03/12/2016

Texto transversal









Lanterna chinesa






21/11/2016

Texto transversal








10/11/2016

Rosário breve



MEIO SÉCULO DE «O JUDEU»





«O JUDEU» de Bernardo Santareno foi publicado há 50 anos.
Obra-prima da literatura dramatúrgica portuguesa do século XX (e de todos os que vierem), é ponto cimeiro do extraordinário repertório teatral criado por António Martinho do Rosário, nome civil do dramaturgo nascido a 19 de Novembro de 1920 na scalabitana freguesia de Marvila.
«O JUDEU» marca, também e ainda, a incursão de Santareno na dimensão épica do entrecho discursivo-dramático, monumento que alguns tolos (críticos de pacotilha, revolucionários de café) acharam “irrepresentável em palco”. (Talvez os engulhasse o parentesco brechtiano da viragem formal da escrita do Santareno pós-neo-realista.) Mas não só. A peça de Santareno tem por núcleo primacial a tragédia pessoal de António José da Silva (1705-1739), autor, como Santareno, de uma produção dramática incómoda (exasperante até) para o regime seu contemporâneo. As sátiras espirituosas deste cristão-novo (como «As Guerras do Alecrim e da Manjerona») caíram mal, para dizer o mínimo, entre os intolerantes e fanáticos monstros da “Santa” Inquisição, que de muito mais não precisaram para o queimar em público auto-da-fé a 18 de Outubro de 1739.
Retratado & retratista (António ambos) irmanam-se na desventura trágica das respectivas existências terrenas. A António José da Silva corresponde Bernardo Santareno do paralelo modo como ao Santo Ofício dos séculos XVI a XIX corresponde a PIDE do século XX. A polícia política de Salazar não extinguiu fisicamente, é certo, Bernardo Santareno – mas tudo fez para lhe sufocar a Obra, a torrencial & primorosa obra teatral com que Santareno fustigou o despotismo ao tempo mesmo que exalçava a peremptoriedade da dignidade humana, essa dignidade que outra coisa não é, ou outro nome não tem, que isto & este: Liberdade (e da incondicional).
Em e a partir desse remo(r)to ano de 1966, «O JUDEU» não pôde, naturalmente (aqui, o itálico não é de resignação fatalista mas de fatal acusação), ser levado à cena. Saiu em livro, para prontamente ser perseguido pelas feras cinzentas & analfabetas do salazarismo, que nessa década de 60/XX já estertorava de necrose. Todavia, um facto triste veio adensar a solidão vitalícia do grande escritor. (Faço aqui parágrafo para mais distintamente vos sublinhar a injustiça e a ingratidão dos factos:)
Não havendo, depois do 25 de Abril, qualquer razão (bem antes pelo contrário) para não representar «O JUDEU», as tricas & baldricas aparentemente fatais do milieu intelectual(óide…) português obstaram a que a magnífica peça tivesse palco & plateia antes da morte física de Bernardo Santareno. Com efeito, o grande dramaturgo, morrendo a 30 de Agosto de 1980, não assistiu já à estreia do seu opus-magnum, que ocorreu apenas e quase meio ano depois (a 20 de Fevereiro de 1981, no Teatro Nacional de D.ª Maria, com encenação de Rogério Paulo). Bem e acertadamente andou Luiz Francisco Rebello quando escreveu (in «O Jornal», de 5/9/1980):
Santareno não morreu na fogueira acesa pela Inquisição para suprimir o Judeu da sua obra-prima []mas consumiram-no as chamas de mil pequenos fogos ateados pela mesquinhez, pela intolerância, pelo ódio, até pela indiferença às vezes mais cruel ainda, que desde muito longe, desde Gil Vicente e mais atrás, têm sufocado a respiração do teatro português.
Consolemo-nos, digo eu, com a certeza de o gigante Santareno ter morrido na consciência muito íntima da sublime valia não só de «O JUDEU» como de toda a sua Obra literária, a qual, resistindo à corrosão inapelável do Tempo, se iniciou em 1954 com «A Morte na Raiz» (poesia), permanecendo viva & actual para além da extinção corpórea do Homem/Artista que no-la deu.
Resta-nos demonstrar, como Público & como Povo, que somos merecedores de tão descomunal, tão alta, tão preciosa oferenda. Ou então que, não dela merecedores, ardamos a frio nessa labareda de gelo chamada esquecimento.



Crónica de Daniel Abrunheiro, in «O Ribatejo», 10 de Novembro de 2016

Ilustração: capa da 1ª edição de «O Judeu», Edições Ática, Lisboa, 1966. Formato do livro: 19,5 cm x 18,4 cm   

Edição de augusto mota 


27/10/2016

Crónica


VIVENDA  LOPES





(A história que vai ler é baseada em factos reais. Aconteceu. Mudei o apelido do senhor, apenas. E então era uma vez:)

Era uma vez um homem ainda novo que casou cedo com uma mulher pobre. Ela também era nova. E ele também era pobre. Vamos ver todos o que lhes aconteceu.
Casaram-se – e a vida não andava. Tinham pouco dinheiro. O futuro parecia-lhes, aos dois, muito mais perigoso do que o passado. Não passavam fome, mas necessidades – ai isso sim, passavam.
Vai daí, ele lembrou-se de emigrar para a América.
Foi ter com a mulher e teve a conversa do costume:
– Olha, eu vou ali e já venho.
E ela respondeu-lhe assim:
– Ou então vou eu lá ter.
E assim foi. E assim tudo foi. Ele embarcou, desembarcou e arranjou trabalho. Passados uns cinco anos, o homem voltou ao país natal, que é o nosso Portugal, e disse assim à mulher:
– Olha, eu vou ter de me casar na América com uma velha. Mas tu ouve isto com atenção.
E então ele explicou à mulher. Explicou-lhe muito bem explicadinho. E ela ouviu. E ela escutou. E ela concordou. Ele ia casar-se com uma velha tão rica, que o ouro, ao pé da velha, perdia valor. E ela aceitou. E ela concordou. Que sim senhor.
Divorciaram-se em Portugal. Ele levou a documentação para a América. Quando chegou à América, a velha estava à espera dele. Ele mostrou-lhe os papéis. A velha ficou contente. Passados uns tempos, casaram-se. E foram felizes enquanto esta história não acaba.
O homem português e a velha americana casaram-se perante a Lei e perante a Igreja. Ele deixou de ser criado dela. Ela continuou a ser patroa dele. Veio um dia em que ela se queixou da criada de quarto. Então, ele disse-lhe assim:
– Tenho uma prima em Portugal que é muito séria e que dava uma criada porreira.
E assim foi. Ele mandou vir a ex-mulher de Portugal. Explicou-lhe tudo muito bem explicadinho. Ela disse que sim. Ele mandou-lhe dólares para o bilhete. Ela entrou no avião, saiu do avião e tornou-se criada.
Vinte e dois anos passaram até que a velha morresse. Os dois portugueses esperaram a fio os vinte e dois anos. Quando a velha americana morreu, o viúvo continuava português como um alho. Casou-se com a ex-mulher logo a seguir.
Voltaram os dois, patrão e criada, para Portugal. À beira da estrada, entre Aljezur e Santa Comba Dão, bem acima de Tavira e muito antes de Ribeira de Pena, a vivenda do casal impressiona. Tem tijolo, tem tinta, tem telhado, tem casota de cão e tem cão. E no relvado, cortado a tesoura de letras de sebe, pode ler-se:
– Vivenda Lopes.
Graças a Deus.

 



Crónica de Daniel Abrunheiro, in quinzenário «Trevim», 27 de Outubro de 2016

Fotos obtidas na net
Edição de Augusto Mota


24/10/2016

Texto transversal








17/10/2016

Café com livros





No dia 8 do corrente mês de Outubro teve lugar no Museu Moinho do Papel, em Leiria, mais uma  tertúlia "Café com livros", a já tradicional inciativa das Trêstúlias, desta vez com o convidado Pedro Pedro que nos veio falar dos seus textos e fotografias.
 
 
As Trêstúlias: Cristina Barbosa, Rosa Neves e Lídia Raquel  

Pedro Preto

Cristina Barbosa fez a apresentação do convidado:

Pedro Preto nasceu em Lisboa, em 1971. É licenciado em Biologia. Começou a dedicar-se à fotografia em 2007, como autodidacta.
Em 2009, foi premiado no Concurso Nacional de Fotografia do Montepio Geral. Desde então, publicou:
- «Lisboa - Capital do Insólito», uma edição foto-literária bilingue de "Calçada das Letras", 2010, com apresentação formal no grande auditório da sede do Montepio Geral, Rua do Ouro, Lisboa.
- «O Mundo é um Berlinde com Piada - Contos Reais», editora "Fonte da Palavra", 2011.
- «Lisboa - Capital do Insólito», 2ª edição revista, 2013, com apresentação formal na Feira do Livro de Lisboa.
- «Lisboa - Capital da Ilusão», edição de autor, bilingue, 2015, com apresentação em Lisboa, no espaço “Atmosfera M”.
Dedica-se igualmente à escrita de microficção (publicações no “Diário de Leiria”) e à Criação Artística Conceptual (participação em exposições colectivas).
No âmbito de «Lisboa - Capital do Insólito» foram efectuadas reportagens na revista «Time Out», Lisboa, e uma reportagem televisiva na RTP.


   



Pedro Preto falou demoradamente do seu modo muito particular de ver Lisboa, não só como Capital do Insólito, mas também como Capital da Ilusão. Uma visão que exige um olhar perspicaz e atento aos pormenores que escapam ao passante numa cidade cada vez mais apressada. Visão que, muitas vezes, depende do acaso - ou da sorte do fotógrafo - e do momento exacto em que se dispara a máquina. Foram projectadas várias fotografias de ambos os livros, tendo começado pela intitulada  "Alfacinhas de gema", que obteve o 3º prémio no Concurso Nacional de Fotografia do Montepio Geral, 2009, a qual foi demoradamente comentada - com observações pertinentes - pelos participantes nesta tertúlia.


Uma imagem, ou texto icónico, é por natureza polissémica, isto é, pode ter, mais do que um texto de palavras, várias interpretações, vários significados. Cada observador/leitor reagirá não só de acordo com a sua formação e informação, mas também de acordo com as suas vivências. Nesta foto a altura e verticalidade da porta, se por um lado parece "esmagar" as duas mulheres sentadas naquele degrau, também alto, por outro lado a sua verticalidade acentua o juízo moral da frase que mão anónima colocou naquele fundo azul: "As pessoas somos nós". E tal juízo pode ser extensivo tanto a quem se senta naquele degrau, como a todos os habitantes daquele bairro lisboeta.




"A fé move montanhas" é o título da foto abaixo. "Poderá a fé profunda deslocar um cruzeiro público, de tamanho apreciável, para a porta de nossa casa, fazendo com que um dos braços de Cristo adentre pela varanda? Independentemente da complexidade da resposta, tal dádiva justifica por inteiro a colocação de uma vela sobre o braço do salvador." (Comentário do autor, in «Lisboa - Capital do Insólito», p. 227).
  

Ao comentar a foto seguinte, Pedro Preto, a p. 47 de «Lisboa - Capital da Ilusão» ajuda-nos a decifrar o mistério: "Ainda que inadvertidamente, um par de boxers posiciona-se de forma perfeita garantindo um cesto de recurso para a tabela desenhada."



A sequência das várias fototografias projectadas foi interrompida para Pedro Preto poder descansar e ouvir Cristina Barbosa ler um longo excerto do seu livro de contos/histórias reais «O Mundo é um Berlinde com Piada»
 

Como é tradição em "Café com livros"  há sempre momentos de leitura de poemas que, de algum modo, se adequem à tematica da sessão, ou à personalidade do convidado. Assim, Cristina Barbosa leu o poema de Ary dos Santos "Um Homem na Cidade":

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança
uma roseira entrelaçada
uma videira de esperança
tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem por força da vontade
de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua 
desta lua
que no meu Tejo acende o cio
vou por Lisboa maré nua
que desagua no Rossio.

Eu sou um homem na cidade
que manhã cedo acorda e canta
e por amar a liberdade
com a cidade se levanta.

Vou pela estrada
deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresça na vela da canoa.

Sou a gaivota 
que derrota
todo o mau tempo no mar alto
eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada
olho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada
um malmequer azul na cor.

O malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguem
o malmequer desta cidade
que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis que me quer bem!



Rosa Neves, para terminar esta tertúlia dedicada ao insólito e à ilusão nas fotos e palavras de Pedro Preto, leu "Lisbon revisited (1923)" de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos:

NÃO: não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul - o mesmo da minha infância - 
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!



*

Estas tertúlias são sempre um espaço de encontro de amigos e conhecidos e desconhecidos que ficam amigos. E quando, no fim, há um café quente e bolachinhas vegan, ou de chocolate e coco, como neste dia, melhor ainda, para animar as conversas e as fotografias que registam, para memória futura, os momentos agradáveis que ali se viveram! Por isso vamos deixar as fotos falar por si...












Voltamos a encontrar-nos no dia 26 de Novembro, em local a designar, e, até lá, não recusem
    
                       Um café quente
                            Um livro fresco
                                            Uma ideia nova


Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e Nuno Verdasca
Edição de augusto mota


05/10/2016

Texto transversal








30/09/2016

As Salinas da Junqueira





A apresentação deste livro foi feita pelo Doutor Mário Moutinho, reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no dia 8 do mês de Setembro, em Monte Redondo, no âmbito da “Fesmonte 2016”. São as suas palavras que reproduzimos abaixo, ilustradas com fototografias de 1981, não incluídas na obra em apreço:

“É com muito gosto que aceitei o convite para apresentar uma nova obra sobre o património cultural da nossa área.
E digo Área porque reduzir este território a que estamos ligados, a uma, duas ou mesmo três freguesias, faz-nos esquecer que há alguns séculos havia apenas uma grande paróquia que, essa sim, correspondia a uma região com condições de existência sustentável para os seus habitantes.
Terra de agricultura, de produção de ferro, de comércio, de pinhais e terra de passagem.
Esta obra trata de uma riqueza local, certamente antiga, mas que no seguimento do fim da 1ª guerra mundial ganhou uma expressão de desenvolvimento, económico e tecnológico.

                                  
                                              O jornalista Afonso Cautela, do "Portugal Hoje", entrevistando o sr. José Rolo

AS SALINAS DA JUNQUEIRA:
Património natural e cultural
Jorge Carvalho Arroteia, Augusto Mota, João Moital
Leiria, CEPAE, 2016

A estrutura desta publicação contempla duas partes:
a primeira abarca aspectos diversos da exploração humana do sal, enquanto produto natural ligado à vida e à alimentação e à actividade humana, ao comércio e à indústria, bem como às condições locais da sua ocorrência, à exploração salineira e às condições que levaram ao abandono da produção. Para o efeito reúnem-se algumas notas que tendem a valorizar a dimensão geográfica e natural das Salinas da Junqueira no contexto da Orla Sedimentar Ocidental.
a segunda tem por base o texto de João Ferreira da Silva correspondente à descrição do Poço Salgado da Junqueira, completada por outros documentos que enaltecem o significado do complexo salineiro entretanto extinto.

No seu conjunto, atende:
– à dimensão técnica ligada à exploração e condições de fabrico do sal;
– à dimensão económica tal como nos é descrita num estudo realizado em 1961 pela Comissão Reguladora dos Produtos Químicos e Farmacêuticos;
– à dimensão humana, relatada na primeira pessoa pelo seu proprietário, José Duarte Rolo;
– à dimensão paisagística assegurada pelas imagens deste empreendimento em diversas fases da sua laboração e após a primeira intervenção pública assegurada pela autarquia Municipal de Leiria.

                                                                  
                                                                                                        O sr. Rolo e a sua empregada Maria Ferreira

É pois um livro que nos dá a conhecer melhor a nossa área, e que poderá também servir de apoio para novas investigações.

Estamos agora num momento em que novamente se procuram soluções visando a conservação e valorização deste património.

A primeira tentativa coordenada pelo Museu do Casal de Monte Redondo num momento em que as salinas se degradavam a olhos vistos, chegou a receber apoio da CML e durante anos lá tiveram lugar importantes eventos culturais. Em boa hora foi refeito o telhado e outras obras que susterão a degradação, incluindo a limpeza das valas principais e secundárias.
Mas com o falecimento da Srª Dª Maria, mãos alheias ao bem público se encarregaram de destruir portas e janelas e demais atos de vandalismo. Face à recusa da CML para que lá se pudesse instalar uma família carente, a quem se resolveria o problema do alojamento, mas que também serviria pela sua simples presença de guarda das salinas, o Museu acabou por devolver oficialmente à Câmara as salinas por já não estarem reunidas condições para continuar a dar utilização e a manter as instalações face ao vandalismo.


                                                              Maria Ferreira e o sr. Rolo observam, sorridentes, uma  foto que lhes tirara numa visita anterior 

Infelizmente o tal viveiro também não foi solução para nada e foi com alegria que anos mais tarde vimos as Salinas serem abrangidas pelo Programa “Sal del Atlântico” – coordenado pelo “Grupo de Conservación de Hummedales Costeros” – Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências do Mar e Ambiente da Universidade de Cádiz. A valorização das salinas foi incluída no Programa de Iniciativa Comunitária FEDER/INTERREG III B – Espaço Atlântico (2004-2007).
Foi um projecto e uma realização da maior relevância mas que acabou por também se esgotar e de novo ficar ao abandono.
Agora parece existir de novo vontade de retomar acções que, com mais sustentabilidade, dêem nova vida às Salinas da Junqueira.

Que este livro seja um incentivo para que esse novo projecto chegue a bom porto e que o Património Cultural material e imaterial que as Salinas representam, não acabe por se perder definitivamente.

Resta agradecer aos seus autores e demais pessoas e entidades envolvidas, terem realizado mais este trabalho em prol da Cultura portuguesa.
Bem hajam”

Mário Moutinho

                                                                                *

Seguem-se fotos a cores, não incluídas neste livro, de pormenores da "Granja do Rolo", nome que, em letras recortadas,  encimava a cancela de entrada na propriedade:

 
Pormenor da turfa gretada e com vestígio de sal

                                                                             *
As fotos seguintes são uma pequena amostra das estruturas construídas pelo Município de Leiria, quando integrava o Programa de Iniciativa Comunitária FEDER/ITERREG  IIIB - Espaço Atlântico (2004-2007), estruturas hoje completamente abandonadas e deterioradas. As fotos são de 2006, altura em que fiz 25 fotografias a cores da valorização deste espaço, as quais foram publicadas, em Janeiro de 2007, no meu blogue «pilriteiro.multiply.com», o qual já não existe por o servidor ter deixado de operar na Europa. O livro «As Salinas da Junqueira» apenas reproduz 6 fotos desse conjunto, mas a preto e branco. Das fotos abaixo só as três primeiras estão reproduzidas no livro. Aqui se repetem, a cores, para dar uma pálida ideia do paraíso que se poderia ter feito daquele espaço:



Fotografias e edição: augusto mota
Os sublinhados a cor no texto do Doutor Mário Moutinho são da responsabilidade do editor