20/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 

19/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RETRATO   DE  MULHER  PORTUGUESA  DOCE 
 
 
 
 
 

Sinto e vejo mais que num beijo o teu olhar de portuguesa triste, o amargo das palavras salgadas escritas na tua face como se fosse uma folha de papel em branco aguardando as palavras silenciosas e suaves do poema.
 
 
Mansa é a tua dor, a ausência da música, enquanto as árvores balançam no fogo aceso que adormece no teu regaço, de um sopro da boca moldada na arte dos grandes ofícios.
 
O vento da Toscânia traçou, de lápis afiado, o contorno rigoroso da tua face, a discreta beleza florentina de olhos perdidos de verde na distância, não sei se do mar se do rio que nasce sempre, regressando ao vale onde  os deuses acompanharam as curvas do caminho, o teu sorriso, os braços abertos, radiantes de ternura abraçando o sol.
 
Que dizer dos teus olhos doces nos grandes silêncios que acompanham a vida ternamente, efervescendo, abafando as marcas abertas nas mãos pelos dedos ansiosos? Serão as estrelas espelhando-se no teu olhar? Um pássaro, pois, poisou na tua fronte e descansou.
 
As marcas do teu sorriso de ternura feito descansam como pássaro no fogo.
 
 
 
 
 
Orlando Cardoso
 19 de Março de 2017

Edição de augusto mota


18/03/2017

Fotopoema











17/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


16/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


15/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

14/03/2017

Fotopoema






 
 




13/03/2017

Fotopoema













Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

12/03/2017

Fotopoema













Texto transversal











06/03/2017

Fotopoema







Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

23/02/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

18/02/2017

Quinta-feira e outros poemas





FESTIM

Solta as tuas pombas, Poeta,
E deixa-as voar... voar...
Se não
Do lírico festim
Que teimas em nos dar
Não restará no fim
Abandonados
Mais que um montão
De penas e ossos esburgados.


Miguel Franco, in «Quinta-feira e outros poemas», Leiria, 1962, p. 7



 



Capa e ilustração (p.6) de augusto mota



17/02/2017

Texto transversal








02/02/2017

Texto transversal







Para ter uma ideia do que é o PARQUE DOS POETAS ver estes dois vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=03r-DUqrEHw https://www.youtube.com/watch?v=CJF_WKcxb7U
 

Rosário breve




FÁBULA  DE  INVERNO  COM  UM  BOCADITO  DE  VERDADE





Gosto do Inverno. É quando mais franco se me volve aquele verso de Whitman: “Eu estou no meu lugar com os meus dias, aqui.” Rondei o derradeiro dia de Janeiro na condição de amador do tempo que fazia.
Era o império da morrinha. Do céu fosco, do céu sem um brilho, abóbada laminada a estanho, descendia espargindo-se a poalha atomizada. Pelas esplanadas, ninguém. Era como se tivesse caído a Bomba. O esquisito foi depois.
Entrei na tabacaria. Ninguém. Tudo ali à mão de pilhar. Luzes acesas sim senhor, registadora electrónica mostrando a última venda, jornais do dia, revistas da semana, fascículos coleccionáveis, aventais de raspadinhas esperando a moeda fricativa dos tesos de fortuna, copo de lápis, copo de esferográficas, chocolates finalmente baratos, brindes sorteáveis, canecas temáticas, jogos didácticos para crianças do meu tempo, dêvêdês de um tempo que vai deixando de ser meu, flores azuis e de plástico numa jarra feia como a minha cara de quando durmo & como a de quando estou acordado, tudo e menos alguma coisa.
Balbuciei: SôrAnacleto!”. Nada. SôraJudite!”. Túmulo. M’nineIvone!”. Espaço sideral. De imediato, sabendo-me portador de impunidade, do meu ombro direito sopra-me o Diabo encavalitado: “Gama o que quiseres, anjinho, isto hoje é tudo à fartazana.” Menos de metade de segundo depois, do ombro oposto o senhor meu Pai assim e assim só: “Filho.”
Não foi preciso mais nada. Rodei a esquina do balcão, tirei da estante do tabaco o maço da minha marca, deixei as moedas contadas entre o visor e as teclas da registadora. Saí. Saí um bocadito turvado pela sensação de ter ouvido fantasmas tuteadores & tuteladores.Voltei para casa. Esperei pela minha Senhora. A minha Senhora voltou.
Contei-lhe o que se tinha passado. Ela ouviu tudo sem me interromper. Quando acabei, quis saber o que achava ela. Ela achou.
Achou que “Se o anterior executivo da Câmara do Cartaxo tivesse feito o mesmo que tu fizeste, escusaria agora o pobre Pedro Ribeiro de andar a tapar buracos sem poder deixar grande obra feita.”
Isto foi a minha Senhora a achar, que eu, por mim, não acho nada. Sou achado. Onde? No meu lugar com os meus dias.
Aqui.




Crónica de Daniel Abrunheiro, in «O Ribatejo», 2 de Fevereiro de 2017

Edição e fotos de augusto mota
 

01/02/2017

Texto transversal









Cartão virtual

 
 Para a Maria Gabriela
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

13/01/2017

Texto transversal







Mago Canto










30/12/2016

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 

22/12/2016

Rosário breve

 
 
PALAVREADO  COM  DISCRETO  REMATE  PESSOANO
  
1. A páginas tantas da sua «História da Literatura Portuguesa», Teófilo Braga cita um tal “Caro”. Trata-se talvez (não tenho a certeza) de Elme-Marie Caro (1826-1887), filósofo francês que escrevinhava na célebre «Revue des Deux Mondes». Nesse trecho, depois de enumerar os degraus da tomada de auto-consciência da humanidade (que se desanimaliza instituindo a família, a lei da cidade, a domesticação das espécies animais e das forças da Natureza), acontece uma ressalva notável: “(…) a civilização expulsando a barbaria, mas experimentando retrocessos terríveis desta barbaria, como por uma espécie de lei de atavismo que acorda, segundo nos dizem, de tempos a tempos no homem, os instintos ferozes de avós desconhecidos.”
Anotei a passagem, que agora dou à publicidade por partilha convosco. Para mim, são palavras que vingam pela infeliz actualidade: como se os séculos XIX & XXI se mesclassem os idênticos algarismos romanos por que são nomeados. Veja-se isto da Alemanha, mesmo agora: outro camião, outro assassino, outras vítimas mortais; isto da Turquia, com um assassinato em directo à hora da janta; isto tudo da Síria há tantos anos/séculos. Há pouquito, o Vietname, El Salvador, o Iraque, o Afeganistão, Timor-Leste – e mais uma imparável carrada de etc.
Não acho nada que a religião tenha a ver com isto. Trata-se do costume: petróleo, diamantes, narcóticos & matérias-primas essenciais ao forno devorador das grandes produções e dos consumos multitudinários. Trata-se da voragem do Poder, enfim. Deus, chame-se ele Alá ou Jeová ou Manitou ou Zeus ou Júpiter ou Inti ou Rá ou o Diabo por eles todos, pouco é para aqui chamado. Não alimento quaisquer ilusões quanto a isto. E não, não vou com o Pai Natal ao circo.
 
 
2. Então vou aonde? Vou, como os marinheiros fazem ao barco, pôr ao largo o coração. Como o que matou Bruce Lee não foi a brucelose, é descontraído que atiro as passadas aeróbicas rumo à minha doença favorita: ver o mundo local com olhos de lápis. É sempre maravilhoso. Exemplo imediato: passagem do Serafim das Arrufadas a bordo de um transatlântico novo – o titanic do dia é uma brasileira egressa de Goiás que ele conheceu durante um Sporting-Arouca ali naquele alterne logo a seguir às bombas da Repsol, vocês sabem e estão mesmo a ver. Adoro ver o desplante de satisfação reverberando nas trombas do Serafim: de Rôsemére do lado direito & a tilintar do esquerdo o porta-chaves do Mercedes importado de Frankfurt em sétima-mão (como a Rôsemére, aliás – digo: a sétima-mão, não a cidade das salsichas-de-lata). A felicidade é coisa tão pouquinha de tão fácil, pois então não é? O Serafim não é desses lingrinhas dados ao verso-livre ou às maluqueiras da pintura cubista, nem ao dodecafonismo intoleravelmente atonal ou ao polemismo azedo do tal Teófilo Braga. Não. O Serafim é feliz: instituiu família (tem dois filhos da Graciete Cabeleireira e um outro de uma estagiariazita zarolha do Centro de Emprego), domesticou quatro cães, três periquitos, dois árbitros dos Distritais & uma porca para o S. Martinho que vem, anda contente com a nova Loja do Cidadão ao cabo de cinco anos-sant’engrácios, tem pára-raios no canhão da chaminé – todo ele é, enfim, um civilizado. Não é daqueles tristes que, tendo medo da própria sombra, nem sombra de si mesmos chegam a ser. Népias disso. Como ganha a vida com um esquema de facturas-falsas que não dá trabalhinho nenhum & é sempr’àviar, é muito gajinho para singrar na política, tipo presidente-da-junta ou menos.
Quem quiser provas de que só digo a verdade, toda a verdade & nada menos que a verdade, que vá com o Serafim ao circo: mas do flanco esquerdo dele, que à direita vai a Rôsemére navegando.
E é de coração-ao-largo que navegar continua a ser preciso.
 
Crónica de Daniel Abrunheiro, in «O Ribatejo», 22 de Dezembro, 2016
 
Foto obtida na net
Edição de augusto mota
 

16/12/2016

Pressentimentos

 
 
 
 
 
 
 
 

15/12/2016

Café com livros



ÍNDIAS - Vasco da Gama o Herói Imperfeito

 
 
 
Por razões logísticas só hoje é possível uma referência à tertúlia "Café com livros", de 26 de Novembro, p.p., que teve lugar no museu Moinho do Papel, em Leiria. Foi convidado o escritor João Morgado, que veio fazer a apresentação do seu mais recente livro «ÍNDIAS», Vasco da Gama  o herói imperfeito da História de Portugal, edição Clube do Autor, 2016.
 
O escritor já estivera em "Café com livros", em Junho de 2015, para falar do seu livro «VERA CRUZ», a vida desconhecida de Pedro Álvares Cabral (ver, a propósito: http://palaciodasvarandas.blogspot.pt/2015_06_01_archive.html).
 
Rosa Neves, João Morgado e Cristina Barbosa


Cristina Barbosa fez a apresentação do convidado:
João Morgado nasceu em 1965, na aldeia do Carvalho, Covilhã. Formado em Comunicação pela Universidade da Beira Interior, tirou o mestrado em estudos Europeus na Universidade Pontifícia de Salamanca, Espanha. Trabalhou alguns anos como jornalista, tendo colaborado com o diário «Público» e o semanário «Sol». É actualmente Chefe do Gabinete do Presidente da Câmara de Belmonte - terra de Pedro Álvares Cabral.

 
 
 

Actualmente é formador e consultor de comunicação e imagem em empresas e no meio político. Tem publicadas as seguintes obras: Romance - «Diário dos Infiéis», edição Oficina do Livro, 2010; «Diário dos Imperfeitos», edição Kreamus, 2012, Prémio Vergílio Ferreira, 2012. Contos - «Meio-Rico», edição Kreamus, 2011; «O Pássaro dos Segredos», edição Kreamus, 2014, conto ilustrado; «Falstaff e o Vinho de Roda», edição do Instituto do Vinho da Madeira (Colectânea). Poesia - «Colectânea de Poesia Contemporânea da Beira Interior», coordenador e co-autor, edição Kreamus, 2001; «Rio de Doze Águas», co-autor, editora Coisas de Ler, 2012; «Para Ti», edição Kreamus, 2014. Fotografia - «Covilhã e a Estrela», co-autor (Texto), Fernando Chaves (Fotografia), edição Kreamus. Estudo - «Covilhã e a Imprensa - Memórias de um século: 1864-1964» - edição da Associação da Imprensa Diária e Não Diária.  

 
 
 

João Morgado foi ainda o vencedor do Prémio Literário António Alçada Batista 2014, com o romance «Gama - o Herói Imperfeito» e do Prémio Fundação Dr. Luís Rainha / Correntes D'Escritas 2015, com o romance «O Céu do Mar» que o autor considera "uma obra dentro do realismo-mágico. Mais do que o aspecto histórico desta tragédia, centrei-me no sentir das gentes, dos viúvos, dos órfãos, dos jovens que querem ser homens à pressa, na sobrevivência de uma comunidade... e dar-lhe, no final, uma mensagem de esperança, dando um céu a todos os pescadores que não sobreviveram à força do mar bravo."
 
 
 
 Com «Porto de Saudade», uma reflexão sobre a expansão portuguesa, obtém o Prémio Literário de Poesia Manuel Neto dos Santos 2015, obra editada em 2016 pela Arandis Editora, promotora do prémio.

 


A propósito de «Porto de Saudade» afirma o autor: "A alma portuguesa divide-se. No cais fica o seu lado feminino, a mulher chorosa, a pátria. À conquista dos mares parte o seu lado masculino, o marinheiro que mais tarde será o corpo do Império. Resistirá a Pátria aos sacrifícios do Império? Os dois lados saberão co-existir sem matar uma das partes da alma lusitana? Qual o destino de Portugal? Partir? Ficar? Procurar eternamente o seu destino?"

 

Esta tertúlia foi uma bela lição de História, pois João Morgado conseguiu prender o interesse da assistência ao contrapor, com a sua característica vivacidade e uma emotiva narração, as personalidades tão díspares de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.
 
 
Laura Rosário deu, mais uma vez, a sua colaboração a "Café com livros", lendo um excerto de «O Pássaro dos Segredos», memórias do autor sobre o 25 de Abril de 74, quando ainda era uma criança. 
Cláudia Barbosa leu, do livro «Para Ti», o poema «A Luz da Vela»:
 


O fogo dentro de nós era tão forte
   que deu para acender a lareira.
 
Era tão forte o fogo dentro de nós 
   que jurava ser lume para a vida inteira.
 
O fogo dentro de nós era tão forte
   que nos amámos, chorámos e sorrimos.
 
Era tão forte o fogo dentro de nós
   que um ao outro nos consumimos.
 
Recordo a chama de uma vela que ondulando
   pintava a tua cara em aguarela.
Nunca o meu desejo foi tão forte
   nunca tu foste tão bela.
 
Era tão forte o fogo dentro de nós
   e hoje... nem sequer resta a vela!  
 

David Teles, além de um excerto de «ÍNDIAS», também leu dois poemas de «Para Ti», um dos quais - "Palavras" - abaixo se reproduz:
 
 

           Lembras-te? Já fomos
            palavras                                                distantes!
       
          Depois,
            descobrimos que as palavras quase rimavam.
            desejo, beijo... 
          Lembras-te? Fomos então
            palavras ... próximas! 

          Mais tarde,
           as palavras já rimavam mesmo
           e conjugavam verbos a duas vozes 
           desejar, amar...
          Lembras-te? Tornámo-nos 
           palavras-unidas! 

          Com o tempo,
           a emoção baralhava os sentidos
           - tu e eu significavam o mesmo... 
          Lembras-te? Éramos um só corpo de 
           palavrassobrepostas!



 
 
Terminada a leitura de textos e poemas da autoria do convidado e em sua homenagem, seguiu-se a sessão de autógrafos e, por último, o tradicional café com bolinhos, desta vez com a surpresa de haver também castanhas assadas quentinhas e ginjinha caseira!..
             
 

 
 
"Também já tenho o meu livro autografado!"
 
 
 
 
 
 
Por fim um agradecimento muito especial das Trêstúlias a D. Lisete Ferreira, técnica do Moinho do Papel, pela prestimosa ajuda que tem dado a "Café com livros", sempre que a tertúlia se tem realizado neste museu municipal. 
 
Rosa Neves, Lisete Ferreira e filha
      

Voltamos a encontrar-nos em Janeiro de 2017.
Até lá não recusem   
 
                                 Um café quente
 
                                            Um livro fresco
 
                                                     Uma ideia nova 
 
 
 
Edição de Augusto Mota 
 
Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e Rui Pascoal