29. Ditoso seja aquele que somente
Quer sentar-se às portas da manhã,
E trata a luz do dia por irmã
E dentro dela se deita contente. E no regaço dessa luz ardente
Vai construindo o dia com afã,
Diz aos outros que a vida não é vã
Desde o sol nascer ao sol poente. Ditoso quem à luz sempre se alia
Pra construir o seu próprio destino,
Nos olhos a leva pra todo o lado - Ah, meus amigos, bebamos o dia:
Ao chegar à noite cheio desse vinho,
Ditoso é morrer de luz embriagado. António Simões, in "Amor É Um Fogo Que Arde Sem Se Ver. E Outros Sonetos".
7 comentários:
Ser poeta tem muito que se lhe diga.
E que o diga António Simões - o poeta a quem saúdo - pelo regresso a este blog.
Poesia como a sua é rara...
Este senhor é realmente um verdadeiro poeta... que me desculpem os demais!
Fazer sonetos com tal mestria, aqui, só ele!
Ser poeta é ser diferente na textura dos versos que se vão urdindo às escondidas...não é assim, António Simões?
António Simões,
ó poeta andarilho das palavras!
de facto, ser Poeta maior é um dos atributos do António Simões. por isso mesmo, o Palácio das Varandas orgulha-se de o ter entre os seus mareantes...somos "marujos" que a bom porto tentam levar esta nau...contra todas as intempéries...temos carta de marear.
não foi nenhum anónimo que escreveu tal frase. às vezes também eu me engano ao apostar os comentários. peço desculpa aos comentadores.
creio - tenho a certeza. o António cochichou-me há pouco ao ouvido - que o Simões concorda plenamente contigo... e só não te diz por vergonha. neste blogue a desavergonhada sou eu...assumidamente!
e olhe Isabel que ele é mesmo um poeta andarilho...
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