A caminho do Sete-Estrelo viajo entre a névoa das mãos que a cidade oferece em seu arguto viajar. Viajo pelo lado secreto dessas mãos que afagam a manhã, enquanto o sol desponta criador sobre o vale encantado das emoções, lá onde a viagem se faz de retornos e de lentos progressos a caminho do sal e do mar que se esbate no olhar claro e profundo do horizonte. A paisagem humaniza-se e restitui as bençãos que damos ao lento acordar da manhã. Os olhos, esses, abrem-se de espanto e sacrificam às mãos as novas sensações que viajam muito para lá desse olhar claro do horizonte, que é, ao mesmo tempo, ternura e fonte onde bebemos a sede deste amanhecer. A viagem é a paisagem que atravessamos em nossas vidas. As paragens são, então, um outro retorno que progride dentro de nós e por nós. A saída será sempre o mar ao fundo e o banho da alma que se purifica naquela maré que invade os membros todos e disfarça este caminhar ao encontro do significado último de todas as metáforas arrumadas na memória das coisas e dos gestos. Difícil tal viagem! Mas é nesse contacto que o secreto significado dos sinónimos nos arrebata e vive para além de dois mil anos! Criar um mundo de outras sensações é deixar que as emoções vivam e morram em nosso espanto e beijem as mãos das floridas manhãs, entre a vertigem e o sexo. Sementes prolíficas estas que compramos à beira dos precipícios e lançamos ao vento para libertar a vida que germina em nossos dedos e no bico adunco das aves que, em voos planados, gritam marítimas liberdades e saúdam a vertigem de tal sacrifício! Sempre o mar recompensa o esforço e o olhar. Cumpriu-se, assim, o destino da metáfora que alimenta os dias e morre ao longe nas curvas do destino. Augusto Mota, inédito, in "A Geografia do Prazer", 2000 Textos Transversais de Augusto Mota.
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ouvir esta cantiga na voz sensual de Gianna Nannini]
Molti mari e fiumi attraversero dentro la tua terra mi ritroverai turbini e tempeste io cavalchero volero tra il fulmini per averti
Meravigliosa creatura sei sola al mondo meravigliosa paura di averti accanto occhi di sole mi bruciano in mezzo al cuore amore e vita meravigliosa
Luce dei miei occhi brilla su di me voglio mille lune per accarezzarti pendo dai tuoi sogni veglio su di te non svegliarti non svegliarti....ancora
Meravigliosa creatura sei sola al mondo meravigliosa paura d'averti accanto occhi di sole mi tremano le parole amore e vita meravigliosa
Meravigliosa creatura un bacio lento meravigliosa paura d'averti accanto all'improvviso tu scendi nel paradiso muoio d'amore meraviglioso
02/04/2008
a perdiz tem as patas de grés unidas pelo cordel azul caem penas sobre o cesto das romãs é a tarde falha a luz saem clientes com os plásticos ou papel com a fruta contada esperam a noite a perdiz é uma ave perdulária no tropel da passagem uma gota de sangue sem olhos um vento frio na paisagem jaz exposta à rua como o desafio que foi a caça talvez uma resposta de quem gosta de matar talvez ali junto ao louro posta vejamos seus olhos e verdadeiramente saibamos o que é uma ave dardejando por entre pinheiros irmã comum do ar Poema inédito de José Ribeiro Marto Textos Transversais de Augusto Mota.
Como um deus sorvo as colinas do desejo e sigo, perdido, pelas sendas agrestes da memória e de um tempo que parou aqui. E agora, receoso, fujo de mim em direcção às mãos que desenham cada gesto e perpetuam o amanhecer. Duas estrelas recordam os êxitos dessa memória e clamam pelo subtil silêncio da cidade sitiada. Não é vã a glória que é prenúncio de outra cidade! Sempre o corpo há-de ser metáfora de mulher e de cidade! Assim a conquista corre célere pelas mãos que, em uníssono, celebram o ritual do sacrifício. Um dia tudo há-de ser claro como o grito da vitória entre as mãos em penitência. A confissão ficará adiada para a memória do presente! Augusto Mota, inédito, in "A Geografia do Prazer", 2000
nas tuas mãos bem seguras os teus segredos dádivas pulsam correm pelos dedos cruzam corações luzes a pele a linha cicatriz fonética a linho falada os lábios entreabertos o tempo de guardar a boca a espada de segredos a dádiva os pulsos de morte com a tinta azul e forte pelo tacto pela mágoa e eu sou a vibração do teu verso unida à tua voz de fala escrita
José Ribeiro Marto, inédito, in " a celebração dos dias" Textos Transversais de Augusto Mota.
há palavras que me esperam no outro lado da folha ou na próxima estação se o combóio passar por aqui escrevo em fuligem a velocidade de um beijo sussurrado ao vento e apresso.me a dese nhar o mar se a noite começar aqui deixarei o outono e o in verno ou o inferno a brincar com a prima vera do verão se o dia se perder aqui serei a sagração im pura da alegria re encontrada ou a palavra amante pre ferida do poema se o amor reincidir em mim
*poema para ser lido e não dito Poema inédito de gabriela rocha martins Textos Transversais de Augusto Mota.
vem, vem de noite, enquanto o monstro dorme, vem, pela mão-madrugada de uma criança, que é perfume e beijo, vento leve, prenhez avinhada, ah! do vinho embriagador do tempo dos homens livres, que há-de um dia sair do aconchego dos teus dedos e existir nas flores e nos seios da tarde suavíssima do teu enleio, companheira, tarde que nunca anoitece, pura e constante, transparente como a neblina vítrea de uma canção secreta de núpcias; vem pela noite espessa do nosso medo, vem e apaga as cores do nosso arco-íris de incertezas, e deixa que as mãos dos homens se prolonguem em teus ramos e respirem em teu hálito de macieiras floridas - vem, e fecunda a terra de alegria e fica para sempre a iluminar o nosso coração, ó flor perfumada de luz!
Poema inédito de António Simões, Coimbra, 1960 "Quantos Passos", poema de Maria Toscano, com composição gráfica de Augusto Mota Textos Transversais de Augusto Mota.
essasoutras palavras, estas cansaram. os actos que faltam, esses serão as palavras novas, definitivas. ( os actos são palavras vivas ) amor puseram algemas em minhas mãos e elas ficaram nuas; para apertarem as de todos os irmãos, noutras minhas também , as tuas esperança - 3 manhã sem sol, manhã decretada manhã pelos que a negam e por nós que a afirmamos manhã sem sol de sol escondido nas raizes da noite que furamos -e seremos tronco, flor e ramos
Poemas inéditos de António Simões, Textos Transversais de Augusto Mota.
foi assim que Silvestre Raposo apresentou o livro ".delete.me."
Escrever sobre Poesia
Escrever sobre Poesia...Escrever sobre um Poeta. Não é fácil escrever sobre poesia, porque os poemas saem da Alma de quem os escreve e, a mim não me é possível ver a Alma. Mais fácil será escrever sobre a vida de um Poeta, mas difícil se torna se o poeta é nosso Amigo…
Isto parece não estar a correr bem,… vá lá… Deleta-me… Não! não o vou fazer, vou continuar… sento-me…. olho… leio as primeiras palavras, depois procuro encontrar os sentidos e pensamentos daquelas palavras, procuro encontrar a Alma do Poeta. Aos poucos, vou ficando cada vez mais prisioneiro das palavras … Deleta-me? Qual quê… as palavras cada vez mais fortes, mais ousadas, mais acutilantes, mais serenas ou ternas, percorrem o Mundo da Poesia e a intimidade de muitos Poetas e vão tomando formas graciosas, desenhando esperanças e desejos e, o eu prisioneiro das palavras, já não as vai deixar, nem as quer perder, leio mais e mais avidamente as consumo, porque aqui estão mais que palavras, está o coração e alma do seu Autor. Aqui as palavras são fragmentos, partículas de um todo que tem a força das marés e o brilho do Sol em tarde de Verão. Aqui as palavras?… Deleta-me… penso nesta palavra… rio-me e sigo o pensamento
…anoitece, é anoitecer, que segue o entardece quando entardecer e, se agora se não entende, se entenderá quando se ler…
palavras… escurece… levanto-me, caminho, olho o Sol final de hoje no horizonte e a sua imagem no lago, junto da minha porta, simétrica como um espelho. Qual é a realidade, a verdade, essência e a aparência?
Palavras! Quem ouve palavras? Quem as lê? São apenas palavras. Pois são! São apenas palavras, mas vindas do coração.
Continuo prisioneiro destas palavras… Deleta-me? Não ! Estou próximo do final …. faltam poucas páginas e não importa a dimensão, porque as palavras são bocados do coração.
São o alimento que pode saciar ou mitigar a fome de aprender… É noite ! é noite porque anoitece… E eu escrevo porque me apetece…
Gabriela este teu Deleta-me é uma delícia, em cada frase, em cada palavra encontro a força que contagia e obriga a continuar e querer ler mais e mais….
palavras… não são palavras só não, porque as palavras vêm da alma e do coração … Sem mais palavras…. Deleto-me Silvestre Raposo
... e a autora agradeceu deste modo...
não sei o que dizer quando falam de mim... e não sei, porque escrever é um acto tão natural, quanto o respirar ou falar
respiro porque ouso viver .escrevo ,porque vivo ,ou finjo que o faço
há dias ,perguntaram.me o que representava este livro para mim
não soube responder ,então ,como não sei hoje .e não sei ,porque ele não é mais do que a projecção do meu braço ,da minha mão destra ( é com ela que escrevo ) ,dos meus dedos e do teclado do computador .ah!...., há ,também ,um pouco da minha cabeça ,neste ,como em todos os demais livros .um pouco, não ,o suficiente para tentar conduzir as palavras ,essas "meninas" teimosas que brincam comigo e que ,às vezes ,fazem.me perder a cabeça
escusado pensar em dominá.las ,em conduzi.las ,em obrigá.las a seguir por onde quero .não vale a pena .não sou eu que as conduzo ,são elas que me levam por onde e para onde querem .por isso ,não sei o que os livros são ,ou representam .perguntem.me ,antes ,pelas palavras .e ,a elas ,perguntem por mim
temos uma relação uterina ,de tal cumplicidade que ,às vezes ,consigo transformá.las num texto coeso .outras ,permanecem intransigentes ,como quem ,à semelhança de José Régio ,e ,no meio de uma tremanda gargalhada ,se afirma - "não ,não vou por aí ... vou por onde me conduzem os meus próprios passos" .que fazer ,então? nada .rendo.me à força da palavra e retiro.me para o meu sofá das recordações ,em paz com os deuses ,pedindo.lhes licença para iniciar uma nova brincadeira
e ,assim ,saídas de mim ,AS PALAVRAS brincam umas com as outras ,correm de um lado para o outro ,saltam ,colam.se ,separam.se ,zangam.se ,fazem as pazes ,irritam.se ,e ,finalmente ,cansam.se ,fartas de andar a correr sobre o papel .e quando se cansam ... helas! ... o livro nasce
foi o que aconteceu com este e é nesta brincadeira ,minha com as palavras e delas comigo ,que algumas se apagam .há ,então ,no meu teclado ,uma tecla que se impõe às demais - DELETE .uma tecla que teve e tem uma relação de tal cumplicidade comigo que não resisto a chamar.lhe minha irmã - DELETE .daí o título do livro .o me veio na sequência imediata dessa cumplicidade existente ... entre mim e as palavras .entre as palavras e as teclas .num permanente jogo entre o escrever e o apagar .e ,quantas vezes não são as palavras ,imortais ,que me apagam ,simples mortal?
eis o título - .DELETE.ME. hoje ,no Dia Internacional da Mulher, tão exaltada por João de Deus, meu patrono ,".delete.me." nasce e inicia o seu caminho ,só ,sem que ,doravante ,eu interfira no seu trajecto
peço.vos ,apenas ,isto ... se gostarem ,guardem.no .se não ,ofereçam.no a um amigo .talvez assim as palavras possam prosseguir a sua brincadeira ,no vagabundear pelo mundo ,recolando.se a outras .talvez ,assim ,encontrem um amigo de cabelos cor de fogo que ,com elas ,brinque, como eu fiz ,quando as encontrei e juntei
e, nessa brincadeira futura ,há um pouco de mim que fica permitam.me ,neste dia e neste momento ,que reserve algumas palavras ,muito especiais
primeiro ,a minha Mãe ,parideira de mim e a quem reservei a primeira palavra .com ela ,aprendi a respeitar todas as outras
à direcção da Caixa de Crédito Agrícola ,com quem me habituei a "emparceirar" num anual jogo de palavras à Folheto ,Edições & Design ,na pessoa do Dr. Adélio Amaro ,de quem ouviram algumas palavras à Marta Jacinto que às minhas palavras juntou as suas ,desenhando a capa e a contracapa à Hélia Coelho que vos embrulhou ,em beleza ,as minhas palavras ao Presidente da Assembleia Municipal de Silves ,à Presidente da Câmara Municipal de Silves ,ao Vereador da Educação ,Cultura ,Turismo e Património ,à Chefe de Divisão e ao Presidente da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines ,com quem ,amiúde, troco outro tipo de palavras e ,porque os últimos ,às vezes ,são os primeiros ( dizem e eu acredito ) a todos vós ,meus AMIGOS ,que tiveram a paciência de me ouvir e quiçá ler - OBRIGADA! dizem.me que fique por aqui
é tempo de pegar nas palavras e recolhê.las .de fechar ,com elas ,este ciclo
.delete.me. iniciou os seus passos com uma conversa entre dois amigos ,gabriela rocha martins [ autora ] e José Paulo de Sousa [ membro da Direcção da Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines ] ,momentos antes da apresentação.
a admiração de gabriela rocha martins com a chegada da Presidente da Câmara Municipal ,Isabel Soares ,ao Auditório da Caixa de Crédito, onde decorreu a apresentação do seu livro.
o beijo do amigo e Vereador ,Rogério Pinto ,e ,o sorriso do Presidente da Junta de Freguesia de Messines ,José Vítor
foi o princípio da apresentação de.delete.me. que inicia o seu caminho ,só ,sem que ,doravante ,a autora interfira no seu trajecto...
...desejando ,apenas ,que .delete.me. prossiga o seu vagabundear pelo mundo
porque nesse seu vagabundear há um pouco da autora que fica... .delete.me.
"Amanhece", "exactamente na manhã", como o vento que vestia aquelas meninas, simples, fortes e sensíveis. Aquelas meninas capazes de abandonar uma lágrima, na última ou na primeira ceia da voz que se ergue. Meninas, talvez renascidas, que sabem premiar a feminilidade, tenha o chapéu três ou mais bicos. Meninas que souberam semear a raiz de uma flor que viria a ser colhida, recolhida ou mesmo protegida, no Verão, enquanto os ecos do cantar de um pato, de um gato ou mesmo de um cão, semeiem risos, sorrisos, pelas faces das crianças, femininas, que erguem seus braços "às estrelas do desejo". ".delete.me." é a voz de quem sente, de quem vive, de quem suaviza o grito feminino com "mãos de fogo". ".delete.me." é o prazer suave, por vezes demorado, de quem se deleita com o barulho da água/espargida pelos pássaros do jardim" até à"ascese do último / verso". Prazer que se move entre o deleite e o deletério de um pensamento que corre para o perigo que destrói um sonho encantado como "um homem louco / encontrado na casa amarela".
Este livro de gabriela rocha martins devolve, a quem o lê, a quem o sente, a voz da alegria. A voz que faz sorrir, sentir, amar e viver. Mas, também a voz dorida pela indiferença e insegurança que se estende pelo esteiro do tempo impagável com que a Mulher, a Mãe sempre lutou. Mulher que hoje é lembrada como força activa de uma sociedade de dois sexos que deveria ser una na voz, no sentimento e na oportunidade. ".delete.me." são poemas que ajudam a delet(ar) o medo dos "dentes" do "vampiro", mas que, ancestralmente, ajudam a promover o sentimento da beleza, como referia Miguel Torga quando escreveu "Orfeu Rebelde". "Canto como quem usa / Os versos em legítima defesa Canto, sem perguntar à Musa / Se o canto é de terror ou de beleza."
".delete.me." é também a revolta, a incapacidade de compreender a incompreensão. São poemas de esperança mas também de revolta. A revolta de uma "Revolução" que nasceu do medo e promoveu a "Evolução" de um "menino sem ideal" que dança ao som de "pianos negros". Poemas que cantam esta dor de ser impaciente pela impaciência do inconformismo dos outros. Poemas de quem dá o punho para receber um punhado de mãos vazias de coisa alguma. Poemas que revoltam a evolução da esperança, como defendia o Padre António Vieira: "Esperança é o último remédio que a natureza deixou para todos os males" (...) "Tudo o que vive nesta vida, não é o que é, é o que foi, é o que há-de ser". Após 400 anos do seu nascimento, 6 de Fevereiro de 2008, as palavras de Vieira continuam a ser folhas castanhas que abraçam o vento. Folhas que os desejos escondidos em capotes continuam a ignorar. Capotes de obras estaladiças. Porque "Para falar ao vento bastam palavras. Para falar ao coração, é preciso obras", galgou assim a pena de António Vieira.
gabriela rocha martins sublinha as páginas de ".delete.me." com mensagens de quem sabe realçar um "grito abafado" que transpira das penas negras de um melro, onde a semente do luto pode ser o chilrear de um pardal. Mensagem de poetisa em voz de quem conta ou encanta. Mensagem de contos vividos, perdidos ou sofridos na viagem do tempo que os curtos dias da vida nos oferecem. Embora a poetisa diga não ser poeta, no meio de um amor perdido ou sentido, no meio de uma "Revolução" de asas curtas para a "Evolução", a verdade é que estes poemas, estas histórias, são o "xeque-mate" para a "celebração do silêncio" que enaltece a "capacidade de criar". E, mesmo que isso não "lhe basta", o grito da sua força está patente neste silêncio que nos faz voar enquanto os nossos olhos húmidos vão falando ao coração. No fundo, estas linhas que página a página vão surgindo em ".delete.me." são o hino da vida. Da vida de quem sabe. Da vida de quem viu. Da vida de quem conhece. Da vida de quem sentiu . Porque "A vida é o dia de hoje", salpicou numa folha João de Deus, após a sua experiência de vida que iniciou a 8 de Março de 1830.
Adélio Amaro, Leiria, 8 de Março de 2008. - o editor de .delete.me.
No âmbito das Comemorações de João de Deus, a Caixa de Crédito Mútuo de São Bartolomeu de Messines, a Folheto, Edições & Design e a autora, têm o grato prazer de convidar V Ecia e Família
para a apresentação da obra
delete.me
por Mestre Silvestre Raposo
seguida de leituras por Hélia Coelho
no próximo dia 8 de Março, pelas 18h00, no Auditório da Caixa de Crédito Mútuo de São Bartolomeu de Messines
A Direcção da Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra, no âmbito das Comemorações do 178º Aniversário do Nascimento de João de Deus, convida Vª Excia e Família para o lançamento da obra delete.me
de
gabriela rocha martins
a realizar dia 8 de Março de 2008, pelas 18h30, no auditório pequeno da Caixa de Crédito Agrícola de São Bartolomeu de Messines
a inspiração escreveu-me finalmente ( já estava em cuidados! ) a dizer que chegaria às sete; vou à estação esperá-la à camionete - mas como eu, como parece evidente, sou simultaneamente camionete, estação, inspiração, como sou da viagem o princípio e o fim, fico cá dentro à espera de mim.
Poema inédito de António Simões, 28.01.1981 Fotopoemas de Augusto Mota sobre poemas de João Vário e gabriela r martins
procuravas as palavras mais simples, as palavras simples como as coisas, que cantassem e rissem e caíssem das árvores como as folhas; as palavras que pudesses trazer presas nos dedos e libertasses ao encontro dos outros, como essas que pões na mesa e repartes com tua mulher e acariciam teus filhos; procuravas talvez uma ou duas que devolvessem a teus olhos claros a perdida harmonia e, fáceis e redondas, rolassem pelas colinas da tarde inquieta, rolassem até onde o canto da noite aguarda a sua vez de soprar sonhos e estrelas nos nossos ouvidos; e regressassem depois em árvores lúcidas onde nossos braços crescessem e se alongassem - palavras sabendo a pão e coragem, visita ou carta de alguém muito querido; palavras que pudesses afeiçoar com plaina e formão, e as polisses ( ou deixasses por polir ), e como pedras lisas ( ou ásperas ) as empilhasses no coração da Hora, e evidentes as mostrasses e as desses, e a quem procurasse o significado de tudo isto, dissesses simplesmente: estou a comunicar contigo e a minha circunstância, desci da minha ilha pela escada do poema, e estendo-te as minhas mãos-palavras, meu coração visível aberto ao teu.
António Simões, poema inédito, 1969 Textos Transversais de Augusto Mota.
"[...] ainda que os antigos beberam primeiro nas fontes, nem por isso as esgotaram: Multum egerunt qui ante nos fuerunt, sed nom peregerunt, diz Séneca [...]" - Sermão da Conceição Imaculada da Virgem Maria, Padre António Vieira, s.d. Completaram.se, na passada quarta.feira, dia 6 de Fevereiro, 400 anos sobre o nascimento de António Vieira, mais conhecido, pelo Padre António Vieira. Nasceu em Lisboa e faleceu em São Salvador da Baía, em Junho de 1697. Foi, segundo Fernando Pessoa, "o imperador da línguaportuguesa". Viveu entre Portugal e o Brasil. Foi, ainda, padre jesuíta, diplomata e um dos mais acérrimos defensores dos cristãos.novos, judeus, índios e escravos. Lutou, intransigentemente, e foi vítima da Inquisição. Tendo sido um dos profetas do 5º Império, angariou amigos, uns ilustres, outros não, e muitos inimigos.
I Defesa do livro intitulado QUINTO IMPÉRIO, que é a apologia do livro CLAVIS PROPHETARUM,
e respostas das proposições censuradas pelos senhores inquisidores: dadas pelo Padre Antônio Vieira, estando recluso nos cárceres do Santo Ofício e Coimbra
Sendo ontem chamado à mesa, me foi dito que estavam nela os senhores inquisidores para sentenciarem a minha causa, e que antes disso queriam ouvir de mim tudo o que tivesse que dizer ou alegar para bem dela; e porque a última doença (de que estou mal convalescido) me não deixou com forças nem alento para poder falar em público, pedi licença para falar por papel, que me foi concedida. Protesto pois do modo que me é possível, diante desses senhores, que antes de se me dar a notícia que as minhas proposições estavam censuradas, e as censuras aprovadas por sua santidade, fazia eu tenção de propor em presença de vossas senhorias todos os pontos ou questões delas, dando os fundamentos das opiniões que segui, ou determinava seguir, respondendo aos das contraditas; mas depois que me foi dada a notícia da aprovação e autoridade do sumo pontífice, que é argumento a que a minha fé, resignação e obediência, não sabe outra solução senão a da veneração, obséquio e silêncio, sem que para isso seja necessário cativar ou fazer força ao entendimento, que sempre está e esteve sujeito aos menores acenos da Igreja, e de qualquer de seus ministros, havendo por esta via cessado o escrúpulo que só me dilatava; e tendo eu aceitado, sem mais demora da razão, ou explicação das ditas proposições, a todas as censuras delas, e suas dependências, nenhuma outra coisa se me oferece, que possa fazer ou dizer importante ao bem da minha causa, mais que o representá-la a vossas senhorias em um menor e mais abreviado processo, no qual a possa compreender toda junta de uma vez, dividindo-a para isso em partes certas e determinadas, onde se veja brevemente o dilatado, distintamente o confuso, e claramente o escuro e mal declarado por mim: e pois não posso fazer a dita representação com razões vivas (como muito desejava) falarão por mim estas poucas regras, não como nova alegação, pois não digo nelas coisa de novo, mas como um breve memorial deste processo, repartido, para maior facilidade, clareza, e distinção, nas oito ponderações seguintes: (...)
- Excerto de "De Profecia e Inquisição", Pe. António Vieira, Brasília, Estado Federal, 2001. Iluminura de Wikipédia.
a natureza captada num filme de enorme sensibilidade...
[ antes de clicar para ver o filme ,deixe correr a música do Palácio até ao fim ,para usufruir ,plenamente ,os sentidos da vista e da audição .vale a pena ]
Em carta de marear, o Almirante havia ordenado que este texto transversal fosse publicado ao alvorecer do dia, mas, como o grumete da nau é indisciplinado, por natureza, só agora é que o dá a conhecer. Tem, todavia, uma pequena desculpa.... Dão-se alvísseras a quem a adivinhar.
Texto transversal de Augusto Mota. Poema de António Simões Fotografia e composição de Augusto Mota.