12/06/2007

o cio do sol


Enquanto lavro o corpo da manhã o Sol, em cio, cavalga um cão de fogo por entre nuvens afiladas e a construção de cidades adivinhadas. Bem perto, porém, há o rodopiar incessante do disco rubro que agora se estampa em nosso olhar. Vemo-lo para além das nuvens. Vemo-lo em cima e para além deste corpo que se adelgaça no esforço de transportar o astro-rei a caminho de outras galáxias bem mais perto de nós.
Rítmica é a sensação do sexo em desepero perante a ingenuidade artesanal do olhar, firmeza da mão, o gravar da matéria.
Assim se constroem as nossas cidades interiores, que ora são corpo de mulher, ora vielas estreitas por onde vagueamos a tristeza e as mãos vazias de tudo.
As colinas ao longe agridem o espaço como justo contraponto a este paroxismo de dor e de prazer.
Deixemos as coisas acontecer ao ritmo do tempo que tomou conta do nosso acaso.
Augusto Mota, inédito, in "Geografia do Prazer", 2000.
Fotopoemas - Composições de Augusto Mota. Poemas de Carlos Alberto Silva.

2 comentários:

emedeamar disse...

Belíssimosssssssssssssssssssss!
(sulmourado em parte; lincado, na outra; parte)
:-)
GraTaaaaaaaaaaaa

António Simões ,Augusto Mota e Gabriela Rocha Martins disse...

concordo consigo a 100%.....

( mas sou suspeita )

beijinhos da tripulação