26/04/2017

Texto transversal










25/04/2017

A noite de pedra

 
 
 
 
 
 
 
 


24/04/2017

25 de Abril

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

12/04/2017

Fotopoema

 
 



Atenção a este exercício que a autora nos propõe: nas duas versões deste fotopoema o significante, isto é, o corpo do texto, conquanto apresente rigorosamente as mesmas palavras, mas com as linhas por ordem inversa (a última passa a ser a primeira), não se altera o conceito inicial, portanto o significado é idêntico em ambas as versões.
      
 
 
 
 
  
 
Edição: Augusto Mota
 
  

Fotopoema

 

 
 

 
 
 
 
 
 


08/04/2017

Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

07/04/2017

Café Com Livros

  
 
 
 
 
 
No dia 25 do passado mês de Março, teve lugar na sala polivalente do m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento, a tertúlia Café com livros, uma iniciativa das Trêstúlias, que conta já com quatro anos de existência. Desta vez cumpriu-se mais uma das rubricas destas tertúlias – “Gente da Nossa  Terra” –,   tendo como convidada Cristina Nobre, Professora, Investigadora e Escritora, que se tem dedicado a estudar a vida e obra do poeta Afonso Lopes Vieira. Veio falar-nos da sua poesia, da sua experiência da vida, do seu trabalho como investigadora e como professora, experiências que perpassam, emotivamente, na sua obra poética.
             

 Como ponto prévio, Rosa Neves chamou a atenção para o facto de haver poetas que, escudando-se na timidez e no recato, nos pregam partidas e partem sem deixar que os outros conheçam o que escrevem. Foi o que aconteceu com Filipe Antunes, que partiu discreta e precocemente, deixando “uma gaveta” inteira cheia de palavras bonitas de ler… Como o resgate dos poetas é feito através da leitura dos seus poemas, Rosa Neves e Cristina Nobre leram poemas do livro «S.M.S.: são mensagens, Senhora!» - edição trilingue, sendo a versão francesa de Marie Claire Vroomans e a neerlandesa de Irene Koenders, da responsabilidade da “Orfeu”, Livraria Portuguesa e Galega, de Bruxelas. 
 
  
Cristina Nobre lendo um poema de Filipe Antunes
Aqui e agora
 
Antes da primeira brisa da manhã

 
Antes da primeira ave
 
 
Te sonhei em mim
E, como se a minha nudez abraçasse o ar,
Amei o dia que ia nascer

Por te ter ali

in «S.M.S.: são mensagens, Senhora!», p. 36 


                          
 
 
 
Passando ao tema desta tertúlia, Lídia Raquel, fez a apresentação da convidada:
Cristina Nobre é Professora, desde 1987, no Instituto Politécnico de Leiria - Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, onde, no departamento de Línguas e Literatura, é Professora Coordenadora de Literatura Portuguesa, Teoria da Literatura e Literatura para a Infância.


Lídia Raquel, Rosa Neves, Cristina Nobre e Cristina Barbosa
                     
Em 1985 licenciou-se na Universidade de Lisboa em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses.
Fez o mestrado em Literatura Portuguesa Clássica, em 1990, com a dissertação «Contos e Histórias de Proveito e Exemplo de Gonçalo Fernandes Trancoso — um texto instrutivo do século XVI», publicada pela editora Magno, Leiria, em 1999.
Doutorada em Literatura Portuguesa, pela Universidade de Lisboa, em 2001, com a tese «Afonso Lopes Vieira — A Reescrita de Portugal, vol. I e Inéditos, vol. II», editada pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda, Lisboa, em 2005.
Pós-doutorada em História do Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em 2008, com o trabalho de investigação  «Afonso Lopes Vieira na correspondência e imprensa da época», publicado pela editora. Imagens&Letras, Leiria, em 2011.
Tem ainda publicados dezenas de artigos de investigação, quer sobre Afonso Lopes Vieira, quer sobre Educação.
 
Outras obras, como autora, co-autora ou editora:
 
2001. «Um longo ataque de melancolia mansa: [correspondência e autógrafos (1909-1945) de Afonso Lopes Vieira a Artur Lobo de Campos]».
2003. «Passeio Sentimental de Afonso Lopes Vieira», Rota dos Escritores do século XX.
2003. «O Romance de Amadis. Reconstituído por Afonso Lopes Vieira»
2003. «Contos e Histórias de Proveito e Exemplo, de Gonçalo Fernandes Trancoso».
2004. «Passeio nas terras de Afonso Lopes Vieira», edição da Região de Turismo Leiria-Fátima.
2004. «Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria. Actualização ao séc. XX », coordenação de Acácio de Sousa, Edições Magno, Leiria.
2007. «FOTOBIOGRAFIA. Afonso Lopes Vieira. 1878-1946», edição Imagens&Letras, Leiria.  
2008.  «Aprendo com as línguas». Escudé, P. (Dir.) et alii (equipa portuguesa: Barbeiro, L. F; Nobre, Cristina; João, Cláudia; Santos, S.)  Edição portuguesa: LIDEL, edições técnicas, Lisboa. Outras edições: «J’apprends par les langues» (França); «Aprendo gracias a las lenguas» (Espanha); «Imparo con le lingue» (Itália); «Învăţ cu ajutorul limbilor» (Roménia); «Apreni per las lengas» (edição em occitano).  
2012.  «Nós e a Literatura», organização de Luís Barbeiro, Cristina Nobre, Maria José Gamboa e Susana Nunes,  apoio: Culture Program .
2012.  «A literatura para a infância e juventude em Portugal: a obra poética de Afonso Lopes Vieira», edição ESECS - Instituto Politécnico de Leiria.
2013. «Lugar literário. Inventário do espólio da Casa-Museu Afonso Lopes Vieira», edição ESECS - Instituto Politénico de Leiria.
 
Obras literárias:                                                               
 
1999. «Dia após dia». Poesia.  Edições Magno, Leiria.
2004. «Quem me escolhe um cachorrinho?», ilustrações de Irene Gomes.
2013. «Ano Traz Ano», Poesia. Edição de autor.
2016. «Os livros nos dias». Crónicas e pormenores. Ilustrações de Rita Neto Silva. Edição ESECS - Instituto Politécnico de Leiria.

Tem ainda vários contos breves publicados na imprensa regional.
 
 
Mariana Neves lendo um poema de Afonso Lopes Vieira
O Segredo do Mar
 
A "Flor do Mar" avançando
Navegava, navegava,
Lá para onde se via
O vulto que ela buscava.
 
Era tão grande, tão grande
Que a vida toda tapava.
 
E Bartolomeu erguido
Aos marinheiros bradava
Que ninguém tivesse medo
Do gigante que ali estava.
 
E mais perto agora estão
Do que procurando vão!
 
Batolomeu que viu?
Que descobriu o valente?
- Que o gigante era um penedo
que tinha forma de gente?
 
Que era dantes o mar? Um quarto escuro
Onde os meninos tinham medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
E foi um português que o foi abrir.
 
Afonso Lopes Vieira, in  «Antologia Poética»   
            

Cristina Delgado vai ler um poema de Cristina Nobre
 
Um gesto de ternura


Lentamente
Um estender de mão
Breve e ansioso
 
A inquietação do cigarro
Miopia no olhar atento
 
Tantas coisas que nos escapam
Tanta a natureza que nos asfixia
 
Mortos mortos de ternura
Inquietas, coração nas mãos
Atiramos palavras
Como quem recebe o vento no rosto
 
Inquietos arriscamos a nossa visão
 
Mas nunca
Como hoje
Um gesto de ternura nos deteve
 
À flor da nossa pele
 
Seca de tão pensada
Gasta e humilhada
Pelas amarras da razão
 
Cristina Nobre, in «Dia Após Dia»

 Cristina Barbosa lendo o poema "O nome"
O nome
 
Tenho tudo
o que os outros me dão
 
Um nome cristalino
transparente
e sorridente
onde cada sílaba
deita luz
e distrai a solidão
 
Não meu pai
não podia ter sido
Catarina
os agudos eram ainda
parcos
e a magreza
também contava
 
Leva-me contigo
meu nome
arrasta-me
à verdade profunda
da tua nomeação
 
E faz de mim
final
e exacta
perfeita imagem
do teu sonante
alegre dizer
Cristina Cristina
 
Cristina Nobre, in «Dia Após Dia»
                      
Dinara Tonkikh
Como, por vezes, acontece em Café com livros há uma surpreza reservada para o convidado. Desta vez  foi a jovem violinista russa Dinara Tonkikh, residente em Leiria,  que executou com maestria duas peças clássicas dedicadas a Cristina Nobre.               
 
   
Para concluir esta breve memória de uma proveitosa tarde plena de reflexões, tanto da parte de Cristina Nobre, como da parte de uma assistência bastante interventiva, não podíamos deixar de referir a leitura que ela própria fez do seu poema Instalada
 
Sabias, Afonso, que continuo aqui
instalada, pronta para ti
e as tuas doces revelações
 
Sentada, pois claro, correctamente
à espera de teu dizer
novo
o homem completo que soubeste ser
 
Duvidas, às vezes, de minha persistência
mas quero/te dar todo
total em teus deslizes, críticas, tristezas vorazes
ironia, sarcasmo, sede de destruição
 
Instalada
meu desejo é abanar/te
voltar tua estratégia calma do avesso
largar esse sinistro orgulho de um ideal perdido
e mostrar teu duvidoso ser
cheio dos medos alheios, receoso da fragilidade
de ti mesmo nos outros, esse Portugal cansado
que herdaste
 
Quero devolver/te inteiro
retirar essa capa onde ofuscaste tuas palavras
com que cobriste as oscilações de tuas neurastenias
 
Nem louco, nem santo
Afonso, cavaleiro, quixote das ondas
frei dos búzios amansados
 
Apenas verdadeiro
devolvido
à tua humana dimensão
 
Instalada, correctamente sentada
refaço/te permanentemente
com exactidão
meu poeta Afonso
feito homem entre nós
 
Cristina Nobre, in «Ano Traz Ano»
 
O que é e para que serve a Poesia?  Fiquemos com estas reflexões de Cristina Nobre, in «Os livros nos dias», página 28:
"A poesia é o núcleo imprescindível de uma educação para o sublime."
"A poesia preenche todas as dúvidas, precisamente por não ser uma resposta mas uma abertura para a reflexão e o sublime, uma libertação das amarras criadas pela mente ágil e o corpo são, uma possibilidade de ir além do óbvio de todos os dias."
 
Voltamos a encontrar-nos no próximo mês.
Até lá não recusem
                              um café quente  
                                                    um livro fresco
                                                                         uma ideia nova
 
 
Texto de Rosa Neves e Augusto Mota
Fotos de Rui Pascoal e Augusto Mota
Edição de augusto mota
 

20/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 

19/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Fotopoema

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RETRATO   DE  MULHER  PORTUGUESA  DOCE 
 
 
 
 
 

Sinto e vejo mais que num beijo o teu olhar de portuguesa triste, o amargo das palavras salgadas escritas na tua face como se fosse uma folha de papel em branco aguardando as palavras silenciosas e suaves do poema.
 
 
Mansa é a tua dor, a ausência da música, enquanto as árvores balançam no fogo aceso que adormece no teu regaço, de um sopro da boca moldada na arte dos grandes ofícios.
 
O vento da Toscânia traçou, de lápis afiado, o contorno rigoroso da tua face, a discreta beleza florentina de olhos perdidos de verde na distância, não sei se do mar se do rio que nasce sempre, regressando ao vale onde  os deuses acompanharam as curvas do caminho, o teu sorriso, os braços abertos, radiantes de ternura abraçando o sol.
 
Que dizer dos teus olhos doces nos grandes silêncios que acompanham a vida ternamente, efervescendo, abafando as marcas abertas nas mãos pelos dedos ansiosos? Serão as estrelas espelhando-se no teu olhar? Um pássaro, pois, poisou na tua fronte e descansou.
 
As marcas do teu sorriso de ternura feito descansam como pássaro no fogo.
 
 
 
 
 
Orlando Cardoso
 19 de Março de 2017

Edição de augusto mota


18/03/2017

Fotopoema











17/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


16/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


15/03/2017

Fotopoema

 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

14/03/2017

Fotopoema






 
 




13/03/2017

Fotopoema













Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

12/03/2017

Fotopoema













Texto transversal











06/03/2017

Fotopoema







Fotopoema

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

23/02/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 
 

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

18/02/2017

Quinta-feira e outros poemas





FESTIM

Solta as tuas pombas, Poeta,
E deixa-as voar... voar...
Se não
Do lírico festim
Que teimas em nos dar
Não restará no fim
Abandonados
Mais que um montão
De penas e ossos esburgados.


Miguel Franco, in «Quinta-feira e outros poemas», Leiria, 1962, p. 7




 



Capa e ilustração (p.6) de augusto mota



17/02/2017

Texto transversal








02/02/2017

Texto transversal







Para ter uma ideia do que é o PARQUE DOS POETAS ver estes dois vídeos: https://www.youtube.com/watch?v=03r-DUqrEHw https://www.youtube.com/watch?v=CJF_WKcxb7U
 

Rosário breve




FÁBULA  DE  INVERNO  COM  UM  BOCADITO  DE  VERDADE





Gosto do Inverno. É quando mais franco se me volve aquele verso de Whitman: “Eu estou no meu lugar com os meus dias, aqui.” Rondei o derradeiro dia de Janeiro na condição de amador do tempo que fazia.
Era o império da morrinha. Do céu fosco, do céu sem um brilho, abóbada laminada a estanho, descendia espargindo-se a poalha atomizada. Pelas esplanadas, ninguém. Era como se tivesse caído a Bomba. O esquisito foi depois.
Entrei na tabacaria. Ninguém. Tudo ali à mão de pilhar. Luzes acesas sim senhor, registadora electrónica mostrando a última venda, jornais do dia, revistas da semana, fascículos coleccionáveis, aventais de raspadinhas esperando a moeda fricativa dos tesos de fortuna, copo de lápis, copo de esferográficas, chocolates finalmente baratos, brindes sorteáveis, canecas temáticas, jogos didácticos para crianças do meu tempo, dêvêdês de um tempo que vai deixando de ser meu, flores azuis e de plástico numa jarra feia como a minha cara de quando durmo & como a de quando estou acordado, tudo e menos alguma coisa.
Balbuciei: SôrAnacleto!”. Nada. SôraJudite!”. Túmulo. M’nineIvone!”. Espaço sideral. De imediato, sabendo-me portador de impunidade, do meu ombro direito sopra-me o Diabo encavalitado: “Gama o que quiseres, anjinho, isto hoje é tudo à fartazana.” Menos de metade de segundo depois, do ombro oposto o senhor meu Pai assim e assim só: “Filho.”
Não foi preciso mais nada. Rodei a esquina do balcão, tirei da estante do tabaco o maço da minha marca, deixei as moedas contadas entre o visor e as teclas da registadora. Saí. Saí um bocadito turvado pela sensação de ter ouvido fantasmas tuteadores & tuteladores.Voltei para casa. Esperei pela minha Senhora. A minha Senhora voltou.
Contei-lhe o que se tinha passado. Ela ouviu tudo sem me interromper. Quando acabei, quis saber o que achava ela. Ela achou.
Achou que “Se o anterior executivo da Câmara do Cartaxo tivesse feito o mesmo que tu fizeste, escusaria agora o pobre Pedro Ribeiro de andar a tapar buracos sem poder deixar grande obra feita.”
Isto foi a minha Senhora a achar, que eu, por mim, não acho nada. Sou achado. Onde? No meu lugar com os meus dias.
Aqui.




Crónica de Daniel Abrunheiro, in «O Ribatejo», 2 de Fevereiro de 2017

Edição e fotos de augusto mota