03/12/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 

08/11/2017

Café com livros

 

 

 
 No sábado, dia 14 de Outubro, p.p., realizou-se em Leiria, na Sala Polivalente do m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento, pelas 15 h e 15 m, mais uma tertúlia de "Café com livros".
O ilustre convidado foi Fernando Paulouro Neves, Jornalista de referência/Escritor e Cronista notável, a quem foi atribuído recentemente o Prémio Eduardo Lourenço, figura principal de um jornalismo de cariz literário, resistente e interventivo. Fernando Paulouro Neves foi chefe de redacção e director do Jornal do Fundão, tendo sido sempre um opositor ao "lápis azul" que, ora censurava os artigos, ora fechava o jornal. Usa magistralmente a palavra em prol de uma cultura humanista e tem feito da sua vida uma senda consciente e crítica de cidadania, tendo abraçado causas que mudaram o interior do País e a vida de muita gente. A lisura da sua escrita tem constantemente uma expressão poética, semeadora de interrogações socráticas no pensamento dos seus leitores, surpreendendo sempre pela simplicidade com que esconde um incessante homem de causas, de pontes e de convergências.

 


Lídia Raquel fez a apresentação do convidado:
Fernando Paulouro Neves tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas e foi chefe de redação e director do Jornal do Fundão. Pertence aos corpos sociais da Fundação Manuel Cargaleiro e, em 2013, foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade do Fundão. Entre 2012 e 2016 fez parte do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior. Foi distinguido, em 2014, com o Prémio Gazeta de Mérito do Clube dos Jornalistas e, em 2017, com  o Prémio Ibérico Eduardo Lourenço. É autor do blogue "Notícias do Bloqueio""
 
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Tem obra literária vasta e multifacetada. Escreveu, entre outros, «A Guerra da Mina - Os Mineiros da Panasqueira» (com Daniel Reis), «O Foral: Tantos Relatos / Tantas Perguntas» (teatro). Encontra-se representado em livros colectivos e antologias, designadamente nos volumes «Identidades Fugidias», coordenados pelo Professor Eduardo Lourenço, e na antologia «A Mãe na Poesia Portuguesa» organizada pelo poeta Albano Martins.    
 
  
 
É autor de «Os Fantasmas Não Fazem a Barba» (ficção, 2003), de «Os Olhos do Medo» (conto, 2011) e de «A Materna Casa da Poesia - Sobre Eugénio de Andrade» (2003 e 2006). Reuniu muitas das suas crónicas nos dois volumes de «Crónicas do País Relativo. Portugal, Minha Questão» (Editora A.23, 2016).
É co-autor, com Alexandre Manuel, da Fotobiografia «António Paulouro, 100 Anos Depois», e organizou a antologia «António Paulouro, As Palavras e as Causas» (Editora A.23, 2016). Acaba de publicar o romance «Fellini na Praça Velha».
 
 
 
Rosa Neves antecipou para os presentes a sua visão deste romance: 
O título do romance não poderia estar mais ajustado.
É o primeiro romance do autor e o primeiro romance sobre a sua cidade natal, o Fundão.
A acção situa-se no nos finais dos anos 50, início dos anos 60.
«Fellini na Praça Velha»gira à volta de um café, o Café Aliança, para onde parece convergir toda a agitação da cidade, aliás, o mundo parece ter-se transferido para o Café Aliança, que por sua vez se transforma num microcosmos de um universo de fantasia.
Afinal a atualidade passa toda por ali; ali a urbe chora, conspira, sorri, vive. Por ali, passavam informadores e agentes da Pide que tentavam agarrar suspeitos; suspeitos que por sua vez tentavam enganar a PIDE. À tacanhez dos primeiros contrapunha-se o engenho e a inteligência dos segundos.

Por ali passam tristezas, dramas sociais; alegrias, traições, dúvidas existenciais, tudo, tudo traduzido magistralmente em histórias que se desenrolam com uma fluidez narrativa viciante.
O tempo cronológico do romance coincide com a infância de Fernando Paulouro Neves e embora seja omisso em toda a narrativa, foi ele que através da observação atenta e crítica, ou através da audição de histórias e estórias, guardou no seu próprio tempo mental uma dinâmica social que agora preserva e imortaliza neste romance.
A galeria de figuras (e de situações) que ora vão saindo ora vão entrando no Café Aliança são perturbadoramente singulares, ora na perspicácia, ora na ingenuidade. Fernando Paulouro guardou-os todos e agora fê-los desfilar na Praça Velha.
Timã – figura principal  – O tio Armando Paulouro – divertido, maroto, inteligente, às vezes mentiroso descarado, vai distribuindo sopapos tanto em pobres de espírito como em ricos de carteira…
O Zé Palhaço – intrigado com a interior da televisão, jurou fazer sair à martelada todos os que se escondiam lá dentro… e se bem o pensou melhor o fez…
A Fan Fan –  o curioso lá da urbe…
Gregória –  a velha cigana…
Dr. Vermelhinho – com a mania que ninguém gostava dele… ensaiou a própria morte…
O Zé Pessoa  tipógrafo que tinha o melhor cuspo do mundo…
Irene – com olhos altamente perigosos, partia corações. Fumava. Era  cobiçada por todos, deu-lhes um grande desgosto e aventurou-se à vida em Lisboa…
Morgadinho – o morto vivo mais contente lá do sítio, que passeava na avenida, quando já o Timã o tinha dado, ao Arouca, por morto e bem enterrado …
Pelingrino – exímio assobiador sem descanso da única melodia que sabia: a raspa.
Mestre Jairinho – que acha que a música é o centro do mundo…
Carlinhos Piparote   que entre uma aflição intestinal e uma ginástica acrobática para evitar sentar-se na sanita, por causa dos micróbios, consegue destruir todo um WC e sair de lá ileso, devido à sua (segundo ele) grande calma… 
O boémio rico João Tem Tudo
Joaquim Judeu –  o último judeu do Fundão.
Senhor Taborda – Excelente farmacêutico que inventa bolinhos de bacalhau com estriquinina (para evitar uma morte violenta e dolorosa aos cães vadios)  mas que vão parar à boca do Senhor Cacanheira que é o esfomeado mais esfomeado do mundo e leva o tempo a seguir os cheiros da culinária caseira, portanto, só pelo cheiro,  quando chega ao Café Aliança, faz o relatório completo do que vai ser o almoço dos fundanenses…
Composto por estas e tantas outras figuras tão expressivas, «Fellini na Praça Velha» é, sobretudo, uma memória à imagem coletiva de uma cidade que encontra nas suas particularidades a forma de se manter sã e resistente.
Desde a ditadura, a fome, a falta de mão-de-obra para apanhar as cerejas e as azeitonas, os amores clandestinos, os desgostos, as pequenas felicidades coletivas ou individuais, tudo passa pelo Café Aliança.

No capítulo 3, As cerejas e a França  - mesmo no registo de romance, Fernando Paulouro não consegue despir-se da pele de jornalista de causas, dando aqui especial atenção à saga dos emigrantes dos anos 60, ilustrando-a com episódios de viagens a salto rumo à terra da esperança, que, para muitos, deu lugar à morte em desfiladeiros dos Pirenéus e com a referência à carta de Maria da Conceição Tina, a “pequena portuguesa” fotografada por Gérald Bloncourt, nos anos 60, num bidonville, em Paris.
Fernando Paulouro também fez neste livro um inventário de saberes, de profissões, de rituais, de palavras. É de salientar que nas entrelinhas de cada página lê-se o palpitar de sotaques tão típicos da Beira, ou frases tão deliciosas como “um salsifré do catrino”…

Assim, através de uma narrativa fluida, mas ardilosamente sábia e sedutora, Fernando Paulouro reservou para cada leitor uma mesa no Café Aliança, com vista para a Praça Velha...
 
  
 
 
 
  
 
Cristina Nobre e Mercília Francisco deram voz às palavras de Fernando Paulouro, lendo expressivamente excertos de «Fellini na Praça Velha». Mercília Francisco teatralizou mesmo o texto que descreve “ um ralho de mulheres na Praça Velha” (p. 110 e 111).
 
 
Deixando Fellini na Praça Velha, passámos para a Póvoa da Atalaia evocando o mundo pessoal e poético de Eugénio de Andrade através do livro «A Materna Casa da Poesia» (edição Casa da Poesia Eugénio de Andrade/CMF) escrito por Fernando Paulouro em 2003. Estando esgotado, foi revisto, ampliado e reeditado em 2016. Esta obra é um verdadeiro hino à dicotómica ligação mãe/terra:
 

“falar da terra ou da mãe é falar da mesma coisa. Quando digo mãe, digo terra, quando digo terra, digo mãe.”

 

Cristina Nobre leu desta obra, com a mesma emoção que o poeta empresta às palavras, o belo texto de Eugénio de Andrade sobre “As Mães” (p. 22 e 23).
 

“Café com livros” é um espaço humanístico, social e culturalmente heterogéneo. Tornou-se, desde sempre, um espaço de criação de diversos laços, onde os livros são o pretexto maior do encontro. Saber-se, sentir-se, ser-se do “Café com livros” fez uma Tertuliana (que quis manter o anonimato) agradecer-lhe a existência com a oferta de um tabuleiro cheio de Brisas do Lis por si confeccionadas.     
 
 
Estas foram, sem dúvida, as melhores Brisas do Lis de sempre! Todos apreciámos, todos agradecemos. Fica um imenso obrigado a quem fez do seu tempo, do seu trabalho, dos seus recursos, um momento de grande e despojada partilha, tão grande quanto a timidez e a humildade da Maria da Luz (que me perdoe a inconfidência!).       
 




 
A sessão de autógrafos decorreu em fraterna e animada conversa. Em jeito de despedida Fernando Paulouro Neves ainda nos lançou o convite para um encontro no Fundão, onde ele próprio nos levará a visitar os lugares emblemáticos do seu romance.
 
Oportunamente, lá estaremos!


  
Voltamos a encontrar-nos no dia 25 de Novembro para ouvir o Professor Doutor Jorge Carvalho Arroteia, catedrático aposentado da Universidade de Aveiro, que nos irá falar sobre a BACIA DO LIS - acção geográfica e paisagem.

Até lá não recusem

                  Um café quente

                                         Um livro fresco

                                                             Uma ideia nova

 

 

 

Texto de Rosa Neves

Fotos de Rui Pascoal e Joaquim Cordeiro Pereira

Edição de Augusto Mota


 

11/09/2017

Haikai

 
 
 
 
 
 
 
 
 
Composição e foto com manipulação cromática de Augusto Mota
 
 
 

07/09/2017

Texto transversal

 
 

 
 
 
 
 
 

23/08/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 
 

19/07/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 


Café com livros

 
 
 
 
 
No dia 24 de Junho, p.p., teve lugar na Sala Polivalente do m|i|mo - museu da imagem em movimento mais uma tertúlia de "Café com livros", tendo como convidado o professor João Reis, que nos veio falar do "Plano Nacional de Cinema" e de "O Cinema na Escola".
 
 

 
 
 
Cristina Barbosa fez a apresentação do convidado:
João Reis nasceu em S. Pedro do Sul, em 1967. Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Variante de História da Arte - Ramo Científico) e tem uma Pós-graduação em Gestão de Bibliotecas Escolares. É professor de História e Geografia de Portugal e Professor Bibliotecário no Agrupamento de Escolas de Argoncilhe, Santa Maria da Feira.
 
 


Tem desenvolvido múltiplas atividades a nível escolar, na coordenação de projetos de âmbito vário. A nível da comunidade colabora com rádios locais e jornais, tendo sido diretor do jornal regional "Notícias de Lafões". No "Gazeta da Beira" colaborou com trabalhos de desenho e cartoons. A sua atividade alarga-se ainda à publicidade e ao marketing.
Realizou médias metragens, no âmbito do Clube de Cinema (EB dos 2º e 3º Ciclos de Pataias): "A Passagem do Tempo" (2007), "A Flor da Idade" (2009) e "Álbum de Recordações" (2010). Em vídeo realizou vários trabalhos, entre os quais "Os Cuidadores" (2015), para a Divisão Social da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.
Em 2015 realiza  "As Fogaceiras - uma tradição popular", disponível em https://www.youtube.com/watchv=FpcCxPWwvXY&t=1800s
 
 
 
 Antes de ser dada a palavra ao convidado, Diogo Barbosa dedicou-lhe um momento musical.
Como de cinema na Escola tratasse a intervenção de João Reis, vamos servir-nos de algumas imagens que foram sendo projetadas no ecrã, para dar uma ideia da temática abordada.
  
 
 
 
 
  
 Como exemplo de um filme de animação realizado por alunos, com figurantes e cenários recortados e pintados em corticite, foram projetadas duas interessantes imagens de tal técnica. Argoncilhe é uma freguesia do concelho de Santa Maria da Feira, concelho bem conhecido pela sua indústria de transformação da cortiça.
 
 
 
Foi muito proveitosa esta tertúlia, principalmente para professores, a qual terminou, como já é tradição, com café e bolos, mas desta vez com a grata surpresa da oferta de copinhos com belas cerejas da Gardunha, o que muito ajudou à boa disposição dos grupos abaixo!
 



        

Voltamos a encontrar-nos no mês Setembro, em local a anunciar.


Até lá não recusem
                                            um café quente  
                                                         um livro fresco
                                                                           uma ideia nova
 
 
Texto de  Augusto Mota
Fotos de Laura Rosário, Lídia Raquel e Augusto Mota
Edição de Augusto Mota

 

09/07/2017

Texto transversal

 
 
 
 
 
 
 


04/07/2017

O Rio, o Moinho e a Poesia








No âmbito de mais uma edição do evento Festa dos Museus, realizou-se no Moinho do Papel, no serão do dia 19 de abril, p.p., a tertúlia O Rio, o Moinho e a Poesia com a participação de David Teles, Manuela Prazeres e Rosa Neves.
A abertura da sessão pertenceu a Helena Brites, chefe da Divisão da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, que enalteceu a adesão dos participantes à iniciativa e depressa se rendeu ao ambiente verdadeiramente Tertuliano que se respirava.

David Teles, Helena Brites, Rosa Neves e Manuela Prazeres
 
Vânia Carvalho e Rosa Neves
 
Também Vânia Carvalho, responsável pelo Museu de Leiria e  pelo Museu Moinho do Papel, partilhou o seu agrado por ver a poesia representada na Festa dos Museus. Esta opção cultural foi também enaltecida por Rosa Neves que agradeceu o convite que lhe foi endereçado para dinamizar a esta sessão.
Para enriquecer a tertúlia e imprimir-lhe um carácter personalizado a página online do Moinho do Papel, divulgou-a com uma foto inédita, de 1973, da autoria de Augusto Mota, onde aparecem as mós originais deste moinho, quando ainda laborava na moedura de cereais.

 

Sem dúvida uma boa maneira de "visitar" as origens!...

Aspeto parcial da assistência
 
 A conversa iniciou-se com Rosa Neves a fazer uma abordagem sobre a importância dos rios na história do Homem, referindo o caso do rio visto como executor de justiça (ordália pela água); o rio como entidade purificadora (batismo nos rios); o rio visto como forma de transporte de pessoas e mercadorias; como forma de sobrevivência; como energia que faz mover os moinhos, etc., etc., e, especificamente, sobre o fascínio que os mesmos exercem sobre os poetas que, nos seus poemas, os vão cantando.
Era impossível falar de O Rio, o Moinho e a Poesia, sem recorrer a duas obras incontornáveis e unidas pelos mesmos rios - o poema de Marques da Cruz e a bela pintura de Augusto Mota (também presente na sala, nesta noite de Poesia):
 
 
 
LENDA  DO  LIS  E  LENA
 
Nasceu o rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lena;
Mas com muita paixão, com muita pena,
De o seu berço não ser na mesma terra.
 
Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Contavam esse amor que ambos sentiam.
 
Um dia já espigados, já crescidos,
Contrataram casar, de amor perdidos,
Num domingo, em Leiria, de mansinho...
 
Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo, um bocadinho...
 
MARQUES  DA  CRUZ
             1888 -1958
               
                                                                                                                                                    Painel decorativo, 1,80 x 3,60 m, pintura a tinta plástica sobre omnilite, 1965 
 
 
 
Rosa Neves deu ênfase à convidada Manuela Prazeres que também expressa, através da sua poesia, a beleza do rio Lis e o discreto encanto do Moinho do Papel
 
 
Rio Lis e o Moinho
 
Rio Lis de águas mansas
Tens um enorme poder
Escolheram as tuas águas
Para o Moinho mover.
 
É um prazer visitar
Este bonito Moinho
Onde se faz o papel
Com saber e com carinho.
 
Que bonito ver as Noras
Constantemente a girar
Fazem lembrar passarinhos
A bater as suas asas
Sem saírem do lugar.
 
Rio Lis de águas mansas
Há em ti muita magia
Inspirador de Poetas
Que nasceram em Leiria
 
(Poema inédito)
 
A expressão poética de Manuela Prazeres segue, na sua maioria, um trajeto sensorial de observação das coisas simples que a inspiram a poetizar a cidade do Lis, dos poetas e de cada um de nós.
 
Manuela Prazeres
 
Manuela Prazeres nasceu em Leiria em 1941, define-se como autodidata que, depois de uma vida profissional bastante diversificada, se reformou e passou a dedicar o seu tempo a atividades como a música, a pintura e a poesia.
A autora dos livros «Encontros de Mim», 2008, e de «Salpicos de Poesia», 2013, define-se como uma pessoa simples, tímida, que assim objetiva o poeta:
 
Ser poeta
 
É poder dizer
O muito de nadas
Em rimas cruzadas
Com pouco saber.
 
É olhar o mundo
De forma diferente
Atento à vida
E parecer ausente.
 
É luz que se acende
No fundo do ser
Silêncio inquieto
E que faz sofrer.
 
É também
Um grito de alma
Um choro calado
Sofrido, pensado...
Por quem?
 
Ideias cruzadas,
Cruzadas na mente,
A alma a falar
Em tudo o que sente.
 
      in «Salpicos de Poesia», p. 8
 
Mariana Pereira lendo uma poesia de Manuela Prazeres
 

A poesia  de Manuela Prazeres foi saltitando também pelas vozes dos presentes, que assim foram lendo, através de prévia seleção de Rosa Neves, poemas diversos que ilustram verdadeiros registos do passado, de um passado que a autora imortalizou numa poesia também feita de saudade.
 
Helena Brites também deu a sua colaboração
 
As fontes da minha terra
 
As fontes da minha terra
Com água fresca a correr
Num cenário pitoresco
Eram bonitas de ver.
 
As fontes que menciono
São as dos tempos passados
Locais de muita frescura
Encontros de Namorados.
 
As moçoilas muito airosas
As suas bilhas enchiam
E ora um, ora  outro
A água fresca bebiam.
 
Entre muita brincadeira
E no meio da folia
Andando de mão em mão
A bilha às vezes partia.
 
Os tempos foram mudando
A ida à fonte acabou
E a chorar de saudade,
Uma após outra secou.

Cantarinha de água fresca
Que à fonte eu ia encher,
Passagem da mocidade
Que não se volta a viver.
 
       in «Encontros de Mim», p.14


Lisete Ferreira lê uma poesia de Manuela Prazeres
 
Em animada conversa com uma plateia atenta, e muito interventiva, O Rio, o Moinho e a Poesia foi entrando pela noite dentro e, pela voz de David Teles, foram sendo declamados vários poemas que exemplificavam o lirismo bucólico expresso na poesia de Manuela  Prazeres.

 
David Teles lendo expressivamente uma poesia  de Manuela Prazeres
 
Árvores do Lis
 
As árvores morrem de pé
É o povo quem o diz
Mas esta morreu deitada
Nas águas do rio Lis
A chuva, o frio e o vento 
Corroeram-lhe a raiz
Não ouviram o seu lamento.
 
Tão triste o rio ficou
Que passa o tempo a chorar
Com as lágrimas em queda
Para a poder refrescar.
 
As pedras que a sustentavam
Ao vê-la cair, tombar
Saltaram p'ra dentro d'água
No esforço d'amparar.
 
A Senhora da Encarnação
Que no alto está a ver
Vai pedindo a Jesus
Para mais nenhuma morrer.
 
       in «Salpicos de Poesia», p.36
 
Encorajada por Rosa Neves e David Ferreira a falar de si, foi ao ouvir os seus poemas passarem de boca em boca, que Manuela Prazeres se libertou da timidez natural que a caracteriza e começou a falar da necessidade que tem em escrever. Necessidade que vem de muito nova e que diz chegar em qualquer momento.
 
Manuel Bernardes
 
Um diploma pacientemente desenhado
 
A noite reservava uma surpresa para os participantes que declamaram poemas das obras da autora, pelo que foram brindados com Diplomas de Participação muito especiais. Os diplomas foram feitos, um a um, em papel artesanal, onde Manuel Bernardes (marido de Manuela Prazeres) pacientemente desenhou letras caligráficas, num estilo gótico muito pessoal, a informação sobre a realização desta tertúlia. As iluminuras que os ilustram foram feitas por Manuela Prazeres. 
  

  
 
 
   
E porque o dia seguinte era de trabalho, a conversa terminou à volta de um aromático chá de poejos, vindos do Agromuseu Municipal D. Julinha, na Ortigosa, tendo-se aproveitado este momento informal para as sempre úteis  troca de  impressões com amigos e conhecidos.
Nós  ficamos por aqui, mas O Rio, o Moinho e a Poesia continuam...
 


 
Texto: Rosa Neves e Augusto Mota
 
Fotos: Joaquim Cordeiro
 
Edição: Augusto Mota