PEDRO FRAZÃO, Lisboa, anos 70
18/09/2011
O Fio de Marta
PEDRO FRAZÃO, Lisboa, anos 70
07/09/2011
Sylvia Plath ( 1932 .1963 )
Lady Lazarus
I have done it again.
One year in every ten
I manage it----
A sort of walking miracle, my skin
Bright as a Nazi lampshade,
My right foot
A paperweight,
My face a featureless, fine
Jew linen.
Peel off the napkin
0 my enemy.
Do I terrify?----
The nose, the eye pits, the full set of teeth?
The sour breath
Will vanish in a day.
Soon, soon the flesh
The grave cave ate will be
At home on me
And I a smiling woman.
I am only thirty.
And like the cat I have nine times to die.
This is Number Three.
What a trash
To annihilate each decade.
What a million filaments.
The peanut-crunching crowd
Shoves in to see
Them unwrap me hand and foot
The big strip tease.
Gentlemen, ladies
These are my hands
My knees.
I may be skin and bone,
Nevertheless, I am the same, identical woman.
The first time it happened I was ten.
It was an accident.
The second time I meant
To last it out and not come back at all.
I rocked shut
As a seashell.
They had to call and call
And pick the worms off me like sticky pearls.
Dying
Is an art, like everything else,
I do it exceptionally well.
I do it so it feels like hell.
I do it so it feels real.
I guess you could say I've a call.
It's easy enough to do it in a cell.
It's easy enough to do it and stay put.
It's the theatrical
Comeback in broad day
To the same place, the same face, the same brute
Amused shout:
'A miracle!'
That knocks me out.
There is a charge
For the eyeing of my scars, there is a charge
For the hearing of my heart----
It really goes.
And there is a charge, a very large charge
For a word or a touch
Or a bit of blood
Or a piece of my hair or my clothes.
So, so, Herr Doktor.
So, Herr Enemy.
I am your opus,
I am your valuable,
The pure gold baby
That melts to a shriek.
I turn and burn.
Do not think I underestimate your great concern.
Ash, ash ---
You poke and stir.
Flesh, bone, there is nothing there----
A cake of soap,
A wedding ring,
A gold filling.
Herr God, Herr Lucifer
Beware
Beware.
Out of the ash
I rise with my red hair
And I eat men like air. ( in Poets from Academy of American Poets )
_________________________________________
biobibliografia
Obra
-The Colossus, 1960
-The Bell Jar, 1963
(pseudonym Victoria Lucas)
-Harper and Row, 1971
(edition apparently contains drawings by Plath and a Biographical Note by Lois Ames)
-Ariel, 1965
-Crossing the Water, 1971
-Winter Trees, 1971
-Letters Home:
Correspondence, 1950 - 1963
Ed. with commentary by Aurelia Schober Plath, 1975
-The Bed Book, 1976
-Johnny Panic and the
Bible of Dreams, 1977
03/09/2011
Alexandre O'Neill ( 1924 .1986 )
guichê 3
senti o frio na nuca e, por broma, imaginei-me na nuca de Antonieta
(referência cultural como qualquer outra).
Dar o pescoço e nem por aférese perder a cabeça
não é para todos quando nos burocratas.
Das doze e trinta às catorze e trinta
estive garrotado e encimado por um letreiro: ENCERRADO.
Estiquei a língua para um frasco de cola,
mas só a mosca dos tinteiros nele arriscava duas das patas.
Meditei (que fazer?) a gasta superfície do balcão
e, português derrotado, pensei:
«Onde veio parar a madeira das naus!»
O tempo demorava a passar como aquela estúpida reflexão
e eu, de grossa língua seca, sentia as ardências todas
do nauta que tragou meia barrica de sardinha.
Das mãos fiz passarinhos cegos contra o vidro,
baquetas ruflando a minha impaciência,
aranhas passeando o que me restava de pescoço.
«Vou pôr-me todo nos olhos, que os olhos salvam!»
e pela ponte pênsil dum olhar passei para o relógio,
que adiantei meia discreta hora.
Do mostrador alcancei uma flor num copo.
Com ela devaneei numa lapela imaginária,
mas o passeio não deu para mais nada.
Tocou a campainha e um contínuo entrou.
«Que faz aqui o senhor? O expediente ainda está encerrado!»,
praguejou o contínuo e, dando meia volta,
correu a chamar o general dos contínuos.
Este veio. Passou-me revista. Não se dignou falar-me.
Ainda hoje gostava de saber porquê.
Às catorze e trinta (três pela minha hora)
uma funcionária aproximou-se do guichê,
levantou o cutelo que me sujeitava,
retirou o letreiro e (até amável!) perguntou-me:
"O senhor o que deseja?"
E era, à beira-guichê, como se não tivesse acontecido nada!
Alexandre O’Neill, in "Tomai lá do O’Neill!",
Lisboa, Círculo de Leitores, 1986
A Bicicleta
O meu marido
saiu de casa no dia
25 de Janeiro. Levava uma bicicleta
a pedais, caixa de ferramenta de pedreiro,
vestia calças azuis de zuarte, camisa verde,
blusão cinzento, tipo militar, e calçava
botas de borracha e tinha chapéu cinzento
e levava na bicicleta um saco com uma manta
e uma pele de ovelha, um fogão a petróleo
e uma panela de esmalte azul.
Como não tive mais notícias, espero o pior.
in: "As horas já de números vestidas", 1981
A Força do Hálito
A força do hálito é como o que tem que ser.
E o que tem que ser tem muita força.
Vai (ou vem) um sujeito, abre a boca e eis que a gente,
que no fundo é sempre a mesma,
desmonta a tenda e vai halitar-se para outro lado,
que no fundo é sempre o mesmo.
Sovacos pompeando vinagres e bafios,
não são nada --bah...-- em comparação
com certos hálitos que até parece que sobem do coração.
"Ai onde transpira agora
o bom sovaco de outrora!"
Virilhas colaborando com parentesis ou cedilhas
são autênticas (e sem hálito) maravirilhas.
Quando muito alguns pingos nos refegos, nas braguilhas,
amoniacal bafor que suporta sem dor
aquele que está ao rés de tal teor.
Mas o mau hálito é pior que a palavra
sobretudo se não for da tua lavra.
Da malvada, da cárie ou, meudeus, do infinito,
o mau hálito é sempre, na narina,
como o baudelaireano, desesperado grito
da "charogne" que apodrecer não queria.
A leitura
(brechtiana)
Não te deixes enrolar!
És tu quem tem de pagar...
Põe o dedo em cada letra.
Pergunta:-Por que estáqui?
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algumas notas biobibliográficas:
Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões nasceu em Lisboa em 1924.
Em 1948, juntamente com Mário Cesariny, António Pedro, Vespeiro e José Augusto França, lança-se na aventura do surrealismo, fruto de uma época, e, que surgia como provocação ao regime político vigente e à poesia neo realista. Em 1950, porém, O'Neill abandona o Movimento Surrealista, manifestando, desta maneira, o seu desagrado pelo rumo simulado e decadente em que o surrealismo mergulhara. O poeta nunca foi de arrigementar-se e o surrealismo obrigava a uma certa disciplina ideológica.
A sua poesia mantém, no entanto, traços surrealistas.
Colabora com " Os Dissidentes " numa exposição.
À semelhança de muitos artistas portugueses, não pôde ser, apenas, poeta. Costumava afirmar que "vivia de versos e sobrevivia da publicidade" e esta foi a maneira mais fácil de ganhar a vida, numa área que requeria destreza e à vontade com as palavras, campo em que o Poeta sentia-se como peixe na água.
O'Neill não criou nenhum vínculo afectivo com a sua profissão. Idealizou algumas frases publicitárias que ficaram na memória, como o slogan, tornado provérbio, "Há mar e mar, há ir e voltar", mas, a publicidade que lhe deu conforto económico, não lhe deu estabilidade, porque, sempre que se aborrecia, mudava de patrão e agência publicitária!
O seu currículo é vasto e diversificado, onde constam colaborações em jornais, revistas e televisão.
A pátria foi o seu tema preferido, e, a crítica o pincel com que pintou paisagens, gestos e costumes quotidianos.
"Transbordante de sonhos, sedento de realidades submersas, foi em vida e é em morte, incompreendido e votado ao esquecimento. Esse terá sido o preço que pagou por ter.se recusado a aderir ao populismo fácil." ( Truca ).
Faleceu em 1986.
Bibliografia
"A Ampola Miraculosa", Cadernos Surrealistas, 1948
"Tempo de Fantasmas", Cadernos de Poesia, Lisboa, 1951
"No Reino da Dinamarca", Guimarães, Lisboa, 1958
"Abandono Vigiado", Guimarães, Lisboa,1960
"Poemas com Endereço", Morais, Lisboa, 1962
"Feira Cabisbaixa", Ulisseia, Lisboa, 1965
"Portogallo mio rimorso", Einaudi, Torino, 1966
"De Ombro na Ombreira", Dom Quixote, Lisboa, 1969
"As Andorinhas não têm Restaurante", Dom Quixote, Lisboa, 1970
"Jovens, Nova Fronteira", Futura, Lisboa, 1971
"Entre a Cortina e a Vidraça", Estúdios Cor, Lisboa, 1972
"A Saca de Orelhas", Sá da Costa, Lisboa, 1979
"As Horas já de Números Vestidas", 1981
"Dezanove Poemas", 1983
"Uma Coisa em Forma de Assim", Presença, Lisboa, 1985
02/09/2011
Ah, o amor...
01/09/2011
27/08/2011
[ antologia dos meus poetas militantes ] .InVersos .-Jacques Prévert ( 1900-1977 )
LES ENFANTS QUI S' AIMENT
Les enfants qui s'aiment s'embrassent debout
Contre les portes de la nuit
Et les passants qui passent les désignent du doigt
Mais les enfants qui s'aiment
Ne sont là pour personne
Et c'est seulement leur ombre
Qui tremble dans la nuit
Excitant la rage des passants
Leur rage, leur mépris, leurs rires et leur envie
Les enfants qui s'aiment ne sont là pour personne
Ils sont ailleurs bien plus loin que la nuit
Bien plus haut que le jour
Dans l'éblouissante clarté de leur premier amour
POUR PEINDRE UN OISEAU
Peindre d’abord une cage
Avec une porte ouverte
Peindre ensuite
Quelque chose de joli
Quelque chose de simple
Quelque chose de beau
Quelque chose d’utile
Pour l’oiseau
Placer ensuite la toile contre un arbre
Dans un jardin
Dans un bois
Ou dans une forêt
Se cacher derrière l’arbre
Sans rien dire
Sans bouger…
Parfois l’oiseau arrive vite
Mais il pourrait aussi mettre de longues années
Avant de se décider
Ne pas se décourager
Attendre
Attendre s’il le faut pendant des années
La vitesse ou la lenteur de l’arrivée de l’oiseau
N’ayant aucun rapport
Avec la réussite du tableau
Quand l’oiseau arrive
S’il arrive
Observer le plus profond silence
Attendre que l’oiseau entre dans la cage
Et quand il est entré
Fermer doucement la porte avec un pinceau
Puis effacer un à un tous les barreaux
En ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l’oiseau
Faire ensuite le portrait de l’arbre
En choisissant la plus belle de ses branches
Pour l’oiseau
Peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
La poussière du soleil
Et les bruits des bêtes de l’herbe dans la chaleur de l’été
Et puis attendre que l’oiseau se décide à chanter
Si l’oiseau ne chante pas
C’est mauvais signe
Signe que le tableau est mauvais
Mais s’il chante c’est bon signe
Signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucement
Une des plumes de l’oiseau
Et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.
FLEURS ET COURONNE
Homme
Tu as regardé la plus triste
la plus morne de toutes les fleurs de la terre
Et comme aux autres fleurs tu lui as donné un nom
Tu l'as appelée Pensée.
Pensée
C'était comme on dit bien observé
Bien pensé
Et ces sales fleurs qui ne vivent ni ne se fanent jamais
Tu les as appelées immortelles...
C'était bien fait pour elles...
Mais le lilas tu l'as appelé lilas
Lilas c'était tout à fait ça
Lilas... Lilas...
Aux marguerites tu as donné un nom de femme
Ou bien aux femmes tu as donné un nom de fleur
C'est pareil.
L'essentiel c'était que ce soit joli
Que ça fasse plaisir...
Enfin tu as donné les noms simples
à toutes les fleurs simples
Et la plus grande la plus belle
Celle qui pousse toute droite sur le fumier de la misère
Celle qui se dresse à côté des vieux ressorts rouillés
A côté des vieux chiens mouillés
A côte des vieux matelas éventrés
A côté des baraques de planches où vivent les sous-alimentés
Cette fleur tellement vivante
Toute jaune toute brillante
Celle que les savants appellent Hélianthe
Toi tu l'as appelée soleil
...Soleil...
Hélas! hélas! hélas et beaucoup de fois hélas!
Qui regarde le soleil hein ?
Qui regarde le soleil ?
Personne ne regarde plus le soleil
Les hommes sont devenus ce qu'ils sont devenus
Des hommes intelligents...
Une fleur cancéreuse tubéreuse et méticuleuse à leur boutonnière
Ils se promènent en regardant par terre
Et ils pensent au ciel
Ils pensent... Ils pensent... ils n'arrêtent pas de penser...
Ils ne peuvent plus aimer les véritables fleurs vivantes
Ils aiment les fleurs fanées les fleurs séchées
Les immortelles et les pensées
Et ils marchent dans la boue des souvenirs dans la boue des regrets
Ils se traînent
A grand-peine
Dans les marécages du passé
Et ils traînent... ils traînent leurs chaînes
Et ils traînent les pieds au pas cadencé...
Ils avancent à grand-peine
Enlisés dans leurs champs-élysées
Et ils chantent à tue-tête la chanson mortuaire
Oui ils chantent
A tue-tête
Mais tout ce qui est mort dans leur tête
Pour rien au monde ils ne voudraient l'enlever
Parce que
Dans leur tête
Pousse la fleur sacrée
La sale maigre petite fleur
La fleur malade
La fleur aigr e
La fleur toujours fanée
La fleur personnelle...
...La pensée...
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biobibliografia
26/08/2011
FOTOPOEMA
25/08/2011
[ antologia dos meus poetas militantes ] .InVersos .-nota prévia
sabia ,apenas que ,InVersos nasceria com o propósito de fazer jus à POIESIS ,sem credos e/ou ideologias políticas .nunca foi nem é minha intenção vender emoções ,muito menos comprá.las ,mas ,como andarilha e vagamunda ,preocupo.me ,outrossim ,em [des]construir através de palavras ,imagens e música ,algumas selectas memórias ,na "companhia dos meus poetas militantes"
... assim ,iniciei a edição da minha antologia poética que ,a partir de agora ,continuará onde deveria ter nascido .aqui ,no PALÁCIO DAS VARANDAS ...
-gabriela rocha martins.
FOTOPOEMA
23/08/2011
21/08/2011
e o que tem de acontecer ,acontece
de termos estado em pousio;
em alguns casos
,de termos dado descanso às cabeças e aos dedos;
resolvemos voltar ,com o mesmo sorriso com que um dia
dissemos,
até logo
,porque temos ( ainda ) muito a partilhar!
07/06/2008
29/05/2008
Eu Também Não!
Numa esplanada na praia do Vau, perscrutando o horizonte desse mar infindo, aqui me encontro inquieta, volteando, filosofando, socrateando…
Como é que Portugal, um país tão afortunado em paisagens idílicas e até com alguns recursos naturais, persiste, ao longo da História, em caminhar para o precipício? Há um qualquer feitiço, um destino nefasto que nos persegue desde sempre…talvez um país que nasce da revolta de um filho contra a própria mãe, não augure nada de bom e o fantasma da D.Teresa, mãe de D.Afonso Henriques, ainda nos amaldiçoe …!
Para mim, já se torna difícil encontrar uma explicação lógica e racional para esta auto-destruição que insiste em nos afundar. Vários autores o têm tentado explicar, como por exemplo, Eduardo Lourenço na sua obra fabulosa “O Labirinto da Saudade - Psicanálise mítica do Povo Português” e até mais recentemente José Gil, no livro ”Portugal hoje – o medo de existir”. Mas afinal onde está o busílis da questão – em quem nos governa ou no povo? Não são afinal os governos constituídos por portugueses? Talvez o país precise de ir ao psiquiatra, deitar-se no divã e sujeitar-se a uma psicanálise profunda que o trate, regenere e acabe de vez com esta inércia que o amolece e impede de “pegar o touro pelos cornos”, em vez de continuarmo-nos a lamentar, cochichando pelos cantos, assistindo impávidos e serenos à destruição do nosso património paisagístico, ambiental e das nossas actividades ligadas ao mar e à terra.
Deixemo-nos de vez de procurar salvadores da pátria, emergentes ao longo da História – afinal o rei D. Sebastião teima em não aparecer numa manhã de nevoeiro, o Prof. Cavaco Silva que reinou num período de prosperidade económica, que fez e que faz agora pelo País? E agora o Eng. José Sócrates, a quem os portugueses concederam maioria absoluta, esperando por milagres, constatam afinal que as rosas no regaço da campanha eleitoral não se transformaram em pão, mas sim em presentes envenenados, tais como: aumento desenfreado dos combustíveis, mais desemprego, mais pobreza e onde as desigualdades sociais já superam as dos E.U.A … já há quem pense em trocá-lo pela Dr.ª Manuela Ferreira Leite – esta agora sim, a pessoa ideal, e então onde está essa memória curta que os fez esquecer que também ela já governou e mal… onde como ministra da educação foi um autêntico desastre … para outros o salvador possível seria o Dr. Alberto João Jardim – pois claro, neste reino do faz-de-conta em que já se vive, só falta o bobo-mor da corte para a palhaçada ser completa… Deixemo-nos de ser belas-adormecidas, esperando o beijo milagroso do Príncipe Encantado, que após eleições se transforma num sapo feio e mentiroso…
Olho novamente para o mar… está mais revolto e cinzento, acompanha o meu estado de espírito… os novelos de espuma morrem na areia como alguns dos meus sonhos se esboroaram no tempo… mas olhando as crianças, despreocupadas e felizes, brincando à beira-mar, ainda tenho esperança que agarrem o futuro, tirando o país desta letargia, dignificando-o e devolvendo o verdadeiro significado à palavra Demo-cracia.
Luísa Penisga Gonzalez, Membro pelo B.E. na Assembleia Municipal de Portimão
PS - hoje, via email, recebi da minha amiga, de longa data, e conterrânea, Luísa Penisga, este artigo que publicou no Jornal Barlavento.
Não sou, como ela ,do BE. Sou militante do PS.
Tal não me impede, porém, de ser crítica em relação a algumas posições do PS, de concordar com algumas pessoas que, militantes e/ou simpatizantes de outros Partidos, ou não, pensam pelas suas próprias cabeças.
Partilho, convosco, o texto que a Luísa me enviou.
28/05/2008
entre as colinas da memória
A verde escrevo o sol que escorre pelas minhas mãos e tudo se dilui na saudade de infinito e nos desejos dos olhos claros da madrugada. Antes fosse um poema que perpetuasse os segundos que em mim ardem como bicos aguçados que sangram os lábios e a dor do futuro. Mas futuro é o presente que arde e sente, que fere e pressente o rosto que acaricia um horizonte de mãos entre as colinas da memória.Se o futuro é cada segundo que hoje vivemos, que se eternize o júbilo da sagração e se festeje cada gesto como dádiva sequiosa que inunda o corpo e percorre, em êxtase, os caminhos da cidade sitiada.
Sobre as colinas de Jerusalém dormem as mãos e a boca dessa memória renascida das cruzadas, dessas lutas sem inimigo, desse esvair por dentro do passado sem futuro, ou do futuro sem presente. De qualquer modo sentem-se e pressentem-se as mãos que ardem entre as colinas da memória, agora rejuvenescida, e sentem-se e pressentem-se as lágrimas que escorrem entre os dedos do dia que amanhece. Serão contas, talvez, de um novo rosário de feitiços e encantamentos.
Um outro sufrágio das mãos ritualiza, agradecido, uma nova religião de gestos em oferenda. O oficiante está pronto para as trindades do amanhecer!
Texto de Augusto Mota, inédito, in "A Geografia do Prazer", 200027/05/2008
o poeta
é um velho amante
crucificado em cruz de lataé um corsário
um prostituto
um canalha
_______________
25/05/2008
Fados dos Quatro Elementos
Não apresses o meu fim –
Vou cantar-te fado de água:
Lava a dor que trago em mim.
Lava e leva o sofrimento
Para longe dos meus passos,
Como se fosses o vento
Soprando entre os meus braços.
Ó fado de cada dia,
Em que minha alma procura,
Quando a manhã principia,
Novo amor, nova ternura.
Mal ouço a fonte cantar
Logo sinto o coração
Sua dor suavizar
Na água dessa canção.
Fado de oiro, fado de água,
Só tu fazes esquecer
Esta ferida lacerada
Que rasga todo o meu ser.
Por isso te cantarei
Para que a dor suavizes,
E onde impera a tua lei
A todos tornes felizes.
Vai correndo, fado de água,
Dentro de mim e por fora,
Faz nascer a madrugada
Quando a noite me devora.

( clicar sobre as imagens para aumentar )
Poema de António Simões, inédito [ Fados dos Quatro Elementos ]
Textos Transversais de Augusto Mota.
20/05/2008
De açafate no braço
Excerto de um poema de Teresa Tudela in "Nas Margens da Poesia"Fotografia e composição de Augusto Mota.
18/05/2008
1. fados dos quatro elementos
Diz-se que o ar não tem cor,
Mas nessa eu não acredito,
Basta olhar, por favor,
Quando é hora do sol-pôr,
Para a cor do infinito.
Ele é a grande redoma
Que envolve todo o planeta –
Se a nuvem ao alto assoma,
Voa a águia e voa a pomba,
E também a avioneta.
Eu vou pegar num balão
E enchê-lo num momento –
Ponho lá o coração,
Vai leve como o balão
Para onde for o vento.
Quando ao pé de mim escuto
O teu brando respirar,
Na paz do nosso reduto
Há silêncio absoluto,
Fica à escuta o próprio ar.
Dos elementos és rei,
Desses quatro principais;
Mal eu nasci, respirei,
Ó ar, sem a tua lei
Ninguém vivia jamais.

Poema de António Simões ( inédito )
"Fado", quadro de José Malhoa.
14/05/2008
Textos Transversais
“Diferentemente dos deuses que sempre falaram ao homem, os textos não falam; acrescentam-se às coisas, tornam-se coisas. Engendram novos espaços para novas coisas. Ou melhor: eles falam, mas o que dizem logo se condensa, ou numa excessiva legibilidade de que só podemos suspeitar, ou numa ilegibilidade que nos obriga a um exercício de decifração que, não raramente, nos conduz a pouco mais do que à premonição de um silêncio que não é uma forma de ser, mas apenas uma espécie de mudez, de afasia.”
in Magalhães, Rui - «INFINITO SINGULAR: Sobre o não-literário»,
cap. Discurso e silêncio do texto, p. 78, ed. Textiverso, Leiria, 2006. Textos Transversais de Augusto Mota.
13/05/2008
Dentro de momentos toda a verdade
Poema de manuel a domingos, in Antologia da III Bienal de Poesia de Silves//"Nas Margens da Poesia"Fotografia, manipulação cromática e composição de Augusto Mota.
11/05/2008
abafado no desassossego
excerto de a rosa iniciática in «I Antologia de Poetas Lusófonos», Folheto Edições & Design, Leiria, 2007 Poema de gabriela rocha martins
Fotografia e composição de Augusto Mota.
10/05/2008
infinito branco
in A CHUVA NOS ESPELOS, ed. Alma Azul, 2008
08/05/2008
Minha mãe amassa...
Fotografias e composições de Augusto Mota [ da série Minha Mãe Amassa ]
05/05/2008
a litania do azul
Em nosso peito abre-se a rosa azul do prazer que habilidoso jardineiro cultivou em suas experiências de vida e de morte. Assim se libertam as sensações como pétalas caídas no chão que havemos de percorrer em sublime litania. Assim beijamos as pétalas azuis e sentimos um frémito avançar sobre o corpo todo e uma maré de recordações enrubescer as mãos e os pés. Caminhar agora é difícil. Voar seria a deslocação apetecida. Pairar sobre o jardim das rosas azuis a satisfação plena de nossos desejos. Tanta energia consumida a tirar, primeiro, os espinhos! Resta-nos, por hoje, um punhado de pétalas azuis que, sôfregos e sofredores, agarramos bem com ambas as mãos e lançamos ao vento pela janela aberta da nossa desilusão. Que cada porção de azul se multiplique em fértil terreno e melhores emoções germinem apetecidas em nossas bocas! As mãos, assim, ficarão mais quentes e, agradecidas, colherão as primícias desse jardim, para depois saborearmos o perfume azul da nova botânica. Tal jardim será o constante renovar dos olhos e das mãos em apoteose. Augusto Mota, inédito, in "Geografia do Prazer", 200017/04/2008
16/04/2008
amigos, vinde

[Junto ao Mondego evocando o indomável rio do tempo] corre o rio -
amigos, vinde
vê-lo correr;
sejamos só
no riso alegre
desta tarde,
um só olhar;
dando as mãos,
mais que o vento
nos elevemos,
ai, mas levando
nas asas brancas,
aquela esperança
que nós sentimos,
azul nascendo,
tão grata e querida,
cada manhã.
amigos, vinde,
que o rio do tempo
não espera por nós;
depois, quando
alto voarmos,
deixemos todos
no mesmo instante
cair as flores
da nossa esperança.
não por magia,
não por mistério,
mas porque nós
um dia cremos
que o nosso sonho
e a nossa morte
era o futuro
por nós nascendo,
paz e amor
será o rio:
esta alegria
cheia das flores
de cada alma -
esta alegria
azul nascendo,
tão grata e querida
cada manhã.

Poema de António Simões, Coimbra, no tempo da ditadura, de 1955/1960
Textos Transversais de Augusto Mota.
14/04/2008
You Are Loved
[deixe a música do blogue chegar ao fim
antes de clicar no vídeo para ver as imagens e
ouvir esta cantiga na magnífica voz de Josh Groban]
10/04/2008
o cio do sol

Enquanto lavro o corpo da manhã o Sol, em cio, cavalga um cão de fogo por entre nuvens afiladas e a construção de cidades adivinhadas. Bem perto, porém, há o rodopiar incessante do disco rubro que agora se estampa em nosso olhar. Vemo-lo para além das nuvens. Vemo-lo em cima e para além deste corpo que se adelgaça no esforço de transportar o astro-rei a caminho de outras galáxias bem mais perto de nós. Rítmica é a sensação do sexo em desespero perante a ingenuidade artesanal do olhar, a firmeza da mão, o gravar da matéria. Assim se constroem as nossas cidades interiores, que ora são corpo de mulher, ora vielas estreitas por onde vagueamos a tristeza e as mãos vazias de tudo. As colinas ao longe agridem o espaço como justo contraponto a este paroxismo de dor e de prazer. Deixemos as coisas acontecer ao ritmo do tempo que tomou conta do nosso acaso.

Augusto Mota, inédito, in "A Geografia do Prazer", 2000.08/04/2008
III Bienal de Poesia de Silves
A Câmara Municipal de Silves levará a efeito, nos dias 25, 26 e 27 de Abril de 2008, a III Bienal de Poesia – “Poem’Arte // Nas Margens da Poesia” – a fim de comemorar o 25 de Abril, homenagear Urbano Tavares Rodrigues e inaugurar a novelíssima Biblioteca Municipal.
Ao longo de três dias, e, em mesas redondas, Poetas e Literatos – Aida Monteiro, António Simões, João Rasteiro, Jorge Fragoso, Marco Alexandre Rebelo, Maria Azenha, Maria Gomes, bruno béu, Eduardo Pitta, Graça Magalhães, José Ribeiro Marto, Maria Toscano, Rui Mendes, Teresa Tudela, Luís Serrano, Maria Estela Guedes, Maria do Sameiro Barroso, manuel a. domingos, Manuel Madeira, Porfírio Al Brandão e Domingos Lobo – moderados por Luís Carlos de Abreu, Paulo Penisga e Silvestre Raposo, falarão sobre Poesia, enquanto o Grupo Experiment’arte intervirá, pontualmente, com provocações poéticas, aos Convidados e ao Público.
Na noite de 26 de Abril, será apresentada a Antologia “Poem’arte // Nas Margens da Poesia”, seguida de leituras por Marta Vargas
Dia 27 de Abril, pelas 18 horas, Domingos Lobo, em lição de sapiência, homenageará Urbano Tavares Rodrigues, o Poeta da Palavra Vida, e,
à noite, o recital de poesia – Palavras Interditas – pelo Experiment’arte, encerrará a Bienal.
À excepção da apresentação da Antologia que será feita no Bar Tapas, da Fábrica do Inglês, as mesas redondas decorrerão na Biblioteca Municipal.
Paralelamente, e, durante os três dias, teremos uma Exposição de Pintura de Marta Jacinto. visite o blogue da bienal "Nas Margens da Poesia" e acompanhe-a, diariamente [clique sobre o nome do blogue]





















