20/01/2006

4. Senhora, Apetece-me Algo

E agora troquemos os papéis;
É a Ambrósio que algo apetece:
"Nobre Senhora, quero que me deis
Essa cruz que sobre os seios desce."
"Não posso, amigo, pertenceu a reis,
Herdei-a de minha mãe la comtesse
De Martignon, mas porque não quereis
Algo mais prosaico, que eu pudesse
Dar-te sem rebuço, como esses
Ferrero-Rocher que tão bem conheces,
Sem que dê azo a ditos e dislates."
Ele, com fome d'amor e comida,
Sabe que o amor é breve e curta a vida,
E come la comtesse e os chocolates.
A. Inocêncio Príncipe, inédito, 2005.

10 comentários:

Anónimo disse...

A ironia como escrita abençoada...
De muitíssimo bom gosto e cúpida lucidez...
De superior requinte... de malvadez!
Um fortíssimo abraço, certo de que, depois destes quatro sonetos, é de exigir muitos mais.
E, por antecipação, viva a Monarquia com o Inocêncio como Príncipe... ou rei, JÁ!

Anónimo disse...

Cuidado que a "fome" pode dar em fartura!

Anónimo disse...

Com que ironia, estes "Meninos" brincam com coisas tão sérias.
Parabéns!
E venham mais.

Anónimo disse...

Senhor Poeta, apetece-me...algo!

Quatro novos sonetos, de preferência, salteados.

Anónimo disse...

De profundis!
Bravo!

Anónimo disse...

E apanha uma valentíssima indisgestão!!!!!

Anónimo disse...

Não há palavras. Simplesmente genial.

Anónimo disse...

Bravo, Inoc>êncio.
É demais!

Anónimo disse...

Aos Poetas deste País tiro o chapéu.
A Inocêncio Príncipe o meu tricórnio.
Aquele abraço!

Anónimo disse...

Que a satisfação final não vos dê nenhum amargo de boca...