09/05/2019

Café com livros







A  30ª edição de “Café com Livros” decorreu no dia 6 do passado mês de Abril, pelas 15.15h, no m|i|momuseu da imagem em movimento – em Leiria,  onde  estivemos à conversa com o Dr. Álvaro Laborinho Lúcio. Um Escritor que ainda não se considera escritor. Um Homem que ainda se considera aprendiz, um Juiz que diz ter deixado o Direito, mas não a Justiça.
 

Álvaro Laborinho Lúcio é mestre em Ciências Jurídico-Civilísticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e magistrado de carreira. De Janeiro de 1990 a Abril de 1996 exerceu, sucessivamente, as funções de secretário de Estado da Administração Judiciária, ministro da Justiça e deputado à Assembleia da República. Entre Março de 2003 e Março de 2006, ocupou o cargo de ministro da República para a Região Autónoma dos Açores.



Mantendo sempre uma intensa atividade cívica, Álvaro Laborinho Lúcio é membro dirigente de várias associações, entre as quais se destacam a APAV e a CRESCER-SER, das quais é sócio fundador. Com artigos publicados e inúmeras palestras proferidas sobre temas ligados, entre outros, à Justiça, ao Direito, à Educação, aos direitos humanos e à cidadania em geral, é autor de livros como «A Justiça e os Justos», «Palácio da Justiça», «Educação, Arte e Cidadania», «O Julgamento – Uma Narrativa Crítica da Justiça»  e, em coautoria com José António Barreiros e José Braz, «Levante-se o Véu!» - reflexões sobre o exercício da Justiça em Portugal.



Foi agraciado pelo rei de Espanha com a Grã-Cruz da Ordem de São Raimundo de Peñaforte e pelo Presidente da República Portuguesa com a Grã- Cruz da Ordem de Cristo. É membro da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, exercendo, atualmente, as funções de presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho.
 

Ex-Ministro da Justiça e Diretor do Centro de Estudos Judiciários é Juiz Conselheiro Jubilado do Supremo Tribunal de Justiça. Dedicando-se atualmente à escrita, publicou o primeiro romance em 2014, «O Chamador»; em Setembro de 2016 publicou «O Homem que escrevia azulejos» e, neste momento, prepara-se para publicar o terceiro romance.

 
Universalista, humanista crítico, interventivo, homem de cultura e pela cultura, sempre solidário e atento ao devir social. Senhor de palavra fácil e cativante, ouvi-lo é ficar preso à simplicidade com que discorre sobre todos os assuntos. De pensamento versátil e ágil, há por detrás da sua escrita e da sua conversa uma assimilação longa e sistemática de saberes, valores e experiências que nos enriquecem pela subtileza dos detalhes.


Álvaro Laborinho Lúcio carrega a inspiração dos autores clássicos, nos temas que trata, nas preocupações e interrogações intemporais que coloca, como a vida, a morte, o amor, as desigualdades. Os conceitos de liberdade e fraternidade são transversais a tudo o que escreve, conceitos dorsais, unos, dependentes na existência e na consequência. Trabalha a linguagem de forma muito limpa, não há ruído nem supérfluo nos seus dois romances. E porque a escrita é de quem a lê, ele recorre ao implícito como forma de estímulo ao pensamento e induz o leitor a um processo de maiêutica autónomo. Cabem todos os tempos na sua narrativa e por isso, mesmo recorrendo ao passado, deixa-nos uma visão moderna do mundo e da literatura. A sua escrita é substancial na forma e no conteúdo.

 

No seu primeiro romance, «O Chamador», Álvaro Laborinho Lúcio convida-nos à procura, convoca-nos para as memórias do tempo e das gentes; para as geografias das ruas e dos lugares e transporta-nos para um imaginário de pequenas coisas e pequenas pessoas, que neste livro se agigantam e nos desconcertam através de uma linguagem ricamente elaborada nos cânones de uma poesia doce e terna, mas ao mesmo tempo interrogativa e sempre desassossegada:

"É inquietante a forma como abandonamos as pessoas que julgamos loucas. O Evalino e a Tia chegaram-me muito cedo, apanharam-me criança, num tempo em que não tinha respostas. Onde achas que começa realmente a loucura?"
  
... "Não me chega a resposta da ciência.. Não é saber o que é a loucura que me interessa. O que procuro é a possibildade da verdade, entre a razão e a loucura." 
in "O Chamador", p.46


 
"Tinha um sorriso húmido pendurado da boca e um discurso embrulhado em ditongos difíceis de encarreirar em palavras correntes"…

"Dos seus olhos emanava uma ternura ingénua e quente. Como que por encanto, todo o rosto se compunha num sorriso. Só a fala o traía." …

"Terminada a temporada, levei comigo o prolongado abraço dele e uma lágrima sua no ombro direito do casaco que vestia."
 in "O Chamador", pp. 48 e 49



No segundo romance,  «O Homem que escrevia azulejos», Álvaro Laborinho Lúcio ficciona uma realidade feita de azulejos, onde dois homens escrevem juntos as cores de uma vida clandestina, enquanto no painel das suas vidas se vão encaixando personagens. Estas vidas constituem-se figuras sublimes de dois painéis, o primeiro: a cidade – composto por 32 azulejos; e o segundo – a montanha- composto por 13 azulejos. Este romance está recheado de vastas referências a grandes obras, grandes escritores, grandes compositores, o que por um lado enriquece o leitor, e por outro lado vai desvendando o riquíssimo “laboratório mental” do autor, onde este num exercício de alquimia metafórico, vai criando letra a letra, palavra a palavra a essência certa dos enredos a que dá vida:

"Paris, 1967. Gare d'Austerlitz. Ninguém à espera dele. Em Paris em Janeiro, ao fim da tarde, faz frio, muito frio se ninguém espera por nós. Alguém devia ter ido. Alguém devia ter dito a senha " ...

... "Quando partira, já levava Paris dentro de si. Não era a sua terra que deixava para trás. Era Paris que tinha à frente. Não fugia. Nem de casa nem da guerra. Apenas corria para diante, de onde vinha o chamamento para a aventura do futuro."
in "O Homem que escrevia azulejos", pp. 20 e 29 



"Vem todos os anos. Escolheu a montanha, diz ele, para viver na clandestinidade. Desertor das forças de ocupação, refugiado da guerra de cada dia, anseia pela libertação do tempo, e oferece-se para dar luta às ditaduras emergentes e denunciar a publicidade de engano que as anuncia como redentoras."
in "O Homem que escrevia azulejos", p. 184


" Alguns usavam abraços que tinham crescido do funeral da avó. Outros traziam abraços novos, a estrear." 
in "O Homem que escrevia azulejos", p. 231



Os romances de Álvaro Laborinho Lúcio são a expressão sadia de uma escrita culta, madura e limpa que autonomiza o pensamento e nos compromete com ele. A sua escrita é um estímulo ao exercício do pensamento crítico e ele próprio, um desassossegado construtor de ideais, sempre comprometido com a transformação social.
Álvaro Laborinho Lúcio exerce a “magistratura das palavras” com a mesma discrição com que tem exercido as várias dimensões da sua vida pessoal e profissional. Lê-lo é um lugar de chegada, aquele a que voltamos sempre!


 

“Café com Livros” fica na expetativa da publicação de terceiro romance de Álvaro Laborinho Lúcio, e até lá não recusem:

                                             Um café quente

                                                       Um livro fresco

                                                                Uma ideia nova






Texto de Rosa Neves

Fotos e edição de Augusto Mota


05/05/2019

Texto transversal









18/04/2019

Um Poeta Baladeiro






A convite de David Teles Ferreira, amigo encontrado no percurso das palavras, o poeta /cantor Andrés Stagnaro foi recebido pelo grupo Trêstúlias, no dia 30 de março, no Moinho do Papel, em Leiria. 

 


Andrés Stagnaro nasceu no Salto, no Uruguai. Desde a sua adolescência que canta em público; também desde cedo começou a musicar poesia e rapidamente se afirma como autor e compositor.

 

Estabelece vínculos com muitos outros autores, compositores e poetas de todo o mundo. Diz que em Portugal se sente em casa e que esta é a sua segunda pátria. Atualmente está no nosso país em representação diplomática no âmbito da Semana do Uruguai em Portugal e através do convite do seu amigo David Teles veio partilhar connosco um pouco das suas criações poético-musicais e da sua história. 


Uma história que se cruza com a nossa história nos caminhos da luta pela liberdade e uma música que se cruza com a lusofonia e que interpreta a nossa poesia e os nossos autores.
Resistente da ditadura militar uruguaia Andrés Stagnaro é um poeta sem amarras, um pássaro sem gaiola que empresta o seu canto a baladas intimistas, interpretando poemas seus e de poetas portugueses.

Cantor, poeta compositor, inclui no seu reportório músicas de José Afonso, Francisco Fanhais e escritos de José Saramago e David Mourão Ferreira.

 
A música e os poemas de Andrés Stagnaro são uma forma de comemorar a democracia no seu país e relembrar a ditadura militar uruguaia que subjugou o país durante doze anos - entre 1973 e 1985 – deixando um rasto de crimes e violência que ainda hoje está a ser investigado, pois ainda hoje está por encontrar o rasto de cerca 200 pessoas que desapareceram e cujos corpos nunca foram encontrados. Uma ditadura que alimentava e se alimentava do medo; uma ditadura feroz que entrava casas adentro e levava famílias inteiras; uma ditadura que perseguia e matava mesmo fora das suas fronteiras e cuja marca está bem presente nas memórias do povo Uruguaio.

O gosto do poeta/cantor foi ditando a escolha das baladas com que nos foi presenteando e a conversa foi revelando um Andrés que se realiza na construção da poesia e na alquimia dos sons da sua guitarra. A liberdade e o amor são temas centrais e transversais à sua poesia e a temperança da sua voz revela uma tranquilidade melódica e doce.
David Teles ouviu emocionado um soneto seu ser cantado por Andrés Stagnaro. O poeta foi também ouvindo poemas seus traduzidos para português e retirados do seu livro “Danza sobre Bordes” publicado em setembro de 2015.

Andrés Stagnaro e as Trêstúlias: Lídia Raquel, Rosa Neves e Cristina Flores
O Serão foi decorrendo entre um poema, uma conversa e uma balada e terminou entre um chocolate e um licor, ao som das águas do Moinho.
Portugal e o Uruguai ficaram mais próximos num abraço de palavras.
Obrigada Andrés Stagnaro. 



Texto: Rosa Neves
 Fotos: Joaquim Cordeiro Pereira e Augusto Mota 
 Edição: Augusto Mota



29/03/2019

Texto transversal











20/03/2019

Fotopoema












12/03/2019

Texto transversal











22/02/2019

Café com Livros




No dia 26 de Janeiro, p.p., teve lugar no museu Moinho do Papel, em Leiria, a 29ª tertúlia “Café com Livros”, tendo como convidado o “Contador de Histórias itinerante” Carlos Alberto Silva.
Juntar amigos é um privilégio, fazê-lo em prol das palavras é um prazer, por isso as Trêstúlias começaram por desejar as boas vindas a todos os amigos, porque é nessa qualidade que cada um é sempre recebido e tido nestas tertúlias.
“Café com Livros” não é uma conferência, não é um seminário, é apenas a essência da verdadeira tertúlia, que se resume a um encontro de amigos que se reúnem para conversar sobre temas comuns, neste caso ligados à escrita e à leitura, sendo, sobretudo, um espaço independente, despretensioso.  
Num dia frio e chuvoso de inverno achou-se oportuno começar a tertúlia com uma reflexão sobre uma frase do escritor Manuel da Silva Ramos: 
“neste tempo de solidões só as tertúlias combatem como deve ser o narcisismo mais agudo”.

Lídia Raquel deu uma visão do extenso currículo de Carlos Alberto Silva, que, enquanto professor e escritor, desenvolve diversas acções no âmbito da mediação e promoção da leitura, tanto como autor, como contador de histórias.
Dedicado à investigação e inovação, tem desenvolvido trabalhos no domínio da Robótica Educativa como instrumento de aprendizagem da leitura e da escrita. Tem ministrado vários cursos e dinamizadas oficinas no âmbito das Expressões Artísticas e da promoção e animação da leitura.
 

Carlos Alberto Silva recheia os seus livros com recados ambientais, lendas tradicionais, poesia divertida e ilustrações apelativas que fazem com que a leitura se transforme no prazer da interrogação e do conhecimento.
Escritor que nos surpreende com uma imensa criatividade, saber e boa disposição, tem vários livros publicados e a sua escrita está espalhada por blogues e exposições:
Antes de dar início à sua participação nesta tertúlia, Carlos Alberto Silva foi surpreendido com a leitura de vários textos humorísticos da sua autoria:

A vingança do guardanapo

Um guardanapo alvo e engomado foi admitido como agente da Guarda. O comandante do posto, um esfregão grosseiro e insolente, achava que o guardanapo era demasiado fino para o exercício daquelas funções e estava sempre a implicar com ele.
- Olhe lá, você não será antes um guarda-nabo? Isto aqui é para gajos de barba rija. E quando as coisas não vão a bem, vão mesmo à bruta. Como é que você, um engomadinho do caraças, vai fazer valer a sua autoridade, se nem pêlo tem na venta, hã?
O pobre guardanapo ficava humilhadíssimo com estes comentários boçais, mas engolia em seco e permanecia em silêncio. É que ele, quando se enervava, gaguejava descontroladamente. E imaginava o vexame que passaria se descobrissem nele aquilo que seria considerado como mais uma fraqueza.
Foi ouvindo, foi engolindo, foi enchendo, mas aguentava-se estoicamente, fingindo que fazia orelhas moucas às provocações do sargento esfregão… embora, por dentro, ficasse a ferver.
Numa tarde de pouco movimento - estava o posto cheio de agentes
- ao ouvir mais uma série de ordinarices do comandante, não aguentou mais e rebentou.
- Vá-vá-á lim-lim-limpar la-latrinas, seu-seu la-lateiro.
Atirou o bivaque para cima do balcão de atendimento e saiu porta fora. O resto da corporação ria perdidamente.
- Ó pá! O gajo não é só engomadinho, também é gago - dizia um escovilhão lambe-botas.
- Pois. É um engo-gugu-mamadinho - respondeu outro.
- Eu é que tinha razão. É um verdadeiro guarda-nabo - rematou o comandante.
Mas cá se fazem, cá se pagam! Quando o esfregão chegou a casa, ao fim do dia, ia tendo um chilique. A mulher, uma bela toalha de bilros, tinha feito as malas e fugira para o Brasil com o guardanapo.

O Strip-tease da cebola

Crivada de dívidas, uma cebola desempregada não teve outro remédio senão aceitar um trabalho de stripper num night-club de terceira categoria.
Nessa noite, a cebola estava nervosíssima, já que era a primeira vez que se iria expor assim aos olhares de gente estranha. Mas lá subiu ao palco e começou a descascar-se. Conforme iam caindo as peças do vestuário da cebola, a clientela ululante gritava «tira, tira», cada vez com mais entusiasmo. E a pobre cebola lá se ia descascando a contragosto.
O problema é que, com tanta roupa, nunca mais chegava ao que interessa. E depois havia aquele estranho odor corporal que ia libertando…
Horas depois, os clientes, frustrados e lavados em lágrimas, iniciaram um motim e destruíram todo o mobiliário do night-club.
O patrão despediu a cebola imediatamente e pô-la no olho da rua sem lhe dar um tostão.
Mas a cebola não ficou desempregada, não. Um agente de espectáculos, que assistira a tudo, arranjou-lhe emprego como actriz num dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada.


Multifacetado exprime também as suas emoções através da poesia:

Havia naquela manhã de Abril
            A Salgueiro Maia, nos 40 anos do 25 de Abril

havia naquela manhã de abril
um odor a cravos
perfumando a cidade
 
eram brancos, vermelhos, matizados
da cor dos sonhos oprimidos
sem idade

havia no ar primaveril
um som de vozes
bailando à toa no eco das ruas

eram risos, cantos, brados festivos
arrojados do mais fundo
das almas nuas

havia no radioso céu de anil
uma alegria pura
sem conta nem medida

e uma maré de gente laboriosa
tomava por fim nas mãos
o rumo da sua própria vida


Carlos Alberto Silva
       25.04.2014

Pinhal de Leiria

Num ligeiro remoinho 
o vento arrasta a cinza 
das flores do verde pino

E traz consigo a memória
do velho rei trovador:
- Ai flores do verde pino.

Quem suspira mansamente
pelos pinhais do litoral?
Será o vento ou o mar?

Ou serão ainda os ecos
duma cantiga de amigo?
- Ai flores do verde pino.

Perdida na bruma densa
do tempo sem remissão
soa a mágoa do poeta:

- Ainda ouvis minha voz?
Ainda vos lembrais de mim?
ó flores do verde pino?

Mas só responde o murmúrio
do vento que arrasta a cinza
das flores do verde pino.



A magia de um grande contador de histórias itinerante revelou-se, de imediato, no sorriso aberto com que Carlos Alberto Silva começou por nos contar a maneira como decorriam as suas sessões de animação da leitura junto dos mais jovens. Também aqui trouxe para dentro da sala uma bicicleta colorida carregando uma grande caixa suspeita e outras caixas mais pequenas, mas não menos suspeitas! Entre todo este aparato delicioso, uma conversa, um livro, um chá e um café quente, a tarde estava a prometer!




No exercício da sua itinerância Carlos Alberto Silva vai transportando a magia escondida em caixas e caixas carregadas de história e estórias. Carlos Alberto Silva é um escritor que coloca todo um mundo encantado na simplicidade com que, magistralmente, dá vida às personagens das histórias que conta através  dos seus “Teatros de Papel”. Transforma-se ele próprio numa criança encantada que, de repente, é apanhada na trama das histórias que relata. Ver:
Encantou-nos a tarde, deliciou-nos com as histórias que escreve e com as estratégias que usa para lhes imprimir vida e encantamento. Sem nos darmos conta enfeitiçou-nos e introduziu-nos também nas histórias; sorrimos, aprendemos a magia das palmas a tantos dedos; fomos Saramagos inteiros e divertidos; fomos estranhas formas de nuvens…




Para completar, da forma mais terna e com sabor a futuro, este “Café com Livros”, só outro momento bonito, privilégio até, que foi, de vez em quando, ouvir-se ao fundo da sala o choro ternurento e breve de um bebé, que ao colo dos pais estava pela primeira vez a ouvir estas histórias de encantar… chamava-se Oriana!
Delicioso o tempo que nos permitiu sonhar através dos contos do nosso convidado, pois como dizia o poeta Sebastião da Gama, “pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos.” E fomos…
Obrigada Carlos Alberto Silva por tanto que nos enterneceu e comoveu; pelo trabalho fantástico que desenvolve; pela criatividade, pela generosidade com que dá a sua arte, e pela alegria contagiante com que sorri e põe os outros a sorrir.
Voltaremos a encontrar-nos por aí, na itinerância das histórias…
Encerramos este “Café com Livros” com um belíssimo poema que o Carlos escreveu em 2016 e que se chama:
Quando eu morrer não tragam flores…
quando eu morrer
não tragam flores
que flor cortada
logo fenece
e morto por morto
basta no esquife
o cadáver que arrefece

não tragam sequer
lamento e pranto
que a morte
- porque certa -
não vale o espanto
nem a mágoa da perda
que o peito descerra

tragam histórias
e canções
e poemas vibrantes
com as memórias felizes
dos dias de antes
perenes como as flores
de pé na terra


Obrigada a todos.
Voltaremos a encontrar-nos no dia 6 de abril, com outro convidado muito especial: Álvaro Laborinho Lúcio.

Até lá, não recusem:

           Um livro fresco
                   
                            Um café quente
                                       
                                            Uma ideia nova





 
Texto de Rosa Neves

Fotos de Joaquim Cordeiro Pereira e Mariana Neves

Edição de Augusto Mota