28/01/2014

Café Com Livros







Uma vez mais, no auditório do m|i|mo museu da imagem em movimento – sob a responsabilidade do grupo Trêstúlias, aconteceu  “Café Com Livros”. O convidado desta tertúlia foi Francisco Fanhais, digníssimo representante da música de intervenção. Num ambiente intimista falou-se do encontro da poesia e da música nos anos 60, que foi considerado uma forma vanguardista de intervenção cívico-estética.

A vida de Zeca Afonso foi ilustrada com a exploração do livro de José Jorge Letria «Um Menino chamado Zeca», do qual Lídia Delgado leu alguns excertos.

Francisco Fanhais, emocionou-se ao ouvir Rosa Neves sintetizar o seu percurso de cantor de intervenção desde o dia em que o seu caminho se cruzou com Zeca Afonso e os dois se tornaram cúmplices na amizade e na comunhão de ideais

 Francisco Fanhais, Lídia Delgado, Rosa Neves e Cristina Barbosa à conversa com a plateia.


Foram lidos poemas de José Carlos Ary dos Santos, António Gedeão, José Gomes Ferreira, Miguel Torga. Foi também lido Padre António Vieira e uma sátira de quadras alusivas ao sermão de Santo António aos Peixes, escrita por Maria Arménia Vieira.

 
Belinha Schaden lendo Padre António Vieira.


 
Rosa Neves e Wolfgang  Schaden conversando com a plateia.


Em ambiente descontraído Wolfgang Schaden relembrou o maestro Ricardo Mutti que, num gesto de protesto na Ópera de Roma, usou “Va Pensiero”, de Verdi, como um modo subtil de mostrar o descontentamento dos italianos.
 
Cristina Barbosa evocou a força poética de José Carlos Ary dos Santos.


Mercília Francisco lembrou emocionada Miguel Torga e António Gedeão.



David Teles evocou José Gomes Ferreira e José Carlos Ary dos Santos



 Francisco Fanhais durante a sua intervenção.
  

Cristina Barbosa ouve atentamente Francisco Fanhais.


Francisco Fanhais encantou todos os tertulianos de “Café Com Livros” com a sua voz intemporal e límpida, cantando grandes poetas, grandes músicas, fazendo jus ao que o seu grande Amigo Zeca Afonso um dia lhe disse: 

 «Tu que cantas defronte de faces atentas e seguras, faz do teu canto uma funda. Nesse lugar,
entre outras mãos mais fortes e mais duras, te estenderei a minha mão fraterna. Canta amigo!»


Para nosso privilégio o Francisco continua a cantar… Obrigada Amigo!

"Café Com Livros" agradece a todos o contributo valioso da sua presença. Voltaremos a 

encontrar-nos, como de costume, no 4º sábado dos meses ímpares, portanto no dia 22 


de Março.

Até lá, não recusem:


Um café quente, um livro fresco e uma ideia nova!


Fotos de Ângelo Rosário 
Texto de Rosa Neves
Editado por augusto mota

24/01/2014

Fotopoema













*editado por augusto mota

Romance









*foto e arranjo gráfico de augusto mota

19/01/2014

Legenda íntima 83














*editado por augusto mota

Soneto



ALAVANCANDO


Alavanquemos, Pátria adormecida,
Sinergias que são incontornáveis –
No rio revolto que é a nossa vida,
Agilizemos a fluidez dos sáveis.

Como eles, ó gente empedernida,
Naveguemos as águas mais potáveis,
Elencando a escolha que é devida,
Numa terra onde há poucos notáveis.

Demos-lhe a verdade que tanto tarda,
E numa asa ampla de abetarda,
Voemos pelos céus, sem onde ou quando.

Façamos briefings, outsourcing até.
Multipliquemos por mil a nossa fé,
Alavancando, sempre alavancando.


                                  A. Inocêncio Princípe, 2005 



* editado por augusto mota

Soneto



COMPAGINANDO


Quando o governo inteiro compagina
Prò país o que acha ser preciso,
Flébil parlamento palra em surdina,
Entra a humana razão em pré-aviso.

Mas quando alguém mergulha na tina
E esfrega o lombo com Dove abrasivo,
Pla nossa mente passa, sibilina,
A certeza de perder-se o siso.

Quando entre ais, uivos e dislates,
Com alface, cenoura, mas sem tomates,
O tempero falta à nacional salada;

Quando não há bom senso e nada presta,
A gente pergunta: “Que Pátria é esta?”,
E, perplexa, a Pátria fica calada.


                            A. Inocêncio Príncipe, 2005


* editado por augusto mota

Fotopoema












*editado por augusto mota

18/01/2014

Fotopoema












*editado por augusto mota

17/01/2014

Poesia ilustrada










 

*editado por augusto mota

Fotopoema













foto: Rosa Neves
*editado por augusto mota

16/01/2014

Poema

 
 
CAIR NO CÉU




Subi o monte a que Vénus
deu o nome certo e justo,
nem sempre monte é calvário. 
Com vontade de alpinista,
desejo alcançado à vista,
fui subindo, nada a custo,
a gosto, pelo contrário,
subindo, não pé-a-pé,
mas mão-a-mão, dedo-a-dedo,
e quando cheguei ao alto,
não era tarde nem cedo, 
caí para o precipício
que não tem fim nem início,
sem pesar nem sobressalto,
nem qualquer medo.
E ali fiquei,
tempo não sei,
cada segundo eternidade,
todo o meu ser 
felicidade.
Quem diz que céu não pode ser
cá neste mundo, 
num lugar fundo?

                                Lauro Portugal
 
 
 
 
 in  «A Gloriosa Morte do Esccopião», editora Poesia Fã Clube, Porto, 2013, p. 44
 
ilustração digital de augusto mota
 
* editado por Augusto Mota