12/11/2011

António Gedeão ( 1906 . 1997 )





Poema para Galileu

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.

Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

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bioblibliografia


António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa em 1906.
Criança precoce, aos 5 anos escreveu os seus primeiros poemas e aos 10 decidiu completar "Os Lusíadas" de Camões.
A par desta inclinação para as letras, ao entrar para o liceu Gil Vicente, tomou contacto com as ciências e foi aí que despertou nele um novo interesse.
Em 1931 licenciou-se em Ciências Físico Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e em 1932 conclui o curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras do Porto, prenunciando assim qual seria a sua actividade principal daí para a frente e durante 40 anos: professor e pedagogo.
Exigente e comunicador por excelência, para Rómulo de Carvalho ensinar era uma paixão e uma dedicação.
E assim, além da colaboração como co director da "Gazeta de Física" a partir de 1946, concentrou durante muitos anos, os seus esforços no ensino, dedicando-se, inclusivé, à elaboração de compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química.
Dedicação estendida, a partir de 1952, à difusão científica a um nível mais amplo através da colecção "Ciência Para Gente Nova" e muitos outros títulos, entre os quais "Física para o Povo", cujas edições acompanham os leigos interessados pela ciência até meados da década de 1970.
Apesar da intensa actividade científica, Rómulo de Carvalho nunca esqueceu a arte das palavras e continuou sempre a escrever poesia.
Porém, não a considerando de qualidade e pensando que nunca seria útil a ninguém, nunca tentou publicá la, preferindo destruí-la.
Só em 1956, após ter participado num concurso de poesia de que tomou conhecimento no jornal, publicou, aos 50 anos, o primeiro livro de poemas "Movimento Perpétuo" com o pseudónimo António Gedeão.
Continuou depois a publicar poesia, aventurando-se, anos mais tarde, no teatro, no ensaio e na ficção.
Nos seus poemas há uma simbiose perfeita entre a ciência e a poesia, a vida e o sonho, a lucidez e a esperança.
Aí reside a sua originalidade, difícil de catalogar, originada por uma vida em que sempre coexistiram esses dois interesses totalmente distintos..
A poesia de Gedeão é bastante comunicativa e marca toda uma geração que, reprimida por um regime ditatorial e atormentada por uma guerra, cujo fim não se adivinhava, se sentia profundamente tocada pelos valores expressos pelo poeta e assim se atrevia a acreditar que, através do sonho, era possível encontrar o caminho para a liberdade.
É deste modo que "Pedra Filosofal", musicada por Manuel Freire, se torna num hino à liberdade e ao sonho. Mais tarde, em 1972, José Nisa compõe doze músicas com base em poemas de Gedeão e produz o álbum "Fala do Homem Nascido".
Nos anos seguintes dedicou-se por inteiro à investigação, publicando numerosos livros, tanto de divulgação científica, como de história da ciência.
Gedeão também continuou a sonhar, mas o fim aproximava-se e o desejo de morrer determinou, em 1984, a publicação de Poemas Póstumos.
Em 1990, já com 83 anos, Rómulo de Carvalho assumiu a direcção do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa, sete anos depois de se ter tornado sócio correspondente da Academia de Ciências, função que desempenharia até ao fim dos seus dias.
Quando completou 90 anos de idade, a sua vida foi alvo de uma homenagem a nível nacional.
O professor, investigador, pedagogo e historiador da ciência, bem como o poeta, foi reconhecido publicamente por personalidades da política, da ciência, das letras e da música.
Faleceu em 1997.

Obra Literária:
Poesia:"Movimento Perpétuo", 1956;
"Teatro do Mundo", 1958;
"Declaração de Amor", 1959;
"Máquina de Fogo", 1961;
"Poesias Completas", 1964;
"Linhas de Força", 1967;
"Soneto", 1980;
"Poema para Galileu", 1982;
"Poemas Póstumos",1984;
"Poemas dos textos", 1985;
"Novos Poemas Póstumos", 1990

Ficção:"A poltrona e outras novelas", 1973

Teatro:
"RTX 78/24", 1978;
"História Breve da Lua", 1981

Ensaio:"O Sentimento Científico em Bocage", 1965;
"Ay Flores, Ay flores do verde pino", 1975

Obra Científica:
"Ciência Hermética", 1947;
"Embalsamento Egípcio", 1948;
"Compêndio de Química para o 3º Ciclo", 1953;
"Sr. Tompkins explora o átomo", 1956;
"Guias de trabalhos práticos de Química" [3º Ciclo], 1957;
"Que é a física?", 1959;
"Problemas de Física para o 3º Ciclo do Ensino
Liceal", I volume, 1959;
"A Física para o Povo", 1968;
"Ciências da Natureza",1974;
"Aditamento ao guia de trabalhos práticos de Química", 1975;
"A Descoberta do Mundo da Física", 1979;
"A Experiência Científica", 1979;
"A Natureza Corpuscular da Matéria", 1979;
"Moléculas, Átomos e Iões", 1979;
"A Energia", 1980;
"A Estrutura Cristalina", 1980;
"As Forças", 1980;
"As Reacções Químicas", 1980;
"O Peso e a Massa", 1980;
"A Composição do Ar", 1982;
"A Electricidade Estática", 1982;
"A Pressão Atmosférica", 1982;
"A Corrente Eléctrica", 1983;
"A Electrónica", 1983;
"Magnetismo e Electromagnetismo", 1983;
"A Energia Radiante", 1985;
"A Radioactividade", 1985;
"Ondas e Corpúsculos",1985

Investigação histórica:
"História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa [1765 1772]", 1959;
"História do gabinete de Física da Universidade de Coimbra [1772 1790] desde a sua fundação em 1772 até ao Jubileu do Prof. Giovani António Dalla Bella", 1978;
"Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII", 1979;
"A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências da Lisboa nos Séculos XVIII e XIX", 1981;
"A Física Experimental em Portugal no Século XVIII", 1982;
"A Astronomia em Portugal no Século XVIII", 1985;
"História do Ensino em Portugal, desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar Caetano", 1986;
"O Texto Poético Como Documento Social", 1994. [ in: luso.poemas ]

10/11/2011

texto transversal






José Tolentino Mendonça ( 1965.......)




A presença mais pura

Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»

A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»


José Tolentino Mendonça
de "A Que Distância Deixaste o Coração"
( Anos 90 e agora
uma antologia da nova poesia portuguesa ) ,in poesias_e_prosas

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dados biobibliográficos


José Tolentino Mendonça nasceu em 1965 na ilha da Madeira (Machico). É licenciado em teologia e doutorado em Ciências Bíblicas. É capelão da Universidade Católica de Lisboa, onde dá aulas de teologia bíblica. Sobre a sua vocação religiosa já confessou que "foi uma coisa de juventude, inconsequente, imprudente, inesperada, que eu procuro manter. Ser padre é um nomadismo interior constante. É aceitar a pobreza como condição. E a pobreza é uma coisa chata de viver. É achar que isso pode ser uma forma de dizer alguma coisa ao seu tempo". Publicou vários livros de poemas (Os dias contados, S.R.T.C./Madeira, 1990; As estratégias do desejo, Ed. Cotovia, 1995, Longe não sabia, Ed. Presença, 1997; A que distância deixaste o coração, Ed. Assírio e Alvim, 1998; Baldios, Ed. Assírio e Alvim, 1999 De igual para igual, Ed. Assírio e Alvim, 2001 e A Estrada Branca,2005 Assírio & Alvim,). Escreveu, entre outros, o ensaio "As Estratégias do Desejo: Um Discurso Bíblico sobre a Sexualidade", Livros Cotovia (1994), traduziu o "Cântico dos Cânticos" (1997). É autor da peça de teatro Perdoar Helena, Assírio & Alvim, 2005.

flores, flores, flores






flores,
essas, as de sangue,
dos que tombaram
e verticais ficaram
a nosso lado,
a crescer nosso amor
e nosso assombro -



flores, flores,
essas, as de esperança,
dos que ondularam
a seara do futuro em cada ombro !


                                             António Simões, 1963



da série  «POEMAS DUM OUTRO TEMPO»
foto: Augusto Mota / Papoilas das searas ( papaver rhoes )

08/11/2011

( ocasos ).- 1º desac acto






chega a casa

deita.se dentro da noite sem quaisquer palavras ou
ideias pré concebidas

os seus olhos abrigam o luar
nas redes dos barcos aferrados quando
( avara )
memora uma duas três palavras
indiferente à alegria azul dos braços
que estende ao sol
marejando a desilusão nas pálpebras
pousadas sobre a cama
como se fossem pássaros mortos
sem motejos mas
com as ideias
escritas no ocaso
delirante

dos homens//deuses





gabriela rocha martins ,in .cante.chão.

-imagens de ewa brzozowska.

31/10/2011

Recordando CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE





Vinda de longe, de muito longe, do outro lado do Atlântico da Poesia, esta pomba, exausta, aqui chegou ao fim da tarde de hoje, em Paz, e pousou, de mansinho, no mastro da mezena para nos lembrar que o grande poeta brasileiro Carlos Drummod de Andrade nasceu a 31 de Outubro de 1902, em Itabira, Minas Gerais. O Palácio das Varandas recebeu-a de "troncos abertos", para recordar dois poemas do seu primeiro livro: «Alguma Poesia – 1925-1930».



QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João   foi   para os  Estados Unidos,  Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim  suicidou-se   e   Lili   casou  com   J.  Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. 


ANEDOTA BÚLGARA

Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.


in  CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, «FAZENDEIRO DO AR & POESIA ATÉ AGORA»,
2ª  edição, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro, 1955, pp. 52 e 57.

O poeta faleceu aos 84 anos, a 17 de Agosto de 1987, no Rio de Janeiro.

Foto e legenda: Augusto Mota 

30/10/2011

Sou um aventureiro de palavras





Sou um aventureiro de palavras

monto a primeira
e vejo.a cavalgar
rumo ao poema

torno.a alazão

galopante

entre as escarpas
das estrofes que se preferem
absolutas

invento um corcel de ritmo
aforrado entre
as sílabas
troteadas à inglesa

dispo.me de poesia e

litigo a brisa ao som
cadenciado
do silêncio


o poema acontece



Gabriela Rocha Martins, in .delete.me. , edição Folheto Edições & Design, Leiria, inverno 2008, p. 16.



ilustração: Arte Postal / desenho de Pedro Frazão, 1962

28/10/2011

A tábua da broa




I – 1958


Na minha terra,
Crianças não chegavam à tábua da broa
E berravam com uma boca
Onde cabia uma inteira:
- Ó mãe, quero broa! Quero broa!
Outras, mais espertas,
Subiam a uma cadeira e, com o cabo da vassoura,
Zás, caía a broa no chão!
Era tão simples!
Eu nunca fiz isso.
Nunca tive tábua da broa.

II – 2011 (com Luís de Camões por companhia)

Tivera tábua comprida como rio,
E broa, tamanho Lua cheia,
Crestada nos sorrisos das manhãs,
Mataria minha fome e cio,
Meus e do Universo!
Juntara cestos de laranjas e romãs,
Buscando mais do que amor, eia!
No meu e teu reverso,
Ainda que necessário fora voltar ao berço,
Engrolar um soporífero terço,
Tirar bilhete de ida sem regresso,
Secar-me num vasto poema, de excesso,
(Aqui emerge o Vate, o Laureado,
Que só pela rima fora convidado):
“Se tão sublime preço cabe em verso.” *

                                                                      PEDRO FRAZÃO


28-10-2011 /  * Canto I, estância 5.





fotos da Lua cheia e manipulação cromática: Augusto Mota

Sempre fomos um País construído sobre palavras sem sentido...


«Sempre fomos um País construído sobre palavras sem sentido, vazias, como cascas de tremoço aboiadas, após o conteúdo ter sido mascado, para o chão dos velhos caminhos defronte das antigas tabernas ou botequins de uma Ilha que se sumiu. Assim, temos: Aveiro - a Veneza Portuguesa; Sintra -  a Suiça Portuguesa; o Porto, a capital do trabalho; Coimbra - a Lusa Atenas ou Apenas; Covilhã - a Manchester portuguesa; Braga - a cidade dos Arcebispos; Guimarães - a cidade-berço... Nunca somos nós próprios, estamos sempre ao lado. Até a minha freguesia natal, Santa Luzia, também seguiu a moda da nomeação impostora e ficou a Sala(manca) do Concelho de São Paulo...»


in Cristóvão de Aguiar e Francisco de Aguiar, «CATARSE - Diálogo epistolar em forma de romance»,
     edição Lápis de Memórias, Coimbra, Abril 2011, p. 224.


Não perca a entrevista de Cristóvão de Aguiar ao «Mundo Açoriano» de  hoje: http://www.mundoacoriano.com/

27/10/2011





Podes entrar; tenho as mãos para dizer o disperso canto das águas.

Os meus olhos, alagados pelo grito das árvores,
são lúcidos ao início do sol.
Com o amor das coisas, rejubilo e lanço os braços
a um rodopio doce e futuro, a uma tempestade humana.


Tudo o que eu espero é sentir o elo da criação que se move,
entre mim e ti, e a claridade.


maria gomes, 27 de outubro, 2011


foto: augusto mota / centro de um Lírio-amarelo ( Hemerocallis flava )

25/10/2011





19/10/2011

O primeiro dia do homem na terra




O primeiro dia do homem na terra
foi um privilégio
não mais se repetiu

naquele momento ficou preservado todo
o mistério
e a vida começou

os dias não são mais do que percalços
do percurso.

                                                                          Baião Modesto

in «O LOCAL DA PEDRA» (não editado)
Foto e manipulação cromática: Augusto Mota / flor de Anoneira

16/10/2011

Fotopoema






poema: Carlos Alberto Silva, 15 de outubro, 2011
foto e arranjo gráfico: Augusto Mota / flores de Coraleira (Erythrina crista-galli)

10/10/2011

Nada Mais





Nada mais
que uma leve neblina

um espaço
por onde a música
se abra

um renque de árvores
sobre o rio

pouca coisa:
apenas o coração sereno

os olhos e os ouvidos
filtrando o mundo

                                Luís Serrano


in  «NAS COLINAS DO ESQUECIMENTO»,
edição: CAMPO  DAS  LETRAS,  Porto, 2004,  p. 28.

Ver biobliografia deste autor e opiniões críticas sobre a sua obra em:

Ilustração: Arte Postal / desenho de Pedro Frazão, 1963

09/10/2011

O Touro




O TOURO

É bravo na arena o touro,
Usa a testa para marrar;
A bruteza só é ouro,
Pra quem boi anda a criar.

                                 Pedro Frazão, Miraflores, 2009




Arte Postal, desenho de Pedro Frazão, Lisboa, 1962 

Fotopoema






poema: Carlos Alberto Silva, 8 de outubro, 2011
foto e arranjo gráfico: Augusto Mota / flores de uma macieira polinizadora 

07/10/2011

Gloriosa, ou Lírio-glorioso


POEMA DAS COISAS BELAS

As coisas belas,
as que deixam cicatrizes na memória dos homens,
por que motivo serão belas?
E belas, para quê?


Põe-se o sol porque o seu movimento é relativo.
Derrama cores porque os meus olhos vêem.
Mas por que será belo o pôr do Sol?
E belo, para quê?


Se acaso as coisas não são coisas em si mesmas,
mas só são coisas quando coisas percebidas,
por que direi das coisas que são belas?
E belas, para quê?


Se acaso as coisas forem coisas em si mesmas
sem precisarem de ser coisas percebidas,
para quem serão belas essas coisas?
E belas, para quê?


             António Gedeão, Poemas póstumos (1987)





          A     GLORIOSA, ou LÍRIO-GLORIOSO (Gloriosa superba) é uma trepadeira fora do vulgar, oriunda de África. Tem uma textura herbácea, raízes tuberosas e flores muito decorativas. As folhas são lanceoladas, longas e brilhantes, apresentando uma modificação curiosa nas extremidades, pois transformam-se em gavinhas, que permitem a fixação e ascensão da planta sobre qualquer suporte onde se possam agarrar, pormenor que se pode ver bem em duas das fotografias deste  slideshow.

          Tem um crescimento rápido nos meses quentes, podendo atingir até 2 metros de altura. As flores, que são o  espectacular encanto desta trepadeira, surgem no final da primavera e durante o verão, têm uma característica muito peculiar: as sépalas, em tons alaranjados e vermelhos, viram-se para trás, expondo os ovários e estames, como se a flores estivessem viradas pelo avesso, característica que também se pode observar nesta sequência fotográfica.
          No inverno a planta entra em repouso e perde a folhagem. Neste período os rizomas podem ser removidos e separados, para serem replantados na primavera seguinte.
          A Gloriosa tanto se dá em solos bem drenados, leves e enriquecidos com matéria orgânica, como em vasos e floreiras, exigindo, porém, sol pleno ou meia sombra e regas regulares. Não precisa de ser podada, mas deve ser protegida de invernos rigorosos, retirando os seus rizomas do solo, ou, quando em vasos, colocando estes em locais abrigados.
          Multiplica-se principalmente por subdivisão das raízes ou por sementes, as quais se assemelham, pela cor e forma, a pequenos grãos de romã.

Odysseus Elytis ( 1911.1996 )





XVIII


Percorro agora um país longínquo e sem rugas,
Agora acompanham-me raparigas azuis
e cavalinhos de pedra
com o brinco do sol na ampla fronte.
Gerações de mirto me reconhecem
do tempo em que tremia no iconostásio da água,
proclamando "santo" "santo".
O vencedor do Hades e o salvador de Eros
é o mesmo Príncipe dos Lírios
E por aquelas brisas de Creta de novo
por um instante fui pintado.
Para que os céus sejam justos com o açafrão.
Agora na cal as minhas verdadeiras Leis
encerro e confio.
Bem-aventurados, digo, os que possam decifrar o Imaculado.
Para os seus dentes o mamilo que embriaga,
no peito dos vulcões e na vinha das virgens.
Que sigam o meu caminho!
Percorro agora um país longínquo e sem rugas.
Agora é a mão da Morte
que nos presenteia a Vida
e não existe o sono.
Repica o sino do meio-dia
e devagar nas pedras ardentes se gravam as letras:
AGORA e SEMPRE e LOUVADO SEJA.
Sempre e sempre e agora e agora cantam as aves
LOUVADO SEJA o preço pago.

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notas biobibliográficas

(Pseudónimo de O. Alepoudelis; Iráklion, 1911 - Atenas, 1996) Poeta y ensayista griego, uno de los más representativos de la renovación de la lírica moderna en Grecia. Obtuvo el premio Nobel de Literatura en 1979. Hijo de una acomodada familia procedente de Mitilene, su vocación poética pronto le llevó a abandonar los estudios de derecho que cursaba en la Universidad de Atenas.
Junto con G. Seferis, Y. Ritsos, Andreas Embirikos y otros pertenece a la llamada Generación de 1930, pero mostró una personalidad peculiar dentro del movimiento vanguardista agrupado en torno a la revista Nea grammata (1935), que introdujo el surrealismo en su país. Atraído particularmente por la poesía de P. Éluard, sus poemas más tempranos manifiestan una fuerte personalidad dentro de esa corriente. Orientaciones, publicado en 1940, recoge sus creaciones de esa época.
Publicó más tarde Sol el primero (1943), libro donde tiende más al intimismo. Durante la Segunda Guerra Mundial, tras unirse a la resistencia antifascista con los italianos en Albania, se convirtió en el portavoz de los jóvenes griegos. Uno de sus poemas Canto heroico y fúnebre para el subteniente caído en Albania (1945), un himno a la libertad, tuvo gran repercusión en la posguerra. Después de la contienda no publicó nada durante casi tres lustros. En 1959 reapareció con Axion Esti, largo poema con reminiscencias del Canto a mí mismo de W. Whitman.
La tercera etapa de su poesía se caracteriza por la audacia formal pero conserva su exaltación por la libertad y la energía vital: Dignum est (1959), Seis y un remordimiento para el cielo (1960), El árbol de la luz y la decimocuarta belleza (1971), Monograma (1972). Otras de sus obras son Ho halios ho heliatoras (1971), Los hijastros (1974 ), María Nefeli (1977) y Libro de señales (1977)
Característica de su poesía es la constante búsqueda de la diafanidad. Él mismo lo ha explicado: "Al decir diafanidad entiendo que tras un objeto concreto puede aparecer algo diferente, y tras esto a su vez, otra cosa; y así sucesivamente". Elitys tradujo también a otros poetas como P. Éluard, A. Rimbaud, Lautréamont, P. Jouve, G. Ungaretti, F. García Lorca y V. Maiakovski y a dramaturgos como B. Brecht y J. Giraudoux. Después del golpe militar de 1967, el llamado "poeta del mar Egeo" se estableció en París. ( in Biografías y vidas )

06/10/2011

Prémio Nobel da Literatura 2011


Tomas Tanströmer, 80 anos, um dos poetas mais importantes da Suécia, lançou a sua primeira obra, "17 dikter" ("17 poemas"), em 1954. Estudou psicologia e poesia na Universidade de Estocolmo.

A sua obra foi traduzida para mais de 50 idiomas, e inclui títulos como "The great enigma: new collected poems", "The half-finished heaven", "For the living and the dead""Baltics""Windows and stones". É o poeta mais traduzido da Suécia.

O trabalho surrealista de Transtörmer sobre os mistérios da mente humana fizeram dele um dos escritores escandinavos mais importantes desde a 2ª Guerra Mundial. Em 1990, o escritor sofreu um derrame que o deixou parcialmente paralisado e sem conseguir falar. Mas continuou a escrever, tendo publicado um livro de poemas em 2004.
No livro «21 poetas suecos», publicado em 1981 pela editora Vega, uma obra organizada por Vasco Graça Moura e Ana Hatherly, surge o poema «Lisboa», onde o poeta sueco destaca elementos típicos das zonas históricas da capital portuguesa.

«No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões
Acenavam através das grades
Gritavam que lhes tirassem o retrato»

«"Mas aqui", disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio
"aqui estão políticos". Vi a fachada, a fachada, a fachada e lá no cimo um homem à janela
tinha um óculo e olhava para o mar»

«"Roupa branca no azul. Os muros quentes
As moscas liam cartas microscópicas
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa
"será verdade ou só um sonho meu?"»

Uma passagem pelo Funchal também inspirou Tomas Tranströmer, destacando o mar, a receita atlântica do peixe com tomate e a «língua estranha».

Nota: elementos recolhidos na Net.

03/10/2011

Não esquecer que por enquanto é tempo de Morangos



            Emprestei esta frase do livro «A hora da estrela» de Clarice Lispector. Não é uma frase estratégica, dessas usadas para enganchar o leitor, tampouco foi elaborada para subordinar uma idéia nova. Simplesmente é a última frase do livro. Aquela que pouco será entendida e da qual você se lembrará todas as vezes que comer morangos. E hoje comi morangos, vermelhos e doces, como costumam ser as frutas sazonais. Retirei as folhinhas verdes com cuidado, sentei no sofá e, enquanto comia, ouvia meu pai contar a história do papagaio de seu amigo. Foi um papagaio que apareceu no quintal, sem mais nem menos, e foi ficando, fazendo-se dono do espaço. Gracioso, atrevido e belo foi encantando o dono da casa. Pela manhã dizia bom dia, repetia adjetivos do repertório masculino, repetia nomes, cantava e foi enchendo a casa do homem de palavras. O homem sentiu-se privilegiado ao ter sido eleito por um pássaro. Ria à toa. Comprou comida, construiu uma armação de varetas na varanda para dar guarida ao bichinho, convidou os amigos para conhecê-lo e, nesses encontros, aproveitava para exagerar nos qualificativos sobre o animal.
            Enquanto eu enchia a boca de morangos, meu pai enchia a história de poesia, de cores, de penas, de vôos. E eu pensando onde é que ia dar aquela narrativa. Talvez ele quisesse levantar algumas questões para serem discutidas posteriormente. De modo que fui enumerando mentalmente o que faria sentido para uma discussão. Comecei pela solidão do homem, o amor incondicional dos animais, a vaidade do ser humano, o orgulho, a vocação das pessoas para se apossarem do animal alheio... Mas, antes de tudo, eu deveria descobrir se aquela história era uma comédia ou uma tragédia. Os papagaios sempre ilustram as comédias, quem é que não conhece uma comediazinha cujo personagem principal é um papagaio? Mas pela gravidade na voz de meu pai, comecei a temer o futuro do papagaio. Medo e pena. O homem, o papagaio e os morangos ficaram atravessados em minha garganta. Que fim meu pai daria à história? Quero dizer, a história não era dele, era um relato verídico, e a realidade não perdoa, sabemos disso. Olhamo-nos em silêncio. Perguntei a meu pai como o papagaio fora morto. Eletrocutado no fio de alta tensão, disse sem pestanejar. Ficou dependurado por uma patinha. Grudado mesmo. O homem chamou o bombeiro para retirá-lo dali. O bombeiro não veio. Chamou os amigos para tentar desfazer aquela visão grotesca bem na porta da casa, mas ninguém quis se expor ao perigo da alta tensão. Muita gente deu palpites, mas solução, nenhuma. E o corpo do que era um papagaio seguiu esticado no fio, na frase, na história.
            Corri para o banheiro com a boca cheia de morangos. Não quis comentar nada. Queria vomitar aquela história infame, mas ela já estava arquivada no meu cérebro, juntinha com a história da Macabea. Devia ser por conta dos morangos. O papagaio, por um instante, era a Macabea. Desprovido de conhecimento, indefeso, apenas repetia o gesto dos outros, as idéias dos outros, e, como ela, gostava de estar em algum canto do mundo, de onde pudesse ver o tempo passar. Macabea, dona de uma alma rala, morreu esmagada por um carro depois de uma cartomante lhe encher a vida de palavras. Ficou caída sobre os paralelepípedos sujos em posição fetal, numa tentativa de abraçar-se a si mesma. Morreu deixando uma vida cheia de promessas que não foram cumpridas. Uma morte que poderia ser evitada. Clarice não quis. Desenrolou oito páginas para a luta muda da personagem que tenta viver. Mas vida e morte ficam tão relativizadas que não sabemos se Macabea está viva ou morta. Na verdade, Clarice nos trai, nos conduz por caminhos oblíquos, nos fragiliza, nos leva para mares nunca dantes navegados, nos faz atravessar a linha limite entre vida e morte como se fôssemos atravessar uma rua e, ironiza, enquanto narradora, dizendo que morre várias vezes só para experimentar a ressurreição. Com pequenas sutilezas, tenta nos jogar para a morte: “os que me lerem, assim, levem um soco no estômago para ver se é bom. A vida é um soco no estômago.”
            Começo a raciocinar, dentro da lógica que me falta, que a literatura é muito perversa. Capaz de manipular a vida e a morte. E até uma idéia furtiva acende detrás do meu pensamento, sinalizando que eu também sou culpada pela morte do papagaio. Por enquanto, só posso dizer que ainda é tempo de morangos.

Lucilene Machado / Brasil, 3 de Outubro, 2011


Fotopoema




poema: António Simões, 1958 / da série «POEMAS DUM OUTRO TEMPO»
foto e composição: Augusto Mota / Estrelícia (Strelitzia reginae)

30/09/2011

Canta !


canta, filha !
não há morte para a tua inocência,
não há mãos para estrangular teu canto,
não há grades para os de olhos claros,
não há muros para quem sempre viveu

do outro lado!

                                               António Simões, 1964




da série «POEMAS DUM OUTRO TEMPO»
foto: Augusto Mota / centro da flor da Esteva (Cistus ladanifer)

Esperança 1


noite funda, amor,
absurda e louca noite longa
em que ninguém adormece –

tua mão na minha: uma flor!
(a esperança que o amor prolonga) –
e em nossas mãos amanhece!

                                      António Simões, 1963



da série «POEMAS DUM OUTRO TEMPO»
foto: Augusto Mota / flor da Erva-das-sete-sangrias (Lithodora prostrata)

26/09/2011


As histórias da Cegonha Cici - O Cultivo do Arroz

 
Muitas crianças, particularmente as que vivem longe do campo, desconhecem de onde vem o arroz ou como ele se desenvolve. Especialmente a pensar nelas, em 2009, fizemos um vídeo didático no qual a " Cegonha Cici " explica O ciclo do cultivo do arroz.
De algum modo, este vídeo pretende ser também uma forma de preservar o património imaterial, particularmente das gentes da Borda do Campo, uma pequena freguesia situada a sul do concelho da Figueira da Foz, no Baixo Mondego.

Inês Pinto e Sílvio Gaspar
*
Informação suplementar:

As torres que se vêem inicialmente no vídeo são das ruínas do Mosteiro de Seiça, onde, durante muitos anos, funcionou uma fábrica de descasque de arroz. Para mais informação sobre este Mosteiro consultar os endereços abaixo:
Também aparece no vídeo uma referência ao lagostim vermelho. Aqui se deixam dois endereços onde poderá obter informação completa sobre tal praga dos arrozais:
 Há no endereço abaixo uma informação muito completa sobre a cegonha-branca:
 De referir que também existem, ainda hoje, alguns, poucos, arrozais no Vale do Lis, mas que, nos anos 30 e 40, antes das obras de enxugo deste Vale, com os campos inundados durante meses, a orizicultura teve muita importância na economia desta zona, graças à iniciativa da família Carriço, de Seiça, para onde seguia o arroz para a fábrica de descasque. Aqui, em Ortigosa, só se procedia à debulha, com uma enorme máquina tocada a vapor e grandes correias transmissoras que accionavam complexos mecanismos. Recordações de infância!... 
De notar que é referido o lagostim vermelho como um dos alimentos da cegonha-branca do Vale do Lis, pois ele também já invadiu, há muitos anos, as zonas húmidas, valas e colectores, chegando a entupir os chupadores das moto-bombas das estações elevatórias que abastecem de água as caleiras do complexo sistema hidráulico de rega dos Campos do Lis.

Baile de gala


Disse o vento, enovelando as folhas caídas pelo chão, numa espiral inquieta:
- É chegada a hora, minhas filhas. É chegada a hora do baile de gala.
E arrancando das entranhas a toada de mil instrumentos, pôs-se a soprar uma frenética sinfonia. As folhas, embaladas pelo ímpeto vigoroso do mestre, iniciaram uma coreografia arrojada. Num ritmo crescente, restolharam, rodopiaram e remoinharam, subindo e descendo nos ares, em vertiginoso torvelinho. Até que a chuva, com a sua voz de água corrente, as chamou à razão:
- Acalmai-vos minhas filhas. É hora de descansar. Já podeis voltar de novo ao seio tutelar da Terra. Aconchegai-vos no húmus, bem junto às raízes, e adormecei. A Primavera vos despertará, refeitas em seiva, e logo voltareis a adornar os braços das árvores.



Às ordens do vento -
Num bailarico demente
Giram folhas secas

Até que a chuva as acalme
E adormeçam sobre a terra.


                                   Carlos Alberto Silva

23 Setembro 2011
(primeiro dia de Outono)



foto: Carlos Fernandes

in http://sítiodoshaicais.blogspot.com, 25.09.2011

21/09/2011

À Memória de Mestre Júlio Resende


LUGAR DO DESENHO | FUNDAÇÃO JÚLIO RESENDE





O Mestre convivendo com os visitantes do Cinanima 2003

Aos 93 anos faleceu hoje o pintor Júlio Resende. Desaparece o homem, mas permanecerá a sua vasta obra de toda uma vida dedicada à arte. 
O Palácio das Varandas presta homenagem à sua memória, recordando a visita que os participantes do Cinanima 2003 fizeram ao LUGAR DO DESENHO | FUNDAÇÃO JÚLIO RESENDE, em Gondomar, em novembro de 2003, onde o Mestre nos recebeu com toda a simplicidade e vivacidade que o caracterizava.
Para melhor recordar um grande autor e a sua obra, não deixe de fazer uma visita, mesmo virtual, à sede da sua Fundação:


fotos: augusto mota, novembro de 2003

19/09/2011

Ó Simão, seu trapalhão, já armaste confusão!

18/09/2011


O CAVALO LUSITANO
                                        
Orgulhoso, tremedal,
Nobre estampa, altivez.
Elegante, semental,
Quantos saltos dá por mês?

                                                            Pedro Frazão, Miraflores, 2009



Arte Postal, desenho de Pedro Frazão, Queluz, 1963

Os Corvos do Vale do Lis



Recentemente a Stencil Arte veio até ao campo, mais concretamente ao norte do concelho de Leiria, à zona circundante de Monte Real, facto a que o semanário «Região de Leiria» tem dado atenção, como está documentado em:

Das intervenções já feitas, a primeira, no muro do cemitério de Carvide, é a mais tocante, pelo mistério, emoção e rigor do traço que transparece de tal silhueta, qual fotografia em alto contraste. Na semana seguinte apareceu, numa parede do edifício da estação da CP de Monte Real, um viajante atrasado tentando, a todo o custo, apanhar ainda o comboio. Mais recentemente um enorme bando de corvos “pousou” em vários pilares, no lado poente do viaduto da A17 sobre o Vale do Lis, viaduto que fica imediatamente antes da praça da portagem de Leiria-Norte.

Sobre Arte Urbana consultar:


Imagens de Stencil Arte:



O mais interventivo artista-mistério, com trabalhos em várias países, é Banksy, tendo ficado célebre a obra que deixou no muro da Cisjordânia, cujas fotos que poderão ver em:

Há, no entanto, que referir um artista português que tem feito sucesso em Londres - Alexandre Farto -, que o diário «Guardian» considerou como um dos 10 melhores artistas mundiais da Street Art. Utiliza o que poderíamos chamar a técnica do baixo-relevo, “esgravatando”, com utensílios apropriados, as paredes de prédios abandonados e de muros velhos, técnica muito mais exigente do que a de uma simples pintura, mas com a qual consegue efeitos deveras surpreendentes. A tal técnica de escultura, alia, por vezes, o tradicional grafitti.

Entrevista com Alexandre Farto:


Imagens da obra de Alexandre Farto:


A Stencil Art e os Grafittis são duas modalidades da ARTE URBANA, cada uma com a sua técnica muito específica, podendo por vezes, no mesmo trabalho, haver uma sobreposição das duas modalidades, por uma questão de economia de meios e de tempo.