MOTE
Na manhã de vinte e cinco,
Chegas de cravo na mão:
- A porta está
só no trinco,
Podes entrar, Revolução.
I
Ó pátria triste e demente
Da mais longa ditadura,
O povo já não te atura,
Vamos pôr tudo diferente,
Varrer daqui essa gente,
Ter nossa terra num brinco.
Lutaremos com afinco,
Limparemos chão e ar,
Pois tudo irá mudar
Na manhã de vinte e cinco.
II
Donde vieste não sei,
Foi de bem longe, decerto,
Era floresta ou deserto,
Alguma terra sem lei,
Ou um presidente ou rei
Governava essa nação;
Donde vieste, dirão
Os que sabem mais que eu –
Foi essa flor que os venceu:
Chegas de cravo na mão.
III
Mais forte que a forte arma,
O perfume dessa flor,
E também a sua cor,
Os opressores desarma –
E na ponta da espingarda
Um cravo abre caminho
Com esse vermelho retinto
Que dá cor à madrugada:
Entra, que vens atrasada,
A porta está só no trinco.
IV
Temos já a casa pronta,
Esperando tua visita,
Para o povo ter a dita
De viver sem mais afronta;
Só com ele próprio conta
E os que ao seu lado estão;
Tem o futuro na mão
E teus passos já pressente –
Espera-te impaciente,
Podes entrar, Revolução.
António Simões
editado por augusto mota
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