, uma conversa, um livro, um chá e um café quente, a tarde estava a prometer!
No exercício da sua itinerância Carlos Alberto Silva vai transportando
a magia escondida em caixas e caixas carregadas de história e estórias. Carlos Alberto Silva é um escritor que coloca todo um mundo encantado na
simplicidade com que, magistralmente, dá vida às personagens das histórias que
conta através dos seus “Teatros de Papel”. Transforma-se ele
próprio numa criança encantada que, de repente, é apanhada na trama das
histórias que relata. Ver:
Encantou-nos a tarde, deliciou-nos com
as histórias que escreve e com as estratégias que usa para lhes imprimir vida e
encantamento. Sem nos darmos conta enfeitiçou-nos e introduziu-nos também nas
histórias; sorrimos, aprendemos a magia das palmas a tantos dedos; fomos Saramagos
inteiros e divertidos; fomos estranhas formas de nuvens…
Para completar, da forma mais terna e com sabor a futuro, este “Café com Livros”, só outro momento bonito, privilégio até, que foi, de vez em quando, ouvir-se ao fundo da sala o choro ternurento e breve de um bebé, que ao colo dos pais estava pela primeira vez a ouvir estas histórias de encantar… chamava-se Oriana!
Delicioso o tempo que nos permitiu
sonhar através dos contos do nosso convidado, pois como dizia o poeta Sebastião
da Gama, “pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.” E fomos…
Para completar, da forma mais terna e com sabor a futuro, este “Café com Livros”, só outro momento bonito, privilégio até, que foi, de vez em quando, ouvir-se ao fundo da sala o choro ternurento e breve de um bebé, que ao colo dos pais estava pela primeira vez a ouvir estas histórias de encantar… chamava-se Oriana!
Obrigada Carlos Alberto Silva por tanto que nos enterneceu e comoveu; pelo
trabalho fantástico que desenvolve; pela criatividade, pela generosidade com
que dá a sua arte, e pela alegria contagiante com que sorri e põe os outros a
sorrir.
Voltaremos a encontrar-nos por aí, na
itinerância das histórias…
Encerramos este “Café com Livros” com um belíssimo poema que o Carlos escreveu em
2016 e que se chama:
Quando
eu morrer não tragam flores…
quando eu morrer
e morto por morto
basta no esquife
o cadáver que arrefece
que a morte
- porque certa -
não vale o espanto
nem a mágoa da perda
que o peito descerra
e poemas vibrantes
com as memórias felizes
dos dias de antes
perenes como as flores
de pé na terra
Obrigada a todos.
quando eu morrer
não tragam flores
que flor cortada
logo feneceque flor cortada
e morto por morto
basta no esquife
o cadáver que arrefece
não tragam sequer
lamento e prantoque a morte
- porque certa -
não vale o espanto
nem a mágoa da perda
que o peito descerra
tragam histórias
e cançõese poemas vibrantes
com as memórias felizes
dos dias de antes
perenes como as flores
de pé na terra
Obrigada a todos.
Voltaremos a encontrar-nos no dia 6 de
abril, com outro convidado muito especial: Álvaro
Laborinho Lúcio.
Até lá, não recusem:
Um livro fresco
Um café quente
Uma
ideia nova
Texto de Rosa Neves
Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e Mariana Neves
Texto de Rosa Neves
Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e Mariana Neves
Edição de Augusto Mota
03/02/2019
23/12/2018
15/12/2018
Texto transversal
Ao concluir
este texto fiquei com a dúvida se ele seria uma metáfora, ou uma metonímia.
Parecendo-me que estariam presentes ambas as figuras de estilo, fui pesquisar
na net se não haveria o termo “metonímia-metafórica”. Não há. Mas há metafotonímia!
Vejamos:
METONÍMIA é a figura de linguagem que pode definir-se como a substituição de uma palavra por outra, quando há relação de
contiguidade, ou seja, proximidade de sentido entre elas.
METÁFORA é uma
comparação abreviada em que o verbo não está expresso, mas subentendido,
havendo uma transferência de significados na base da semelhança.
Para alguns
autores, porém, como por exemplo Louis Goossens (2003), a metonímia, em muitos casos,
deve ser vista como parte integrante da metáfora, pelo que, então, foi criado um
novo vocábulo para designar tal situação: “metaphtonymy”, em português METAFOTONÍMIA.
Já estes “textos transversais” serão tecnicamente EKPHRASIS, palavra grega que
designa uma descrição ou comentário literário sobre uma obra de arte, a qual actua
no sentido de expressar ideias e sentimentos,
reforçando assim o conteúdo do texto verbal. “A carta aos meus filhos sobre os
fuzilamentos de Goya”, de Jorge de Sena, é considerada o melhor exemplo da
poesia ecfrástica portuguesa.
09/12/2018
Café com Livros
Aconteceu em Leiria, no m|i|mo – museu da imagem em movimento - no dia 24 de novembro, o já habitual “Café com Livros”. Teve como convidado o jornalista e escritor João Morgado, que veio apresentar o seu mais recente romance histórico: «O Livro do Império».
João Morgado é um escritor profícuo, bastante acarinhado pela crítica e que que já conta com uma vasta obra publicada. Já é quase um escritor residente no espaço literário “Café com Livros”, onde já esteve 3 vezes, sendo que a última vez veio apresentar o livro «Índias» no Museu Moinho do Papel.
Muito atento aos locais por onde passa, encantou-o a beleza rústica do Moinho do Papel e, por isso, no agora apresentado «O Livro do Império», dedicou-lhe uma referência, que nos encheu de vaidade e também envaidecerá, com certeza, a cidade e o respetivo espaço museológico.
“João Morgado revisitou a história, e mostra-nos uma realidade diferente daquela que habitualmente é conhecida; resgatou um momento e foi procurar factos esquecidos ou desconhecidos, reconstruindo, com minúcia, acontecimentos, personagens e costumes da época.
Não se limitou à narração, mas afoitou-se no terreno da
interrogação. Há neste livro um trabalho de investigação aprimorado. Há rigor
na consulta, utilização e cruzamento das fontes que estabelecem a relação entre
a narrativa e os factos históricos.
Clara Antunes
Lídia Delgado
Através de uma descrição minuciosa, o autor criou uma
estratégia de narrativa fluida, consistente e apelativa: devolve as personagens
à sua época, colocando-as num diálogo de proximidade com o leitor, criando assim
um espaço de confluência entre a ficção, a história e o leitor.
Há nesta obra um narrador que conhece muito bem os espaços
temporais em que se move: é analítico, metódico, e guia o leitor pelo espaço da
objetividade.
David Teles
David Teles e Cristina Flores numa leitura teatralizada
João Morgado chama a atenção dos leitores não só para a
importância de «Os Lusíadas», enquanto poema épico, mas para a importância que a
Língua Portuguesa assume a partir da sua publicação, já que esta obra,
não só narrou os factos de um povo, mas sagrou-se um marco na afirmação da
Língua Portuguesa enquanto símbolo da nação.
“Que outra obra é de
fala purgada de castelhano e latim, que possa ser chamada de … língua
portuguesa?” - (Questão
colocada pela Infanta D. Maria a seu irmão Cardeal D. Henrique).
Do ponto de vista do conteúdo, o livro fala-nos de um Império
que já não é o que era, um reino que não é o que parece. Havia um império
decadente e corrupto, governado por um rei Desejado, imaturo e sonhador que
vivia inebriado com a quimera da glória e o devaneio da imortalidade.
“Portugal tem um
império em declínio, com um rei destemido, mas influenciado por uma nobreza e
um clero corruptos. Omnipotente, a Inquisição não hesita em prender, matar e
destruir as mentes e as obras mais brilhantes” (Damião de Góis e Garcia de Horta,
entre outros).
Carmen Matos, João Morgado e Cristina Flores
João Morgado fez o desenho do xadrez político que dominava
Portugal. Imiscuiu-se nos segredos da Corte e da Inquisição e oferece-nos agora
uma obra provocatória que nos faz recuar à agonia do Império português, resgatando
segredos de uma obra proscrita, que, por um lado louvava os feitos do passado,
e por outro lado ousava denunciar a corrupção dos mais poderosos.
O livro inicia-se com uma conversa conspiratória ficcionada,
entre duas personagens que aludem à grande urgência de tudo fazer para travar
Camões e impedir, por todos os meios, que os seus versos épicos viessem a ser
publicados.
Juntos, Camões e «Os Lusíadas», são a personagem central deste
livro! Há um antes e um depois do regresso de Camões a Lisboa; há uma Lisboa
ansiada, mas desaparecida; há uma luta desabrida com a Inquisição.
Destacam-se como personagens de suporte à trama, dois grandes
amigos de Camões, os nobres Diogo de Couto e D. Manuel de Portugal, estrategas
na luta contra os inimigos de Camões e dispostos a tudo para o ajudar a
publicar “As Lusíadas”, assim se chamava
o poema antes de ser censurado pela Inquisição. Em oposição a estes, percorrem a obra à mesma velocidade, os
irmãos jesuítas Luiz e Martim Gonçalves da Câmara, estrategas na arte de tudo
fazer para destruir a obra de Camões. Tudo isto, entre os devaneios de D.
Sebastião que se assume predestinado a imortalizar-se, afrontando os mouros no Norte
de África.
Assim, desde o afastamento de Camões da Corte, a perda do
olho direito nas terras do Norte de África; a ida para a Índia e o seu regresso
a Lisboa; entre a prisão, as bebedeiras, as brigas e a doença, ficaram, o amor
de sua mãe, e duas recordações amorosas que lhe marcaram a alma: Violante, seu
amor de juventude, e a Infanta D. Maria, o amor casto e inatingível! Mas, apenas
uma vontade o fazia resistir a tudo, a mesma que o mantinha vivo: a vontade
inabalável de ver publicados os seus versos.
Camões tinha dentro de si um fogo que havia de o acompanhar a
vida toda: o fogo das palavras! Com elas ia acendendo o fogo das paixões, mas também
ia acendendo o fogo da inveja daqueles que, embora negando-o, sabiam o génio da
sua veia e inspiração poéticas.
Camões tinha bebido o pensamento e o saber poético dos
grandes autores, tinha conhecido outros mundos, era senhor de uma eloquência
invulgar, rasgava os pressupostos poéticos daquela época. Era briguento, contestatário
e politicamente incorreto. Tudo isto eram predicados que não agradavam aos
decisores políticos e poetas reais! Mas sobretudo, Camões tinha dois defeitos
imperdoáveis: era arrojado nas paixões e inigualável na poesia.
«O Livro do Império»
tinha tudo, mas tudo, para acabar na fogueira da Inquisição, mas, afinal,
chegou aos nossos dias!
João Morgado conta-nos de que águas, de que chamas e de que
prisões foram salvos «Os Lusíadas», e que preço teve Camões de pagar para que, a
obra da sua vida, vencesse os obstáculos do obscurantismo, da corrupção e da
maldade.
«O Livro do Império» narra
a “vida” de uma obra e a luta de Camões para a salvar e publicar! Não narra a
vida de um poeta herói, mas de um Camões, pobre, doente e escorraçado da vida,
mas na esperança de que a lei da morte, também a si libertasse…
Um livro a não perder.”
O relógio não para e por isso tivemos de dar por encerrada a sessão, não sem antes o questionarmos sobre qual será a próxima obra…
Obrigada
João Morgado pela belíssima tarde de cultura. Cuidaremos bem de «O Livro do Império»!
Até sempre,
até à próxima…
Voltaremos a encontrar-nos no próximo mês de janeiro, em local a anunciar.
Até lá não recusem
Voltaremos a encontrar-nos no próximo mês de janeiro, em local a anunciar.
Até lá não recusem
um café quente
um livro fresco
uma ideia nova
um livro fresco
uma ideia nova
Texto de Rosa Neves
Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e (telemóvel de) Carmen Matos
Edição de Augusto Mota
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